Brasil inicia 2008 como credor externo

O Brasil terminou o mês de janeiro como credor externo em quase US$ 7 bilhões. Isso significa que os ativos em moeda estrangeira do país, basicamente as reservas internacionais, superam toda a dívida externa brasileira.
Segundo estimativa do Banco Central, a dívida total para o mês passado era de US$ 196.2 bilhões. Já os ativos somaram no período US$ 203.190 bilhões -sendo que a maior parte é referente às reservas em moedas estrangeiras (US$ 187.507 bilhões).
Ou seja, o Brasil está com uma dívida externa total líquida negativa em US$ 6.983 bilhões, o que coloca o país na posição de credor externo. Essa dívida é quando se reduz da dívida externa bruta os ativos que o país possui no exterior.
Além das reservas, o Brasil possuía em janeiro US$ 2.819 bilhões em créditos no exterior e US$ 12.864 bilhões em haveres de bancos comerciais.
O dado divulgado ontem supera a expectativa do BC, que na semana passada afirmou que o Brasil era credor externo em cerca de US$ 4 bilhões.
Ao final de 2007, as reservas estavam em US$ 180.3 bilhões, um crescimento de 110% no ano. Essa expansão foi conseqüência, principalmente, das compras de dólares efetuados pelo BC ao longo do ano passado. Entre 2003 e 2007, as compras chegaram a US$ 141.3 bilhões, sendo que 55,6% desse total foi realizado no ano passado.

Balanço de
pagamentos

Já o balanço de pagamentos, que reflete as movimentações de recursos feitas com o exterior, encerrou janeiro com um superávit de US$ 3.231 bilhões.
O balanço inclui o resultado das transações correntes mais a conta capital e financeira (que representam as operações financeiras do país com o exterior, incluindo ingresso de investimentos estrangeiros).
A conta de capital e financeira teve um saldo positivo de US$ 7.552 bilhões em janeiro de 2008.
Os investimentos estrangeiros diretos ficaram em US$ 4.814 bilhões em janeiro. A previsão é que neste ano entrem US$ 28 bilhões por essa conta.
A remessa de lucros, dividendos e juros ao exterior fez o Brasil terminar o mês de janeiro com um saldo negativo na conta que mede as principais operações do pais com o exterior -balança comercial, a conta de serviços e rendas e as transferências unilaterais.
O déficit em conta corrente foi de US$ 4.232 bilhões no mês passado, acima dos US$ 2.8 bilhões estimados pelo Banco Central.

Aplicação estrangeira bate recorde em janeiro

Apesar da crise no mercado financeiro, a entrada de recursos estrangeiros no país em forma de investimentos diretos superou as expectativas.
Os ingressos somaram US$ 4.814 bilhões, o maior valor para janeiro desde o início da série do Banco Central, iniciada em 1947. A expectativa é que em 2008 entrem no país US$ 28 bilhões em novos investimentos -o dado pode ser revisado no decorrer do ano. No acumulado de 12 meses, esse fluxo está positivo em US$ 37 bilhões. “Tivemos um valor recorde para janeiro e temos investimentos disseminados em diversos setores. Teremos um fluxo forte neste ano dado as intenções que estamos coletando junto às empresas’’, afirmou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC.
Os investimentos estrangeiros diretos chegaram em 2007 a US$ 34.616 bilhões, o maior valor já registrado em um único ano e quase o dobro do registrado em 2006 (US$ 18.782 bilhões).
Apesar da projeção otimista para o ano, o recorde de janeiro não deverá se repetir neste mês. Até hoje, entraram no país apenas US$ 100 milhões.

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