15 de maio de 2021

Ária Ramos vive em exposição

O que teria de especial a jovem Ária Ramos para, 101 anos depois de sua morte, continuar sendo lembrada como se tivesse morrido ontem?

Ária Paraense Ramos nascera em 12 de agosto de 1896 e, segundo relatos da época, era uma jovem que gostava de se divertir, tanto que o trágico acidente (acidente?) que tirou sua vida, aconteceu num baile de Carnaval, no dia 17 de fevereiro de 1915.

O baile se desenrolava numa terça-feira gorda, no Ideal Clube, então localizado nos altos de um prédio na Av. Eduardo Ribeiro com Henrique Martins, onde hoje funciona a loja de roupas Asya Fashion. É provável que, pela Eduardo Ribeiro estivesse acontecendo o corso, desfile de carros de capota conversível, iniciado naquela artéria em 1905. Os passageiros jogavam confetes, serpentinas e lança-perfume uns nos outros e em quem assistia ao cortejo. Enquanto isso, no Ideal, nada de samba ou marchinhas, mas maxixes, mazurcas e valsas, isso mesmo, valsas, por isso, quando foi atingida por uma bala, Ária Ramos, que era violinista, executava a valsa “Subindo ao Céu”.

Ferida, a jovem foi carregada por alguns integrantes do grupo carnavalesco “Paladinos da Galhofa”, pelas ruas pouco iluminadas de Manaus, na direção da Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu ao tiro, e morreu.

A cidade, em franca decadência econômica pós período áureo da borracha, e com uma população de menos de 100 mil habitantes, foi abalada, afinal, Ária Ramos pertencia à elite local e era bastante conhecida por todos.

E o tiro que a matou? De onde veio? Uns disseram que foi disparado acidentalmente por seu namorado, que usava uma fantasia de caçador, durante uma briga dele com o ex-noivo da moça. Outros disseram que não houve briga nenhuma. Certo é que, 101 anos depois, permanece um mistério o porquê do tiro que matou Ária Ramos e por que ela não é esquecida.

Subindo ao céu

E quem quiser se imaginar no mundo de Ária Ramos, através de imagens, poderá fazê-lo a partir de hoje, quarta-feira (17) – (exatamente no aniversário dos 101 anos da morte dela), no Museu Paço da Liberdade, com uma exposição de fotografias inspirada na vida e morte da jovem. Organizada pelos fotógrafos Tácio Melo, Rodrigo Tomzhinsky, Thaís Tabosa e Bárbara Umbra, a exposição apresentará 24 imagens que trazem uma leitura contemporânea de Ária.

Tácio Melo contou que o interesse pela vida e morte da artista surgiu em 2011, quando, ao fotografar no cemitério São João Batista, se deparou com a sepultura de Ária feita em mármore, com a figura da jovem de corpo inteiro ostentando seu violino.

“Ao ver aquela imagem, logo pensei que aquela mulher teria uma relação muito forte com a arte e a música. Iniciei minhas pesquisas e descobri alguns blogs que falavam sobre Ária. Em 2015, busquei os familiares, que não estão mais vivos, com exceção de um sobrinho e uma sobrinha, que não moram em Manaus e que hoje têm 85 e 101 anos, respectivamente”, comentou.

As fotografias que serão expostas no Paço não remetem à Manaus do século 19, e trazem a modelo Gabriela Nunes na pele de Ária. “São momentos inspirados que remetem aos ensaios, cotidiano e a morte de Ária Ramos”, adiantou.

Uma das fotos (de Tácio Melo) mostra Gabriela (Ária), ‘morta’, violino ao lado, na ruela calcetada existente em frente à Santa Casa de Misericórdia. Noutra (de Bárbara Umbra) ela está em frente à porta de entrada do majestoso hospital, hoje abandonado. Numa das fotos mais inspiradas (de Thaís Tabosa), a atriz parece voar rumo ao céu, exatamente como a valsa que Ária tocava quando morreu.

Já estava ensaiando a valsa

Entre as surpresas programadas para a abertura da exposição está a apresentação do violinista Diego Alessandro Coutinho, que tocará a última canção apresentada por Ária. Diego tem 23 anos e cursa Música, na Ufam. “Ária Ramos também é tema do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), que deverei apresentar ainda este ano”, contou. Esta será a primeira vez que Diego tocará “Subindo ao Céu” em público.

“Tomei conhecimento da história de Ária e iniciei as pesquisas sobre a vida dela. Gosto muito de história e essa une fatos à música, e é especial porque conta a vida de uma pessoa da nossa cidade. Quando fui convidado para tocar essa valsa, eu já estava ensaiando para minha apresentação”, comentou Diego, que também toca na Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica.
Jornais da época relataram que, no momento em que Ária Ramos foi fatalmente atingida pela bala da arma do namorado, estava executando a valsa “Subindo ao Céu”, de autoria de Aristides Borges.

No sábado (20), no Salão Nobre do Museu Paço da Liberdade, ocorrerá a Mesa Redonda sobre a exposição. Além dos fotógrafos, estarão presentes os figurinistas e maquiadores responsáveis pela produção da modelo Gabriela Nunes. O pesquisador da biografia da artista, José Cardoso, vice-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), contará a história da artista.

Serviço
O quê? Exposição de fotos Ária Ramos
Onde? Museu Paço da Liberdade – centro histórico de Manaus
Quando? A partir de hoje, quarta-feira (17)
Ingresso: Gratuito
Informações: (92) 3215-4613

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