A nova geração de empresários

Atrair novos investidores e adquirir mão-de-obra qualificada pa­ra as linhas de produção são as duas principais frentes de articulação do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Nesse ofício, o polo conta com a atuação de instituições de ensino no que tange o oferecimento de recursos humanos capacitados para assumir tanto cargos de chefia quanto os setores operacionais.
Atualmente, na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o curso de maior concorrência é o de administração, pelo volume das vagas oferecidas na cidade. No entanto, segundo a reitora da instituição, Marilene Corrêa, se contarmos o número dos cursos de engenharia e a quantidade de pessoas que fazem a seleção, a demanda maior finda escoando para as engenharias.
“Engenharias mecânica, mecatrônica, elétrica, ligadas às tecnologias de comunicação, todas elas tem um nível de empregabilidade alto. E, por outro lado, todas as áreas de saúde também, ninguém fica desempregado”, destacou Corrêa.
Quando estágio rural está terminando, informou ela, as prefeituras já estão requisitando os profissionais do interior para trabalhar na rede pública de saúde.
No Instituto Federal do Amazonas (Ifam), as áreas de formação que mais interessam ao PIM são a mecânica, a elétrica e a química.
“A partir do 2º período, nos cursos técnicos, o estágio já faz parte da vida dos estudantes. Muitas empresas nos procuram para fazer cooperação e receber os alunos”, revelou a pró-reitora de extensão do Ifam, Sandra Darwich. A oportunidade do estágio é bem aproveitada pelo corpo discente, disse ela, pois muitos alunos acabam sendo contratados ao final do curso.

Perfil do profissional

Toda a formação em nível de graduação e pós-graduação da UEA tem como tema a Amazônia, e não é só no que tange a geografia ou a história.
Para a reitora da entidade, é fundamental o aluno reconhecer os processos formais de adaptabilidade das populações interioranas, da vida ribeirinha, indígena e cabocla, porque é sobre eles que a principal preocupação da Amazônia incide, mesmo sendo nas engenharias.
“Ele vai desenvolver engenharia para quem? Esse campo disciplinar vai dialogar com a mão-de-obra da região, com o empregado do Distrito, que é interiorano, com uma engenharia de produção que vai tratar com pessoas que nasceram, se criaram, comeram e estudaram aqui”, enfatizou Corrêa.
Assim, o design de determinados produtos, por exe­m­plo, e a sua funcionalidade têm que ser compreendidos pela população amazônica, já que o mercado interiorano tem presença forte no comércio.
No interior, as motocicletas, destacou a reitora, são de primeira qualidade; os celulares são de última geração. Todos esses componentes têm um uso intra-regional.
“A compreensão dos ecossistemas e biomas é tão importante quanto às relações de mercado que se processam na Amazônia. Afinal, o uso de produtos se dá por todas as camadas sociais. Um celular é ferramenta de um índio ou de um prefeito”, disse Corrêa.
É importante lembrar que os produtos com forte potencial para exportação no PIM são também consumidos pelo mercado interno. Antigamente, era comum, principalmente à classe intelectual, rotular a ZFM como objeto estranho às populações interioranas. Trata-se de uma inverdade.
Prova disso, é que, hoje os maiores consumidores de lap tops do interior são as Universidades, mas não são só elas. Basta aparecer em uma praça no fim da tarde em Parintins para conferir um grande número de pessoas antenado na web.
“Essa é uma nova feição regional, por isso, os perfis acadêmicos têm que lidar com a realidade regional. E nas engenharias, o reforço é maior, porque inclui tecnologia”, comentou a gestora maior da UEA.
Na universidade estadual, a empregabilidade é muito alta, por isso o advento da bolsa de graduação é importante, para segurar o estudante no curso. Convênios com o setor produtivo local são interessantes, mas não determinantes, na visão da reitora. O campo disciplinar é o que, de fato, faz a diferença.
“Se o aluno faz engenharia elétrica, telecomunicação, mecatrônica industrial, ele não tem como ficar desempregado, porque essas são as linguagens dos setores produtivos locais. Mecânica, por exemplo, ofertamos hoje o triplo de vagas do que era ofertado em 2007, porque houve uma reunião com o setor de Duas Rodas e eles nos comunicaram a necessidade de mais gente com formação na área”, informou Corrêa.
Egressos da UEA estão sendo absorvidos, principalmente, pelo Distrito e as prefeituras. Os profissionais formados estão na rede pública de educação e saúde, no polo, por conta das engenharias, e no comércio por conta dos cursos ligados a administração e prestação de serviços.
“O PIM tem um conhecimento de logística, de conquista de mercados, produção com agregação de valor tecnológico gradativamente às instituições de pesquisa, uma gestão colegiada dos conselhos dos fundos, tem um Centro de Ciência Tecnologia e Inovação (CT-PIM), que estuda as novas verticalizações do trabalho, tem uma Fundação Tecnológica (Fucapi) e muito mais. Ele é único”, finalizou a reitora, ressaltando que a própria UEA é uma das grandes políticas de desenvolvimento regional que o Distrito ajudou a fomentar.

Preparação para o futuro

A UEA já mobilizou para atender a dois segmentos econômicos em expansão. O primeiro é o polo petroquímico e gás químico cujas ações estão centradas no campo de serviços, abastecimento de petróleo e gás e das tecnologias, e na projeção de uma reengenharia da energia no Estado, que inclui a expansão da capacidade de produção de uma energia limpa.
“Tanto que nosso doutorado em desenvolvimento sustentável tem variáveis da sustentabilidade ambiental e cultural, mas também da sustentabilidade econômica. E isso é fundamental para efeito de impacto no futuro”, garante ela.
Assim ocorre com as especializações da cadeia produtiva do petróleo e gás. No setor de serviço, será instalada uma nova rede de distribuição de energia, cujo manejo da qual serão necessárias pessoas especializadas, aptas a operar esse novo segmento da energia.
“Estamos fazendo esse trabalho desde 2005, a partir de um convênio por parte da Sect (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), UEA e Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas)”, revelou a reitora. Essa parceria, formalizada via interlocução das Federações de Indústrias, tem possibilitado a capacitação desde os empresários do setor energético, até as pessoas que vão montar as redes de energia, que vão fazer a transição em si.
No Estado, cuja fonte energética é oriunda de termoelétricas, existe o conhecimento sobre sistemas de abastecimento com suporte de linhão, a diesel, mas não há nada organizado em termos de prestação de serviço por gás. De modo que serão necessários desde encanadores especializados até pessoas que vão instalar o serviço doméstico. Turmas que se formam nessas especialidades, via convênio Sebrae.
O outro segmento novo são as engenharias de bio-processos e bio-produtos. Com o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) instalado e com o tipo de estrutura de pesquisa que os laboratórios permitem é possível falar de um “boom” em curso dessas áreas. Existem 23 empresas consideradas de ponta nesse novo segmento.

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