Carlos Fernando Lindenberg Neto, (Presidente ANJ)

Membro do Conselho de Administração da WAN-IFRA (Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias) e diretor geral da Rede Gazeta, o maior grupo de comunicação do Espírito Santo, o presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Carlos Fernando Lindenberg Neto, em entrevista ao JC, comemorou os 110 anos do periódico mais antigo do Amazonas, ressaltando a importância do Jornal do Commercio em lutas pelo desenvolvimento da região amazônica e o esforço para manter ativo o segmento do jornalismo econômico e de negócios.

Com a queda na circulação e até o fechamento de impressos, como se manter no mercado? Principalmente em se tratando de assuntos específicos, como é o caso do JC?
Carlos Lindenberg Neto – Temos um processo estrutural de transformações, com o surgimento de novas plataformas tecnológicas, que afeta toda a indústria jornalística, atingindo mais severamente aqueles que adotaram uma atitude defensiva, mas representa uma oportunidade para os que tiverem a ousadia de reinventar seus negócios com base no que têm de mais valioso – o seu relacionamento com a audiência.

A linha editorial do JC é diferente do seu início em 1904 e veio se modificando com o passar do tempo. O atual formato pode tornar o JC ainda mais longevo e atrativo?
Lindenberg – A crise e as transformações afetam com mais intensidade os jornais que produzem conteúdos indiferenciados, que estão disponíveis em várias fontes – são os “Hard News” ou a informação “commodity”. Jornais (assim como produtores de bens) de alta qualidade, exclusividade ou pouca concorrência e credibilidade, além de um relacionamento sólido com seu público são menos afetados e podem usar essa vantagem competitiva como alavanca para novos negócios. De um modo geral é o que acontece com jornais de economia e negócios em todo o mundo.

O que representa para a região amazônica e principalmente para a ZFM, este jornalismo especializado (ou direcionado) do JC?
Lindenberg – Vínculos fortes com a comunidade não são importantes apenas para o sucesso das empresas jornalísticas como empreendimento comercial. São vitais, também, para a sustentação das instituições democráticas, independentemente de serem jornais de informação geral ou especializados.

O JC está sempre divulgando ações de defesa e às vezes até entrando na briga pela Zona Franca de Manaus. Jornais que tomam posições de defesa da região estão escassos, como o sr. vê essa tomada de atitude?
Lindenberg – Sob esse aspecto, os jornais não devem ter medo de abraçar causas relacionadas aos interesses legítimos de suas respectivas comunidades, inclusive no que se refere à ZFM, que é o caso do JC. Falo com a tranquilidade de quem dirige uma empresa – a Rede Gazeta – que apoia institucional e cobre editorialmente uma série de iniciativas voltadas ao desenvolvimento do Espírito Santo.

Espelhar-se em antigos veículos como o JC, pode ser útil para novos jornais?
Lindenberg – Conhecer a experiência dos outros é sempre útil, tanto para os novos quanto para quem também está há mais tempo no mercado. É o que se chama “benchmark”. Se os que estão há mais tempo no mercado, além de terem superado outras crises se revelam capazes de inovar, se mantém um vigor empreendedor e criativo, devem ser exemplos mais ainda.

Como a ANJ e a imprensa brasileira celebram a longevidade de jornais como o JC?
Lindenberg – O JC é um dos poucos jornais centenários do Brasil. O fato de que neste 02 de janeiro complete 110 anos é, em si, motivo de celebração por parte de seus acionistas, seus colaboradores e seus parceiros de negócios. Ninguém chega tão longe sem ter-se revelado indispensável à sua comunidade a cada dia. Por isso, recebam todos, em meu nome e no de todos os associados à ANJ, as nossas felicitações e os nossos votos de que esse relacionamento entre o JC e a comunidade manauara se renove e se enriqueça neste ano que se inicia.

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