Setembro amarelo

O setembro amarelo é um mês dedicado à prevenção do suicídio e valorização da vida, que tem como objetivo fazer um alerta e conscientizar as pessoas sobre esse problema e evitar a sua ocorrência e quanto mais falarmos sobre o tema mais temos condições de evitar que as pessoas tirem suas vidas. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, anualmente mais de 700 pessoas cometem suicídio, 1 em cada 100 mortes ocorre por suicídio, entre os jovens de 15 a 29 anos o suicídio aparece como a quarta causa de morte mais recorrente e a cada 45 minutos alguém tira a própria vida no Brasil. 

Eu não sei você, mas infelizmente eu conheço pessoais que cometeram suicídio e conheço inúmeras outras que tiveram um de seus familiares ou amigos que também cessaram suas vidas e os que ficaram sofrem até hoje a perda.

É preciso falarmos mais e percebermos os sinais de alerta de problemas, inclusive de saúde mental. Alguns dos principais sinais de alerta são os sentimentos de tristeza e depressão; mudanças extremas de humor com euforia ou raiva incontrolável; isolamento da família, amigos e atividades sociais; problemas com o sono se sentindo sempre cansado e sem energia; pensamento suicida; incapacidade de realizar atividades do dia a dia e estresse frequente. 

Fique atento a comentários como: eu prefiro morrer do que continuar passando por isto ou ter que passar por esta situação.

Essa atenção pode ser estendida com carinho, ouvir também é ajudar. Converse com a pessoa deixando claro que ela pode contar com a sua ajuda sem julgamentos; seja empático e paciente para escutá-la; estimule o cuidado com a sua saúde no geral e a encoraje a buscar um profissional como um psicólogo ou psiquiatra para uma consulta inicial de avaliação.

É muito importa reforçar a busca por ajuda profissional, pois as causas que estão levando aos pensamentos suicidas serão melhores identificadas e trabalhadas por especialistas e com o apoio de amigos e familiares contribuir para o estabelecimento da saúde mental.

Depressão, ansiedade e esgotamento afetam cada vez mais a população, podendo levar ao suicídio.

Tanto a ansiedade quanto a depressão são dois grandes males do século 21, e o Brasil ocupa o primeiro lugar de pessoas mais ansiosas do mundo e é o país mais depressivo da América Latina. 

Embora as duas sejam doenças psicológicas, não são a mesma coisa. Diferente da ansiedade, a depressão não é normal mesmo em dosagem baixa. Ela não é saudável em nenhum aspecto e só tem impactos negativos na vida da pessoa. Tanto o transtorno de ansiedade quanto a depressão paralisam o indivíduo. A ansiedade, pelo medo e angústia das situações futuras, e a depressão pela baixa do interesse e energia que o indivíduo tem pelas coisas e pessoas.

E neste quadro, aspectos como autoaceitação, nível de otimismo, estratégias de enfrentamento de problemas e outros podem levar as pessoas acreditarem que através do suicídio eliminarão toda a dor sofrida e é por isto que devemos falar mais, conscientizar mais, oferecer mais ajuda e procurar mais ajuda, pois ainda existem barreiras sobre o tema e alguns tabus em relação aos cuidados com a saúde mental.

Uma das principais barreiras é a luta contra o estigma em relação à saúde mental. Embora as condições de saúde mental sejam muito comuns em todo o mundo, as pessoas que vivem com elas muitas vezes sofrem discriminação e são tratadas de forma diferente. 

Falar sobre saúde mental ainda é um tabu porque está muito associada a loucura, e ninguém quer se considerar louco ou ser visto como um louco, desajustado, desequilibrado. Medo, incompreensão e preconceitos contribuem para o estigma, a exclusão social e a discriminação que ocorrem em torno de pessoas que vivem com condições de saúde mental.

Que possamos fazer voz na campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e o estigma associado a questões de saúde mental, caminhando para tratamento e estratégias que levem bem-estar no dia a dia das pessoas em acompanhamento, bem como para todos nós.

Quero aproveitar de deixar registrado que os principais tratamentos incluem medicamentos e psicoterapia. Na maioria dos casos de transtornos de saúde mental, uma combinação desses tratamentos é mais eficaz que utilizar apenas um deles isoladamente. 

Para melhorar o bem-estar o paciente pode investir em autoconhecimento, ter uma visão positiva das situações, reservar tempo para o lazer, realizar atividades de relaxamento, praticar atividades físicas, se alimentar e dormir bem, cuidar bem dos seus relacionamentos e não ter medo de pedir ajuda.

Manaus possui uma Rede de Atenção Psicossocial do município neste setembro Amarelo, prevenção ao suicídio e valorização da vida. Além das unidades que fazem parte da rede de Atenção Primária em Saúde (APS), como as unidades básicas, há também oferta de assistência especializada em saúde mental, por meio de policlínicas e dos quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Em casos de tentativa de suicídio, o paciente deve ser encaminhado a um serviço de urgência (SPA ou hospital), a fim de receber atendimento imediato. Os Centros aplicados de faculdades de psicologia também podem servir como referência para um atendimento inicial. 

Se você ler estas linhas e se ver nesta situação, é importante que converse com sua família, amigo ou alguém mais próximo no trabalho para que possa receber um apoio inicial, evite o isolamento. Não duvide dos transtornos, não se sobrecarregue, não fique se julgando e nem se sinta estigmatizado por estar nessa condição, e procure ajuda especializada. Sua vida vale muito. Viva!

Cintia Lima

Psicóloga, Mentora de Líderes e Master Coach

@psi.cintialima

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