Advento significa “vinda”, “chegada”. No sentido religioso-cristão, Advento é o período em que se prepara a vinda do Menino Jesus. Período em que os cristãos renovam sua espiritualidade e seus valores religiosos para receber o Deus Menino. É um tempo de júbilo, pois com a celebração do nascimento de Cristo é renovada Sua promessa da vida eterna. Concretamente, a Igreja Católica estabelece que a preparação espiritual dos fiéis para a vinda de Jesus Cristo Menino realizar-se-á nas quatro semanas que antecedem o Natal. Esse é o período do Advento.   

Esse estado de fé e devoção, de certo modo influencia a rotina dos indivíduos, transformando-a em uma mistura de sagrado e profano, passando a ser parte da vida de toda a população. Naturalmente, esse estado de coisas, por sua vez, é alimentado pelo pragmatismo comercial que explora o lado sentimental das pessoas, oferecendo toda espécie de produtos relacionados com a época. Assim é que nas semanas que antecedem o Natal, a população vive num clima de forte euforia com a preparação da ceia de Natal e de tudo o que a envolve. Parece que tudo é programado para que assim seja, mesmo o calendário contribui, uma vez que tudo acontece no fim do ano em curso.  

Nesse ambiente festivo, pleno de emoção, raramente somos levados a viver algum momento de reflexão, fazendo um balanço do que realizamos no ano que termina e estabelecendo metas para o ano que começa. Em suma, o que fizemos no passado e quais as nossas boas intenções para o futuro?! No máximo o que acontece é entrarem em cena as folclóricas proposições de Ano Novo. São listas extensas de desejos propostos dos quais grande parte é perdida, esquecida, à medida que o Novo Ano se estende. Apesar de tudo, embalados pelo espírito da época, sejamos crentes ou não, sempre temos a chance de viver nosso Advento. 

Assim como renovamos a casa em que moramos com pintura nas paredes, substituição de cortinas, móveis, enfeites e outros adereços, como faziam nossos pais a cada fim de ano, quando éramos crianças, também deveríamos renovar nosso universo interior, nossa espiritualidade, nossos relacionamentos, conosco e com os outros. Essa renovação não deveria parar por aí, mas ir mais fundo em nosso íntimo. Seria uma espécie de inventário pessoal, para começar o Ano Novo, como no poema de Drummond, “Receita de Ano Novo”, “…para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir a ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior), novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia…para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre”. 

Esse Ano Novo estaria fincado em bases novas que incluiriam mais compaixão e amor pelo próximo, melhor compreensão dos problemas da humanidade, sobretudo respeito ao próximo e à mãe natureza. Tudo isso levando em conta nossa própria fragilidade, pois, afinal de contas, somos simples humanos, cheios de temores e incertezas, embora, muitas vezes, imbuídos de boa vontade. 

O tempo do Advento não deveria ser somente para os cristãos. Nestes tempos turbulentos em que a violência grassa e a palavra “terrorismo” parece estar na moda, tal é a facilidade com que é materializado, todos nós, homens e mulheres do planeta terra deveríamos fazer nossa reflexão de Natal e Ano Novo. Se as pessoas se dessem um tempo para analisar o seu comportamento, e o resultado nefasto que, muitas vezes, produzem, talvez o mundo fosse bem diferente. Haveria menos discórdia. Menos violência! Terrorismo, nem pensar! Talvez nem houvesse mais guerra! No século passado, o poeta francês, Jacques Prévert (1900-1977), já dizia em seu poema para Barbara, “que estupidez, a guerra”. Quem sabe assim aprenderíamos com os erros do passado. Este talvez seja um pensamento utópico. Mas isso não tem importância! É bom ter um projeto imaginário!

Em suma, uma boa preparação para o Natal e o Ano Novo seria fazermos um esforço para vivenciarmos nosso próprio Advento, como um projeto pessoal construído com a fé que possuirmos, honestamente. Seria darmos prioridade realmente à vinda do Menino Jesus, fazendo a nossa parte em nossa jornada por este mundo tão precisado de generosidade, de compreensão, de cooperação, de paz, de amor. Só assim a vida no planeta terra seria melhor para todos, porque mais valorizada, mais compreendida. 

A todos, um Feliz Advento, para que possamos ter Boas Festas!

*Marluce Portugaels é professora – [email protected]

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