Companhias iniciam preparos para disputa por rodovias paulistas

Desde a manhã de terça-feira, 2, um pequeno exército de engenheiros, técnicos e executivos financeiros das principais concessionárias rodoviárias do país está debruçado sobre as milhares de páginas dos editais das cinco rodovias paulistas que serão leiloadas no dia 29 de outubro. Cada uma dessas companhias está fazendo contas, analisando os riscos e buscando a formula mágica que lhes permitirá oferecer o menor preço a ser cobrado nas praças de pedágio que serão distribuídos por mais de 1.700 quilômetros das rodovias Carvalho Pinto, Ayrton Senna, Dom Pedro 1º, Raposo Tavares e Marechal Rondo. “Pelo fato de a OHL ter abocanhado quase todas as rodovias federais que foram a leilão recentemente, tudo indica que haverá uma disputa bastante acirrada, entre quem não levou nada recentemente, por esse pacote que o governo paulista está colocando no mercado, mesmo com os altos preços de outorga e a exigência de investimentos de peso”, afirma o executivo de uma das empresas que vai entrar na briga.
Este é o primeiro pacote relevante de rodovias que o Estado de São Paulo leva a leilão nos últimos dez anos. Animado pelos resultados das sete rodovias federais que foram leiloadas no final do ano passado e pelo sucesso do processo de concessão do trecho oeste do Rodoanel, o governo decidiu apostar pesado neste novo pacote. Está cobrando R$ 3,5 bilhões em direitos de outorga – a taxa que cada empresa paga ao Estado para ter o direito de explorar as rodovias – e investimentos totais de R$ 8 bilhões. Além disso, o vencedor terá que conservar cerca de 900 quilômetros de rodovias vicinais que não fazem parte da concessão. O governo paulista acredita que muitas empresas ficaram sem nada nos últimos leilões e estariam dispostas a aceitar essas condições.
Mesmo com essas exigências, consideradas indigestas pela maior parte do mercado, praticamente todas as grandes empresas do setor já se preparam para entrar na briga. E provavelmente de forma agressiva. “A disputa vai ser muito acirrada, duvido que qualquer um dos jogadores do mercado não esteja com a calculadora na mão agora”, afirma Carlo Bottarelli, presidente da Triunfo Participações e Investimentos, que tem quatro concessões rodoviárias no Sul do país e em Minas Gerais.
Apesar de ter disputado todos os últimos leilões, a Triunfo foi uma das empresas que nada levou. Bottarelli afirma que, dessa vez, a companhia não ficará sem nenhuma concessão. “Estamos com o apetite grande, estamos nos preparando há algum tempo e vamos brigar para ganhar”, disse o executivo, que afirma estar com os recursos disponíveis para os investimentos exigidos nos editais. “Ao contrário da outra vez, vamos para essa disputa sozinhos, queremos autonomia para decidir o que é melhor para nós”, disse ele.
A decisão tomada de não formar parcerias da Triunfo não deve se repetir com tanta ênfase entre as outras empresas do setor. Aliado aos valores bilionários cobrados pelo direito de outorga, o prazo para pagamento de 18 meses também deve levar algumas empresas a buscar parcerias. “Acho difícil, mesmo entre as grandes, que alguém vá para a disputa sozinho, há muito dinheiro envolvido, pouco crédito no mercado e prazos curtos”, afirmou Martus Tavares, presidente da BRVias. A companhia, uma parceria da construtora WTorre e do Grupo Áurea, do grupo Constantino, dono da Gol, pretende disputar todos os lotes oferecidos. “Estamos estudando, fazendo contas para preparar nossas propostas, mas sozinhos não vamos”, disse.
O mercado acredita que a a OHL também siga a filosofia da BRVias e busque parceiros para disputar as concessões. A companhia espanhola venceu cinco dos sete lotes de rodovias federais leiloadas no ano passado e, nesse momento, está fazendo os investimentos emergenciais para poder iniciar a cobrança de pedágio.

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