SAPIÊNCIA, A ARTE DE ENGOLIR SAPOS

Carlos Silva

Muita calma nessa hora, amigos linguistas e demais pesquisadores de Etimologia, pois sabemos que o título, na verdade, é uma forma popular jocosa de expressão. Não é o fim do mundo e nem início da 4ª Guerra Mundial. É apenas uma constatação de fatos, hoje corriqueiros, que assolam a nossa sociedade. Um exemplo ocorreu dia desses entre um político e uma jornalista. Não acompanhei a confusão e muito menos ainda me dispus a ligar a TV e assistir às notícias nos telejornais abertos. Mas, chegou ao meu conhecimento a encrenca, que, de fato, poderia ter sido evitada de inúmeras formas. Não vou detalhar muitas, mas, penso, que cada pessoa politicamente exposta e que sirva de fonte para determinadas mídias poderia reservar um tempo, no contexto dos afazeres profissionais, e se dedicar a estudar um pouco de  técnicas de jornalismo. Aí, entenderia a finalidade de se tentar abordar o entrevistado, ou o alvo, em momentos onde o mesmo está muito distraído ou com a paciência no limite. A bem da verdade, muitos chamam a técnica de provocação. E, dessa forma e com a expertise no tema, o jornalista tira a pessoa do sério. Isso não justifica a agressão, é claro. Mas, funciona e muito bem. Lógico que não é qualquer jornalista que consegue isso com qualquer entrevistado. Existem várias condicionantes que definem o momento certo para a abordagem. Mas, uma coisa é certa: se você é um político, de ideologia A ou B, e está em um evento onde se encontram jornalistas ávidos por entrevistá-lo, se prepare, se concentre e entre no jogo. No seu jogo, no seu campo e com as sua regras. Não se permita entrar no jogo e no campo deles. Sei que não é fácil. E tenho larga experiência nisso. Mas, pense que nem todos os jornalistas são mais inteligentes que você, apesar de que alguns são geniais mesmo. Alguns. Importante lembrar que a entrevista não termina quando acaba e sim quando os jornalistas desligam o microfone e saem do ambiente, com as câmeras desligadas também. E isso é normal, afinal eles querem notícias e não apenas fatos. Lembre-se que o cachorro que morde o dono, não vende notícias. Mas, o dono que morde o cachorro é primeira página. Isso tudo está inserido nas ideias da Sapiência, pois, “engolir sapos” faz parte do dia a dia de pessoas públicas, e, se a sua imagem foi construída pela imprensa, a mesma pode, de uma hora para outra, destruí-la. Basta você dar motivos. Na semana passada, passeando em Manaus, no centro da cidade, uma equipe de jornal me abordou e solicitaram uma entrevista para eu confirmar o meu voto para determinado cargo eletivo, agora em 2022. Os cumprimentei e apenas disse: – o voto é secreto, tenham um boa tarde. Fim. Mas, naquele momento eu não estava sob pressão e não sou politicamente exposto e muto menos candidato a cargos públicos. Porém, há situações em  que estamos completamente desarmados. Por outro lado, pense que aquele profissional da imprensa está apenas fazendo o seu trabalho e tentando cumprir a pauta, a meta e manter o deadline sob controle. E também têm que manter seus empregos. Então, independentemente de posicionamento ideológico, esses profissionais, e conheço muitos e muitos, não têm folga e não têm tempo a perder. Merecem minha consideração e meus respeitos.

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