17 de agosto de 2022
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Amazonas vive pré-emergência com enchente

A enchente deste ano já castiga o Amazonas, deixando em situação difícil as populações que vivem nas áreas mais vulneráveis de Manaus, na capital, e nos municípios do interior do Estado. A prefeitura e o governo do Amazonas dizem estar executando um plano de contingência para prestar auxílio aos atingidos pela cheia, prevenindo situações desesperadoras que aconteceram em 2021, quando o nível das águas passou de 30 centímetros.

Ontem, foi interditada a rua dos Barés, na área central da cidade, onde a movimentação de pessoas é altíssima. A via é importante para o acesso ao porto da Manaus Moderna, envolvendo vários tipos de negócios em suas adjacências. Comerciantes estimam muitos prejuízos.

No ano passado, a principal feira central foi transferida para um flutuante, lembrando um cenário veneziano. O acesso só era possível por canoas, voadeiras e outros tipos de embarcações. “É uma situação recorrente a cada ano que passa. As águas sempre avançam, impactando diretamente em nossos negócios”, diz Inderson Lemos, comerciante que explora uma loja de ferragens na região.

Até os flanelinhas são afetados. Por lá, eles são centenas, competindo com o Zona Zul, sistema municipal que cobra pelos estacionamentos no Centro. Estivadores também se movimentam em busca da sobrevivência. “A gente sempre é prejudicado nessas épocas de enchentes. Somos obrigados a buscar outros locais para ganhar alguns trocados”, lamenta Ricardo Nunes, flanelinha que explora o negócio no perímetro da Manaus Moderna.

No interior do Estado, várias cidades já decretaram situação de calamidade. Distante 1.100 quilômetros de Manaus, Benjamin Constant, no Alto Rio Solimões, já sente os impactos da enchente. Praticamente, toda a produção rural de cultivos na várzea está comprometida, segundo a prefeitura do município

A cidade está localizada na tríplice fronteira, fazendo parte do lado brasileiro junto com Marco e Tabatinga, Islândia e Petrópolis (Peru) e Letícia, Colômbia. “As águas já se aproximam do nível do ano passado. Falta pouca para alcançar essa marca, causando muitos prejuízos à população do município”, diz Ampola Barbosa, proprietário de hotel e restaurante especializado na gastronomia dos três países.

O rio Javarizinho separa Benjamin Constant e Islândia, a cidade peruana flutuante. Porém, nas épocas de estiagem acirrada, as águas baixam tanto que é possível atravessar a pé para o outro lado (ou vice-versa).

Pessoas mais antigas contam que, no passado, era diferente. “Nunca o Javarizinho secou tanto a ponto de atravessar a pé até Islândia”, diz, com espanto, Lauduco Batalha, idoso de 78 anos que conhece a fundo a história de Benjamin Constant.

Mas é no inverno que as dificuldades crescem mais ainda. Com a enchente, os peixes ficam mais protegidos nos igapós, dificultando a captura, impactando mais na vida das pessoas que se alimentam praticamente do pescado.

Auxílios

Ontem, o governo do Amazonas anunciou o Auxílio Enchente para ajudar financeiramente os atingidos pela cheia. Foram repassados pelo menos R$ 9 milhões para o município de Itacoatiara, na Região Metropolitana de Manaus, que está sendo castigado pelo avanço das águas nesta época de intensas chuvas.

A situação de Manacapuru, outra cidade da Região Metropolitana, também não é diferente. Lavouras foram perdidas, causando muitos prejuízos aos agricultores, principalmente os da agricultura familiar.

No Careiro da Várzea, da RMM, a enchente obrigou os lavradores a desenvolver uma operação emergencial para salvar parte dos cultivos, além de transferir o gado (bovino, suíno e equino) para outros locais, e até em flutuantes, enquanto durar a cheia deste ano..

Nesta sexta-feira (13), o governador Wilson Lima (UB) dará início à entrega do cartão Auxílio Estadual Enchente para famílias de Manacapuru. Ele visita a cidade e, também, o município de Anori (a 195 quilômetros da capital) para acompanhar ações do programa Governo Presente, além de anunciar novos investimentos em infraestrutura nos dois municípios.

Ao todo, 9.673 famílias de Manacapuru receberão o Auxílio Estadual Enchente, uma ajuda financeira de R$ 300, em parcela única. “Estamos acompanhando de perto essas dificuldades. E vamos prestar auxílio direto às pessoas”, disse o governador. O benefício é destinado à aquisição de alimentos e outros itens necessários para enfrentar impactos da cheia dos rios. Serão beneficiadas famílias cadastradas pelos órgãos de Defesa Civil dos municípios, que tiveram suas casas invadidas pelas águas com a subida dos rios.

A SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde; a FVS-RCP (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto); e o Subcomando de Ações de Proteção e Defesa Civil do Amazonas; também estão organizando outras ações de ajuda humanitária e de auxílio ao município, como a doação de hipoclorito de sódio para ampliar oferta de água potável.

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