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O Mêlo do Cara Coroa

Nos capítulos imediatamente anteriores se disse da busca sugerida pelo parceiro à personagem da narrativa no sentido de solucionar seu problema de ninfomania mediante tratamento com médica psicoterapeuta, visto um desvio de conduta psiquiátrico traduzido pela obsessão em conquistar parceiros humildes, de baixo intelecto e sofrível visual, manejo de assim se impor mais facilmente, um comportamento de longa data desde 14 anos de idade a partir de quando sofreu estupro doméstico.

Obrigado ao saber da surpreendente adiantada gravidez, remarque-se, restava ao idoso Casanova diante da incontinente paternidade que resolveu afinal assumir, seguir o aconselhamento da médica traduzido pela formalização da relação amorosa, implicando necessariamente, mesmo sem casamento, na montagem de uma residência confortável, posto que manifesto o dote de posses do parceiro. Um melodrama, afinal.

Ao lado de tudo, pregou a médica que os anseios da companheira fossem dirigidos para atenções outras a fim de livrá-la da obsessão nefasta. Quem sabe um curso superior; ou mesmo de idioma; aulas de boas maneiras; de instrumento musical; ou a formação de um grupo de amigas voltadas para ginástica com o uso de aparelhos domésticos; uma desejável piscina caseira; jogos de cartas ou equivalentes; mas, sobretudo, regular frequência a uma igreja e oitiva de sermões marcantes, cujo celebrante derramaria particular atenção frente a generosos dízimos.

Ademais, registro cotidiano aposto num diário, em espontâneos termos que em seguida seriam acompanhados pela doutora. Assim: “hoje, quando saí para o trabalho fiquei olhando meu vizinho que estava lavando o carro na rua. Sem camisa e com um short transparente molhado, dava pra ver muito… Olhei, admirei, mas segui em frente. Nunca o imaginei em cima de mim. Mas ainda penso num colega que trabalha comigo e aparenta um estado permanente de sofrimento e solidão. Nunca o vi tentar seduzir ninguém e é justamente nisso que esta seu charme. As colegas de trabalho já comentaram vez ou outra que gostariam de cuidar dele, pobrezinho. Acredito que ele tenha consciência disso e contente-se em ser um simples objeto de desejo, nada mais. Talvez sinta o mesmo que eu agora no curso do tratamento: um terrível medo de dar um passo adiante e estragar tudo – emprego, família, a vida passada e futura.”

“Mas, enfim…ainda sobre meu vizinho lavando o carro, senti uma vontade enorme de chorar pensando que estava vendo uma pessoa igual ao meu marido e a mim. Um dia será o nosso único dia a dia. O filho terá crescido, saído de casa e estaremos aposentados, lavando o carro ou pagando alguém que faça isso por nós, embora depois de determinada idade convém fazer coisas irrelevantes para passar o tempo, acreditar que nosso corpo ainda funciona bem, que não perdemos a noção do dinheiro e continuamos fazendo certas tarefas com humildade.”

Enfim, finalmente apura-se a cura dos distúrbios de comportamento que assolou a nova companheira do cliente do escritório jurídico em seguida à formalização do seu divórcio com a esposa, quando nos procurou apenas nesse sentido, mas resultando no mais narrado. Lembramos que é comum esse frenesi todo que os estudiosos dizem-no atender como climatério que corresponde em parte à menopausa feminina. Apontou-se a leitura do livro “O Poder do Subconsciente”, autoria do Dr. Joseph Murphy, um sucesso com mais de 1 milhão de exemplares aqui vendidos. Dele se diz “não é mágica, não é mito nem é lenda” (Conclusão).

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