Por uma educação antirracista

Em conversa com o professor Aucimar Carneiro Fialho, que ministra aula na Secretaria Estadual e Municipal de Educação em Manaus (SEDUC e SEMED), com pós-graduação em Informática na Educação e Mestre em Educação, ele me escreveu demonstrando preocupação com a questão do racismo na sala de aula, principalmente depois de notícias como a do Vinícius Júnior, que retratam o forte preconceito racial ainda existente na sociedade. 

“Indiferença, intolerância, vazio, obscurantismo, anti- humanismo. Que termo pode ser representado por este radical e diabólico sentimento de total reprovação da presença do outro? Provavelmente, o insano e repugnante egoísmo. Que triste compactuar com tal sentimento de reprovação que acontece no trabalho, na escola, no esporte e em qualquer lugar. Em pleno século XXI a humanidade não aprendeu a se amar. Quando isso vai parar? Só quando alguém morrer? As manifestações estão às claras contra o racismo, mais insistimos no nosso egoísmo. Quando eu não reconheço o outro como ALGUÉM, é porque sou uma pessoa refém. Refém da intolerância, da cegueira e do egoísmo.

Sou um fracassado porque não consigo ver aquele que está ao meu lado. Com um olhar acolhedor, um olhar de misericórdia, um olhar de amor. Quando sou racista não nego apenas a COR. Eu nego um ser igual a mim. Um ser que Deus criou. Um ser que tem uma História, uma vida com suas memórias. Um ser inteligente com valores. Gente como a gente. O racismo gera um abismo entre os humanos, enfraquece as relações sociais e põe em cheque tudo que foi construído há anos por uma pessoa, um grupo ou uma nação inteira. Ser RACISTA é de dizer NÃO à VIDA, a LIBERDADE, a PLURALIDADE e a DIVERSIDADE. É negar tudo que enriquece o ser humano, dando-lhe mais vivacidade. Propagar o racismo é manchar a CULTURA de um povo, é anular o OUTRO, é CONFUNDIR, é NEGAR a VIDA”.

Em sala de aula, é importante que os professores ensinem para os seus alunos que RACISMO é crime. A Lei 7.716/89, conhecida com Lei do Racismo, pune todo tipo de racismo, seja de origem, raça, sexo, cor, idade. Tratar sobre esses temas são essenciais e necessários para que a nossa educação avance. As concepções política e pedagógica por trás disso ainda não estão consensuadas nem aprofundadas o suficiente, e ainda há muita coisa equivocada acontecendo. Por isso, como professores, é fundamental que fiquemos atentos e que não fechemos os olhos para os casos de racismo, preconceito, discriminação e misoginia que acontecem em nossas escolas. 

Em suma, para que haja avanço nesse quesito é necessário que os professores trabalhem, em sala de aula, a História e a Cultura Afro-Brasileiras, a Cultura e a História dos Povos Originários, trazendo mais diversidade e novos olhares para o currículo escolar. Ou seja, é preciso que os professores debatam em sala de aula sobre negritude e tecnologia, negritude e ciência e que usem como referência autores e autoras negras. Por fim, “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”, como disse a filósofa Angela Davis.

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