CPI quer informações da Receita sobre repasses da Susam

Após a Operação Sangria, deflagrado na terça-feira, 30/06, pela PF (Polícia Federal), que investiga a compra supostamente superfaturada de 28 respiradores mecânicos pela Susam (Secretaria de Saúde) e que resultou na prisão temporária de oito pessoas, entre elas  a secretária estadual de Saúde, Simone Papaiz, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) voltou suas ações para a gestão do hospital de Campanha Nilton Lins e o programa Anjos da Saúde, administrado pela Susam.  

Na quarta-feira, 01/07, os membros da CPI da Saúde ouviram Júlio Mário de Melo e Lima, Superintendente do HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas, Vitor Vilhena Gonçalo da Silva, presidente do Hospital Beneficente Portuguesa e Carlos Henrique Alecrim John, procurador da Empresa Norte Serviços Médicos Eireli, empresa, a qual os membros da CPI acreditam haver irregularidades na prestação de serviços de lavagem de roupas (fronhas e lençóis), por haver lavado em apenas um dia, quatro toneladas de roupas, quando havia apenas quatro pacientes no hospital de campanha do Estado.

Após as coletas de informações, na quarta-feira, a CPI vai requerer à Receita Federal informações sobre origem de R$ 5 milhões pagos pela atual proprietária da empresa Norte Serviços Médicos Eireli – responsável pela lavanderia do Hospital de Campanha da Nilton Lins -, para o antigo dono e, ainda, investigar a contínua mudança de proprietários, mas com a manutenção do atual procurador  Carlos Henrique Alecrim John.

“Há fortes indícios de ilegalidades e superfaturamento nos serviços prestados por essa empresa que, inclusive, já foi beneficiada por  outros inúmeros processos indenizatórios na esfera pública. Queremos informações sobre essa empresa, saber o que a Receita pode nos fornecer de dados que esclareçam ainda mais essa situação”, afirmou o presidente da CPI, Delegado Péricles.

De acordo com o parlamentar, a empresa que alegou ter lavado toneladas de roupas no hospital de campanha, quando este tinha apenas quatro pacientes registrados, deverá nos próximos dias esclarecer questões quanto a sua capacidade para atender a demanda, mas principalmente, como sempre é a diretamente beneficiada pelo Estado para os mais diferentes tipos de serviços prestados, processos que vão de jardinagem a serviços médicos.

“Há claramente indícios de que há alguém por trás de tantos donos, que os altera de acordo com necessidade, mas que detém de fato toda a influência, poder de negociação e verba. Vamos apurar isso. O senhor Carlos deve ser chamado outras vezes. É surpreendente e suspeita a quantidade de qualificações que essa empresa alega ter para prestar tantos e diferente serviços e sempre ser a escolhida”, concluiu.

 Pollake é esperada

Na sexta- feira, 3, deverá depor Carla Pollake da Silva, um dos depoimentos mais esperados pela CPI, devido ao nome de Pollake se destacar, segunda-feira, 29/06,  durante depoimento do ex-secretário da Susam, Rodrigo Tobias. O gestor revelou que o projeto Anjos da Saúde, que custou R$ 6 milhões aos cofres do Estado, foi deferido pela `número três do governo do Amazonas`, passando por cima de indicações de pendências feitas pelo até então titular da pasta. O fato teria sido o estopim para a saída de Tobias, no dia 8 de abril, e o anúncio de Simone Papaiz para o cargo.  

Para o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos), a revelação do ex-titular da Susam é grave e comprova a força de Carla Pollake, que apesar de não aparecer entre os cargos do Estado, figura como autoridade de aprovar um projeto milionário. “Muito grave a denúncia porque o ex-secretário afirma que Carla Pollake, que é a terceira na hierarquia do governo, mesmo não ocupando nenhum cargo, ligou para o secretário para pedir aprovação de um projeto de R$ 6 milhões, isso é muito grave”, disse Barreto, durante o depoimento do ex-secretário de Saúde.

Em oitiva, Tobias explicou que o Anjos da Saúde não foi um projeto desenvolvido pela Susam, mas sim pela Aades (Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social ), e executado pela secretaria de Saúde, mesmo com a vontade contrária do ex-secretário de Saúde. 

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