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Real Forte Príncipe da Beira: patrimônio histórico e cultural preservado na Amazônia pelo CMA

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Adentre na grandiosidade da maior fortificação portuguesa fora da Europa, o Real Forte Príncipe da Beira. Construído na fronteira da Capitania de Mato Grosso com a Espanha, este magnífico bastião é uma verdadeira joia histórica que ecoa a soberania de Portugal em terras distantes.

Imagine-se transportado para o dia 19 de abril de 1775, durante o mandato do 4º governador de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, quando as primeiras pedras deste marco histórico foram colocadas. A emoção foi tanta que, um ano depois, em 20 de junho de 1776, a pedra fundamental foi solenemente lançada.

D. Luiz de Albuquerque Melo Pereira e Cáceres, governador da Capitania Geral do Mato Grosso, compreendeu a importância estratégica deste lugar e afirmou: “A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um Forte, e isso é obra e serviço dos homens de El Rei nosso Senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalho que isso dê… é serviço de Portugal. E tem que se cumprir“.

Situado estrategicamente próximo a um canal do rio Guaporé, onde apenas uma embarcação por vez conseguia passar, o Real Forte Príncipe da Beira desafiava navegadores a enfrentar as correntezas perigosas e as rochas traiçoeiras que emergiam durante a seca. Era uma verdadeira prova de habilidade e prudência.

A construção deste esplendoroso forte tinha um objetivo claro: impedir o contrabando do ouro e a circulação entre a Amazônia e as minas de Cuiabá, protegendo as preciosidades de estrangeiros ambiciosos. No século XVIII, Portugal traçou uma linha de ação para fortificar a entrada do Amazonas e garantir seu território. Assim, nasceu o plano de vigilância e defesa da fronteira oeste, materializado nesta magnífica fortaleza.

Domingos Sambucetti, o engenheiro responsável pela construção do Forte Príncipe da Beira, recebeu instruções militares e de controle da mão de obra para executar essa grandiosa obra. Com seus auxiliares e ajudantes, ele trabalhou incansavelmente para erguer a fortaleza.

As muralhas do Real Forte Príncipe da Beira eram imponentes e tinham uma dupla camada de pedras e cal, com impressionantes 7,20 metros de altura, suficiente para dissuadir os saqueadores. Sua inclinação dificultava a escalada e seus canhões eram estrategicamente posicionados, prontos para defender cada ângulo do elemento. Os baluartes, com 14 canhões cada, ofereciam uma visão panorâmica de 180º aos soldados, protegendo-os de qualquer ameaça.

Em seu interior, o forte abrigava 15 residências, conectadas por corredores amplos. Era um espaço fechado e seguro, onde o poder e a administração da justiça se faziam presentes. Cada passo dentro dessas paredes ressoa a história e o compromisso de Portugal em consolidar seu território.

As fortalezas sempre foram símbolos marcantes de presença e ocupação de territórios. Não se tratavam apenas de marcos arquitetônicos impressionantes, mas de símbolos de grande retórica. O Real Forte Príncipe da Beira personifica, de forma suprema, a defesa das nossas fronteiras na Amazônia Ocidental, tornando-se também um ícone da 17ª Brigada de Infantaria de Selva.

E sabe qual é a verdadeira curiosidade sobre essas construções monumentais? Elas foram erguidas com o esforço conjunto de portugueses, índios e negros, representando a diversidade e a força que contribuíram para a segurança da colônia portuguesa na América do Sul.

Para compreender plenamente a consolidação do território da capitania de Mato Grosso no século XVIII, é imprescindível reconhecer a importância do Real Forte Príncipe da Beira. Este símbolo de conquista e ocupação permanente, iniciado no século XVI, desempenhou um papel crucial na proteção e na segurança do território conquistado pela coroa portuguesa.

Professor Lourismar da Silva Barroso

Integrante da Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira

Você sabia…

… que o Exército Brasileiro preserva e mantém fortalezas como patrimônio histórico e cultural do Brasil?

Muitos dos fortes são preservados como monumentos históricos e são abertos ao público para visitação. Isso permite que as pessoas aprendam sobre a história do Brasil e a importância dessas estruturas na defesa do território nacional. Em 2022, 6.247 cidadãos visitaram o Forte Príncipe da Beira, sendo 42 estrangeiros.

Além disso, o Exército Brasileiro frequentemente realiza cerimônias e eventos especiais nos fortes, como comemorações de datas históricas e homenagens a figuras importantes, ajudando a manter viva a memória desses locais e a reconhecer o papel que desempenharam na história do Brasil.

O Exército também investe na restauração e manutenção dos fortes, garantindo que eles permaneçam em boas condições para as futuras gerações. Em alguns casos, as fortalezas são usadas como unidades militares, o que ajuda a garantir sua preservação.

Finalmente, o Exército Brasileiro também promove a pesquisa histórica sobre os fortes, apoiando estudos e publicações que ajudam a aumentar o conhecimento sobre essas importantes estruturas. Isso inclui não apenas a história militar dos fortes, mas também aspectos como a arquitetura, a engenharia e a interação com o ambiente local.

Comando Militar da Amazônia

Comando Militar da Amazônia

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