Apesar de veto, expectativas para a Semana Brasil ainda são altas

Expandida em sua segunda edição, e prevista para ocorrer entre 3 e 13 de setembro, a Semana Brasil é a aposta do governo federal e do comércio para emplacar um Black Friday verde e amarelo e fugir da sazonalidade de vendas em baixa. A publicidade em relação ao evento começa hoje, mas a FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde) vetou o evento em sua forma presencial, em sintonia com os decretos estaduais para prevenir aglomerações e propagação do contágio de covid-19.

Para contornar o impasse, entidades como a Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas) sugeriram que os estabelecimentos adotassem canais online para as vendas e efetivassem as entregas por delivery ou drive-thru. Mas, não há um consenso de que todos seguirão esse caminho. A despeito do imbróglio sanitário e legal, o setor projeta alta de 5% a 8% para as vendas, durante a data.

“A FVS não quis conversar com as entidades. Foi, de certo modo, descortês, não atendendo e não retornando os inúmeros pedidos de reunião ou mesmo retornando os telefonemas. Acho que perdeu uma grande chance de reafirmar parcerias, que deram certo durante todo o período agudo da pandemia, e de nos instruir e conduzir a fazer o evento de modo seguro. Que nos saibamos, isso só está ocorrendo no amazonas”, lamentou o presidente da FCDL-AM, Ezra Azury.

De acordo com o dirigente, as lojas vão fazer a promoção “mesmo sem autorização” e a adesão ao evento deve estar em mais de 60%, levando a uma estimativa de crescimento de 8% para o volume de vendas, em relação ao ano passado. “Agora vamos ter vários lojistas fazendo a ação por conta própria. Mas, não acredito que vão fechar as lojas que aderirem à Semana do Brasil”, asseverou.

Evitando problemas

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, avalia que a Semana do Brasil é positiva, já que setembro tem muitos feriados, mas nenhuma data comemorativa que leve o consumidor às compras. O dirigente lamenta, contudo, que os riscos inerentes à pandemia – e o veto da FVS ao evento com vendas presenciais – tenham minado essa expectativa.

“É uma data que simplesmente não tínhamos e que começaria a dar um bom resultado. Tivemos uma, no ano passado, e esta seria a segunda. As empresas estavam com muita vontade de ter essa data, mas estamos preocupados que o volume de pessoas aumente a ponto de gerar aglomerações nas áreas e fazer com que tenhamos algum problema com isso”, ponderou.

No entendimento de Ralph Assayag, o imbróglio em torno da eventualidade de aglomerações deve contribuir para uma adesão abaixo do esperado entre os lojistas, embora o dirigente considere que ela seja positiva o suficiente para que o varejo não perca os ganhos eventuais com a data e se prepare para capitalizar o evento com mais força, no próximo ano. 

“Os shoppings estão preocupados em fazer grandes promoções e depois ter problemas. As lojas de bairro e do Centro, também. Mesmo assim, a data vai ser divulgada e preparada com muito cuidado. Para isso acontecer, o evento foi estendido de sete para 12 dias”, amenizou, acrescentando que espera vendas positivas para o segundo semestre, com sobra suficiente para reduzir as perdas do primeiro.

Controle de fluxo

Embora concorde que a situação é difícil, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, conta que a entidade chegou a argumentar que as lojas poderiam tomar medidas para prevenir as aglomerações, como a organização de filas ou controle de fluxo na entrada dos estabelecimentos. O dirigente também considera que o consumidor está tomando mais cuidados com sua saúde, mas diz que, diante da negativa da FVS-AM, está recomendando aos seus associados que utilizem os canais online para capitalizar o evento.

“Fui a um supermercado neste fim de semana e vi muita gente aglomerada por causa de uma promoção de leite, mas percebi que estavam todos mais protegidos. Todo mundo quer vender, mas acredito que as vendas da Semana do Brasil não teriam tanto potencial para gerar aglomerações, e as lojas já têm experiência para evitar isso. De qualquer forma, diante dos números mais recentes do comércio, devemos ter bons resultados e as vendas devem crescer 5% em relação a 2019, pelo menos”, afiançou. 

Parecer técnico

Procurada pelo Jornal do Commercio, a assessoria de imprensa da FVS-AM respondeu que recebeu a demanda das entidades do comércio e que esta foi reforçada ainda pelo governo estadual. O órgão informa que preparou um parecer técnico, que confirmou o risco da promoção da Semana do Brasil em sua forma presencial, mas salienta que não há nenhuma restrição a sua realização pelo modo online.

“Não sabemos se outros Estados estão fazendo o mesmo, ou não. Nossa recomendação é não incentivar situações que levem a um volume descontrolado de pessoas. Infelizmente, parte da população ainda confunde flexibilização e relaxamento e isso é confirmado diariamente por nossas equipes. Continuamos em situação de pandemia, o que não recomenda a realização de eventos coletivos”, encerrou a assessoria.  

Com dezenas de lojas cadastradas, a “Black Friday verde e amarela” está recebendo inscrições de empresários, que queiram participar, através do site www.semanadobrasil.com. No ano passado, a campanha incrementou o comércio online em 41%, confore a Ebit/Nilsen. As vendas presenciais também aumentaram 1,3%, de acordo com a Cielo. Em torno de 70% dos shoppings centers aderiram ao movimento, o que favoreceu os segmentos de cosméticos (+19,8%), móveis, eletroportáteis e lojas de departamento (+12,6%), turismo e transporte (+6,6%), vestuário e artigos esportivos (+6,1%) e supermercados e hipermercados (+4,5%).  Mais informações em: www.semanadobrasil.com

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