Arquitetura sustentável pode reduzir custo da construção em até 80%

Projeto de arquitetura sustentável que prevê redução de 80% nos custos de construção de moradias deve ser alternativa para habitações populares. A idéia, segundo a arquiteta Ticiana Braga, é fruto de um aperfeiçoamento de técnicas antigas com vistas ao conceito moderno de biosustentabilidade.
São dois tipos de construções previstas no projeto, uma com saco de estopa e barro, e outra somente de barro. “O objetivo é utilizar ao máximo os produtos da própria natureza. Até a coloração pode ser feita com frutos, como o urucum, por exemplo”, comentou Ticiana.
Segundo ela, na obra inteira usa-se apenas 10% de cimento, graças a evolução do adobe, técnica construtiva que consiste em se moldar o tijolo cru, em fôrmas de madeira, a partir das quais o bloco de barro é seco ao sol, sem que haja a queima do mesmo. “São casas muito resistentes, e têm a vantagem de serem térmicas, não permitindo a passagem do calor para o seu interior. Somente as portas e janelas serão tradicionais, além da fiação e do encanamento, é claro”, afirmou a arquiteta. O projeto prevê ainda o próprio tratamento de esgoto, através da plantação de bananeiras sobre uma espécie de reservatório de compostos.
As casas de adobe (e superadobe, no caso das construções com barro e estopa), poderão ser uma viável alternativa econômica para a habitação popular. O projeto deve ser finalizado até o fim deste mês, sendo apresentado ao prefeito de Manaus e ao governador do Estado até dezembro deste ano.

Processo é colaborativo

A arquiteta informou que a intenção é fazer as casas em uma espécie de mutirão, ou seja, com os próprios moradores trabalhando nelas. “Vamos fazer palestras e mostrar o trabalho no campo. Em um dia, as pessoas terão aprendido a técnica”, disse Ticiana. “Com cinco pessoas, é possível construir uma casa em uma semana”, completou.
Segundo ela, ao contrário das casas de pau-a-pique, ou taipa, essas construções não deverão atrair bichos, como o barbeiro, pelo fato de serem de barro. “O que os atrai é a falta de manutenção. Se a casa tiver rachaduras, independentemente do material, barrou ou cimento, deve atrair qualquer tipo de bicho, como baratas e ratos. Até em casa de cimento”, ressaltou. A manutenção dessas habitações deve ser feita uma vez por ano.

Mercado imobiliário

De acordo com o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Joaquim Auzier de Almeida, projetos desse tipo são viáveis apenas para a população de menor renda e não gera interesse no mercado imobiliário. “Pouca gente estaria interessada em investir nos setores voltados para a população de baixa renda”, afirmou.
Para o sindicalista, uma boa saída para implementar a idéia seria o programa de arrendamento, em que os empresários fazem a casa, o Estado entra com a infra-estrutura e a Caixa Econômica Federal a vende.
A unidade habitacional popular em Manaus está em torno de R$ 32 mil, informou o presidente do Sinduscon, inviável para o empresariado local. “Em São Paulo, elas custam R$ 40 mil. Nesse patamar, dá para pensar em trabalhar com esse tipo de moradia”, avaliou.

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