Águas de Manaus e o papel da indústria na ZFM

Wilson Perico (*) [email protected] 

ESG é a palavra mágica deste início de década. Para nós, do Amazonas, permanentemente postados na linha do tiro federal, ESG, além de ser premissa da preservação florestal é também exigência, colocada por nós mesmos, para manutenção de nossos empreendimentos. Temos aplausos de entidades internacionais de altíssimo valor simbólico, mas também temos a maledicência crônica daqueles que se recusam a admitir nossos acertos. Em qualquer cenário, a sustentabilidade seguirá cumprindo o papel de bússola e critério do nosso modo de gerar riqueza e oportunidades na Amazônia. 

Vivemos a maior crise hídrica dos últimos 91 anos no Brasil e o momento é de reflexão. Enquanto os reservatórios do resto do país estão praticamente vazios, o Amazonas vive o avesso de uma crise hídrica, a maior enchente desde 1902.  Os resultados da estiagem são a redução na produção energética e ameaças à produtividade do agronegócio. Sem politizar o debate, é preciso muita conversa para entender o momento climático em que o planeta,  o país e a Amazônia se encontram. Afinal, este precioso líquido, a água – causa de tantas guerras, algumas ocorrendo neste exato  momento – é o bem natural mais demandado pela Humanidade e o mais abundante em nossa região. 

Precisamos ficar muito atentos à síndrome da abundância, pois ela costuma ser perversa. Não é porque temos 1/5 da água potável do planeta que nós precisamos destratar/dilapidar essa benção da natureza.  Cabe recordar ainda que, em 2005, pavorosa estiagem levou nossos rios ao menor nível e volume, chamada de mega seca, assim batizada pelos cientistas.  Os danos sociais e florestais foram imensuráveis. Para o meio ambiente os danos se estenderam por uma década. Pesquisas da NASA relacionaram o fenômeno ao aumento, em ocorrência e dimensão, dos furacões nos Estados Unidos. Ou seja, não dá para descuidar das demandas climáticas, especialmente,  quando vivemos e geramos riqueza no modo sustentável em pleno coração da maior floresta tropical da Terra. 

E como nós estamos tratando o assunto no âmbito do Polo Industrial de Manaus? A grande maioria das indústrias teve que inventar saídas, dada a instabilidade institucional da concessão dos serviços públicos de produção e distribuição deste produto essencial. Foram quase duas décadas de tropeços e aprendizagem. Cabe lembrar que os serviços públicos de distribuição de água e de saneamento não foram privatizados, mas sim concessionados para uma empresa que já teve diferente acionistas. A confusão começa por aí. As empresas associadas ao CIEAM e outras foram empurradas, nesse contexto, a abrir poços artesianos sem maiores esclarecimentos sobre os riscos que isso representa para o lençol freático, para os usuários e a eventualidade de crateras urbanas como as que proliferam na Cidade do México, exatamente pela adoção aloprada dos poços artesianos.

Como evitar que este imbróglio possa afetar os interesses de nossas empresas, sob vários pontos de vista? Outra questão: é possível transformar a desordem dos últimos anos em novos sistemas com vantagens efetivas? Precisamos de informação de qualidade e encaminhar para primeira medida que é cumprir rigorosamente o que diz a Lei. Sabemos o que significa o descumprimento num país em que as Leis servem, principalmente, para incrementar a arrecadação pública. Depreende-se da  Lei Federal n° 11.445/2007 que todas as edificações situadas no município que possui rede urbana, as indústrias, conglomerados privados ou repartições públicas ou residências devem interligar-se à rede pública existente, com ou sem contrato de concessão. Ou seja, recursos à parte, devemos atender a esse quadro legal e regulatório do sistema público de abastecimento e saneamento. Estar em conformidade com o expediente legal é poder exibir a carteirinha institucional da sustentabilidade. 

Assim como fabricamos motos, celulares e centenas de itens, temos um associado que produz água, Águas de Manaus, que faz captação, tratamento da agua, distribuição, coleta e ordenamento do esgoto e está inserido no tecido social, com padrão diferenciado de qualidade, integrado ao maior e mais referenciado  grupo de saneamento do país, AEGEA. Dispomos, portanto, de recursos de inovação tecnológica para assegurar regularidade no abastecimento, com pressão necessária, vazão correta de que essa ou aquela indústria precisa. E o mais interessante de tudo isso é o custo. O compromisso da associada com a entidade é conhecer as necessidades de cada indústria e ofertar uma tarifa ajustada com menor valor, oferecendo um serviço de qualidade e nos padrões estabelecidos, bem como deixar backup de sistema, a um custo competitivo que na maioria das vezes é menor ou igual que atualmente a empresa desembolsa. De quebra,  racionalidade e sustentabilidade do novo procedimento é item favorável a qualquer processo de  certificação e, corrobora para imagem , mais ainda,  do programa Zona Franca de Manaus, pois a associada propõe deixar um legado de impacto social no entorno que pode ser potencializado pelas indústrias do polo. Como se trata de um associado com expertise em gestão de saneamento, são colocadas à disposição das empresas do PIM tecnologias para a redução do consumo, reuso da água, entre outras demandas no item abastecimento com sustentabilidade e compromissos efetivos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS6.

Integrante da Ação  Social da Indústria, a empresa possui um leque diversificado de iniciativas de responsabilidade social, com destaque para as tarifas sociais que atendem consumidores de baixa e baixíssima renda. Atualmente, com mais de 70.000 famílias beneficiadas com esse serviço, em curto espaço de tempo será conquistada a meta de 100.000 famílias atendidas, fazendo com que Manaus seja reconhecida não só como a capital que mais tem avançado em saneamento nos últimos 3 anos, como também feito isso com justiça social, sendo a capital que proporcionalmente mais terá famílias beneficiadas na Tarifa Social no país inteiro. Integrar-se gratuitamente a essas iniciativas significa promover, também,  a reputação das empresas aqui instaladas, demostrando que nós fazemos muito mais do que gerar emprego, oportunidades e colaborar na proteção da floresta.

(*) Wilson é economista, empresário, presidente do Centro da Indústria do estado do Amazonas

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