A Economia não pode ser mais relevante que a Vida

Wilson Périco (*) [email protected]

Padece de informação o artigo Uma gestão excludente do professor e reverendo Sandoval Rocha, articulista do Atual, um jesuíta da Companhia de Santo Inácio de Loyola, como o Papa Francisco, que ontem, ao bendizer a Amazonia, afirmou que a vida é mais importante que a economia. Em princípio concordamos e temos atuado com essa convicção. Em sentido estritamente econômico, iremos a lugar algum se não nos submetermos a esse princípio. Entretanto, precisamos conotar alguns termos para sabermos se estamos dando às palavras os mesmos sentidos, quando falamos do PIB, das responsabilidades, da Economia e de seu papel no ordenamento do tecido social.

Discursos e condutas

O reverendo se equivoca ao indagar: “Para que serve o vistoso PIB produzido pela Zona Franca de Manaus, elevando a cidade à sexta posição entre as mais ricas do Brasil?”, mais ainda quando responde que é “…para enriquecer ainda mais os grandes empresários e elites financeiras, residentes, na sua grande maioria, fora da Amazônia”. E dizemos porquê: quem gera o PIB é a atividade econômica / empresas (indústria, Comercio e Serviços). O PIB não enriquece  ninguém, apenas mede o que está sendo gerado de riquezas. Como Pe. Rocha, além de teólogo e filósofo, é um doutor em Ciências Sociais, fica-lhe subtraída autoridade acadêmica para pontificar sobre economia.

Empregos e oportunidades

Vamos ilustrar com duas informações os frutos de nossas atividades: 1. Aqui nós estamos no sistema capitalista e aqui viemos para gerar riqueza, com o propósito de reduzir desigualdades regionais. Segundo o IBGE, geramos mais de 500 mil empregos, informação ratificada pela RAIS, o Registro Anual de Atividades Sociais. Imagine esta região sem esses empregos e as oportunidades diretas e indiretas que são oferecidas e concretizadas. O PIB é resultado de uma economia levada a efeito por trabalhadores e investidores; 2. Tese de doutorado da FEA/USP, do Dr. Jorge de Souza Bispo, descreve e conclui a distribuição de riqueza na ZFM para três grupos pesquisados: pessoal, governos e proprietários. Enquanto as empresas industriais instaladas na ZFM distribuem 27,28%, 54,42% e 1,82% aos empregados, governos e proprietários, respectivamente, as empresas situadas fora distribuem 36,31%, 41,54% e 6,44%, respectivamente. No âmbito estadual, mantemos integralmente a UEA e repassamos mais de R$1,1 bilhão/ano para interiorização do desenvolvimento socioeconômico. E para a prefeitura, comparecemos com o pagamento de mais da metade dos impostos municipais.

Paraíso do Fisco

Observe o percentual destinado aos trabalhadores e ao governo federal. Para quem é acusada de paraíso fiscal, a ZFM é, mais precisamente, o paraíso do Fisco, que recolhe para os cofres da União 54,42%. E isso se confirma à luz dos recursos, que advém dessa atividade fabril, transformados em  impostos generosos pagos ao Município, ao Estado e à União, com informações disponíveis em nosso portal, com transparência e compromisso com o cidadão. https://cieam.com.br/ohs/data/docs/1/Apresentacao_Indicadores_Industriais_Dezembro-2019_-_Site_1.pdf

Solidariedade, a fraternidade em movimento

Concordamos com suas anotações sobre a paisagem urbana, socioambiental e econômica de Manaus. E não nos compete, porém, assumir o papel de juízes. No Ciclo da Borracha, há mais de 100 anos, nossa região contribuía com 45% do PIB e as desigualdades eram muito mais gritantes. Nossa parte, gerar emprego, oportunidades e impostos, cumprimos fielmente. E nossa responsabilidade social – plano de saúde, creche, transporte de porta à fábrica e vice-versa, três refeições por turno, lazer etc… – é modelar no país. Ademais, nesta pandemia, além de fabricar itens que não chegariam a tempo da Ásia, respiradores, EPIs, equipamentos de proteção individual, álcool em gel, nos articulamos com a Caritas, da Arquidiocese, entre outras entidades solidárias, e já   chegamos a 100 toneladas de alimentos para população em vulnerabilidade social, incluindo as etnias regionais e os refugiados. As desigualdades apontadas exigem que a sociedade como um todo se solidarize e que tenha maturidade política para escolher sua representação, com mais apoio e menos ataque a quem faz sua parte dignamente. A Economia jamais será mais importante que a Vida, mas sem ela as mazelas sociais serão letais.

* Wilson é economista, empresário e presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazona

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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