Crise global reduz preços e beneficia Petrobras, diz diretor

Sinônimo de tormenta para grande parte das empresas ao redor do mundo, a crise econômica global teve um significado diferente para a maior empresa do país. A Petrobras considera que a turbulência econômica foi benéfica para garantir os grandes investimentos que a estatal prevê para o futuro, entre os quais, a exploração na camada pré-sal.
O diretor financeiro e de relações com investidores da petrolífera, Almir Barbassa, destaca que o arrefecimento nos custos da indústria do petróleo após o agravamento da crise, há um ano, significa um legado positivo. E que a Petrobras, com dinheiro garantido para fazer os maiores investimentos -US$ 174,4 bilhões- previstos na indústria petrolífera mundial nos próximos cinco anos, ganhará ainda mais espaço no mercado, se consolidando como um dos principais operadores do setor.
“Acho que a Petrobras ganhou com a crise. Eu via isso como um mal que poderia resultar em benefícios para a Petrobras, porque no primeiro semestre do ano passado tivemos inflação de custos para a indústria do petróleo. Temos um portfólio muito grande de projetos, temos muito investimento, nosso crescimento é ímpar na indústria, né? Vínhamos pagando caro por essa efervescência da indústria, essa inflação de custos estava batendo muito diretamente em nós”, afirmou o executivo, em entrevista à Folha Online.

Volume de investimentos

Para se adquirir certos equipamentos, lembra Barbassa, não havia muitas perspectivas, diante do cenário aquecido. A única solução era garantir um lugar na fila e aguardar uma oportunidade futura. Mesmo assim, a Petrobras decidiu ampliar em 55% o volume de investimentos, no momento em que o mundo olhava de forma bem desconfiada para os rumos da economia global.
Barbassa explica que os projetos da estatal só começam a operar e dar retorno num prazo de cinco a dez anos. Nesse ponto, restava à companhia optar por uma visão de longo prazo.
“A gente não trabalhou com aquela visão míope de se ter dificuldade amanhã pela crise, mas olhar a demanda pelo seu produto daqui a cinco, dez anos. Isso deu uma alavancagem muito grande à empresa, porque energia é um bem que vai continuar sendo consumido, é sinônimo de conforto hoje”, observa.
Nesses 365 dias desde o agravamento da crise, a Petrobras pouco sentiu a restrição de crédito no mercado, garante o diretor. Para Barbassa, a perspectiva com as descobertas na camada pré-sal foi mais fator que auxiliou a empresa a obter recursos para seu plano de investimentos.

Estatal vislumbra obter mais recursos junto a agências de crédito à exportação

Ele comemora o recorde histórico de captação obtido pela Petrobras justamente durante o cenário de crise. Em cinco meses, conta Barbassa, a estatal conseguiu US$ 31 bilhões, dos quais US$ 2.7 bilhões em duas operações no mercado de capitais. Para o futuro, a Petrobras vislumbra obter mais recursos junto a agências de crédito à exportação.
“Neste momento, elas se constituem em fonte muito boa para a Petrobras, porque a empresa acaba tendo que importar uma boa parte de serviços e equipamentos, não dá para tudo ser atendido aqui no Brasil. Então, somo grandes importadores, e neste momento de crise, o que os demais países mais querem é vender para nós, e eles estendem linhas de crédito”.

Brasil na crise

Avaliando o cenário macroeconômico, Barbassa afirma que a crise foi “relativamente fraca” no Brasil. Para o diretor, setores da indústria ligados à exportação sentiram os maiores impactos, já que a economia interna manteve-se aquecida, com o consumo doméstico em alta.
Ele salienta ainda que o país continuou em busca do crescimento, ao contrário dos países desenvolvidos, onde buscava-se salvar as empresas da falência.
“A demanda, o brasileiro médio, raramente sentiu a crise, enquanto nos países mais desenvolvidos, o caso foi socialmente sério”, observou.
No cenário futuro, Barbassa considera que os países emergentes ganharão um peso relativo muito maior na economia mundial. Para o executivo, haverá um rebalanceamento do papel dos países, com multipolarização econômica do mundo. Nesse aspecto, o Brasil ganha um “status diferenciado”, aponta.
“O mercado emergente sofreu menos nessa crise, a periferia aqui ajudou. Essa foi uma crise gerada nas economias mais desenvolvidas e que sofreram muito mais, e nessas economias já há sinais, ás vezes não muito seguros, mas sinais já positivos”, completou.

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