Corte de juros e demanda puxarão crescimento em 2008, diz Meirelles

Meirelles acredita que esse fator, aliado ao crescimento da demanda interna, irá auxiliar o crescimento do PIB no ano que vem. “A economia brasileira cresce pela demanda interna, baseado no aumento da renda e do crédito em um ambiente de flexibilização da política monetária, que não mostrou todo o seu efeito”, afirmou Meirelles em audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), do Senado.

O processo de redução da taxa básica de juros, a Selic, foi iniciado em setembro de 2005 e a Selic está hoje em 11,25% ao ano. Analistas do mercado financeiro apostam em mais um corte de 0,25 ponto percentual ainda neste ano.
Para Meirelles, o Brasil hoje tem mais condições para enfrentar situações de turbulência e, ainda assim, manter o crescimento da economia. “O Brasil não é imune, como ninguém é, mas está hoje muito mais equipado e com economia sólida”, afirmou.

Brasil se saiu melhor

Meirelles afirmou aos senadores que o Brasil, neste momento, tem ganhos com a estabilidade da economia. Para ele, isso ficou claro com as recentes turbulências do mercado financeiro.
Entre os dados apresentados aos senadores na CAE, ele mostrou que no período de maior turbulência (14 de junho a 21 de setembro), o risco-país do Brasil subiu apenas 24 pontos. Trata-se do segundo menor aumento dos países emergentes, ficando abaixo apenas do México, com 17 pontos.
Venezuela e Argentina, por exemplo, tiveram seu índice elevado em 109 e 88 pontos, respectivamente. Para Meirelles, a política de acúmulo das reservas colaborou para esse movimento menos intenso.
“As reservas tem custos, certamente, mas têm benefícios importantes que ficam evidentes nestes momentos”. Meirelles defendeu ainda que os ativos brasileiros sofreram menos volatilidade nesta recente turbulência do que em comparação com as oscilações enfrentadas pelos mercados em maio de 2006. Além disso, a trajetória de inflação continua dentro da meta.

“A inflação brasileira tem sido compatível com a trajetória de metas. Os agentes econômicos confiam que o Banco Central do Brasil entregará a inflação dentro da meta”.
Segundo o último boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC com a opinião de analistas do mercado financeiro, há uma elevação nas expectativas de inflação. A projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) sofreu a sexta elevação e passou de 4,01% para 4,02%. Para 2008, foi elevada para 4,10% -estava em 4%.

Grau de investimento

O presidente do BC, disse esperar que o Brasil receba o chamado grau de investimento (“investment grade”) dentro de um ou dois anos. Ele admitiu, porém, que as recentes turbulências nos Estados Unidos deixaram as agências de classificação de risco em uma “situação delicada” e, por isso, ele prefere não fixar uma data mais precisa para a nota do Brasil.
“O Brasil caminha para o ‘investment grade’ em um prazo não muito longo. Mais perto de um a dois anos do que de oito a dez anos”, disse ele em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos, no Senado.
Para Meirelles, as agências ficaram em uma situação delicada porque as operações realizadas no mercado de crédito imobiliário nos EUA foram baseadas na nota dada (“rating”) a cada parcela de dívida das financiadoras americanas, que incluía também os chamados créditos “subprimes” (de alto risco, dado a pessoas com histórico de inadimplência).
“As agência de rating estão num momento particularmente delicado. No entanto, está cedo para dizer se houve alguma avaliação não correta”. Meirelles afirmou ainda que o crescimento mundial não deverá ser fortemente afetado por essas turbulências.

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