PAPO DE ELEVADOR

Carlos Silva

Estou renovando meu estoque de cervejas para acompanhar as confusões que irão ocorrer neste Brasil, agora nas Eleições. Partindo do princípio de que a esmagadora maioria dos brasileiros possui criteriosas torcidas em candidatos a cargos eletivos, e isso inclui qualquer tipo de profissão, seja do alto nível das três esferas do Poder, como, também, na base da pirâmide social, tenho a certeza de que não será um pleito pacífico. E tomara que eu erre este prognóstico. Mas, nesta semana, em uma linda manhã de domingo, fui fazer as tarefas domésticas que cabem ao marido e avô e, no retorno, entrei no elevador e encontrei duas vizinhas, que conversavam e tratavam do seguinte tema:-Você viu o que a infeliz da subsíndica fez comigo? Foi no meu apartamento e me mandou tirar a Bandeira do Brasil da janela, pois ela considerou propaganda política. A imbecilidade dela me obrigou a lhe dar um tapa na fuça e mandei ir plantar coquinhos e conhecer as leis do Brasil. Ouvi e refleti em alguns segundos. Essa vizinha é uma Desembargadora, já aposentada, mas ainda firme e forte nas ideias e nos ideais. Mas, confesso que não acreditei que a subsíndica fizesse isso, ou será que deveríamos cantar a internacional socialista pela manhã ou expor bandeirinhas de ideologias contrárias aos nossos valores patrióticos brasileiros? Então, para a subsíndica, a nossa Bandeira Nacional é mero artefato de propaganda partidária? Discordo completamente e também tenho uma Bandeira Nacional na minha janela. Talvez a subsíndica pense que a Bandeira Nacional em janela só pode em Copa do Mundo. A minha está lá e não existe força neste planeta que me faça tirar de lá. Experimente! A conversa prosseguiu e a outra vizinha, uma Policial de escol, também aposentada, mas firme como uma rocha,  concordou plenamente com a atitude da Desembargadora. Então, eu ri, discretamente. Daí, a polcial abordou a eleição do novo síndico, com seguinte conversa:             -Querida, teremos eleições de novo síndico. E vai ser quente e vai ter briga. O atual síndico é muito bem intencionado, um pouco grosso às vezes, mas é honesto e preza por valores e princípios que fizeram deste condomínio, o que ele é hoje, apesar da COVID e da severa mordida de um cachorro sarnento que ele levou tempos atrás. O outro candidato já foi síndico aqui. Um safado, ladrão, mas agradava os funcionários da limpeza, da segurança e os terceirizados. E agora, quem irá assumir? Eu ouvi isso e fiquei pensando que, talvez, uma situação semelhante pode estar ocorrendo em algum lugar deste nosso planeta. Mas, de repente, ambas vizinhas me olharam no fundo dos meus olhos e descarregaram a pergunta: -E o senhor, vai votar em qual candidato a síndico? Entendi que não quiseram que eu quebrasse a regra de ouro onde o voto é secreto. Foi apenas a mera curiosidade de um papo de elevador. Então eu respondi: – Senhoras, estou tentando me curar da minha Cenosilicafobia. Tão logo eu resolva isso, pensarei a respeito. Me desejaram melhoras, perguntaram se era contagioso e desceram no andar delas. Fui para o apartamento e busquei logo resolver o problema da Cenosilicafobia. E com uma caneca congelada!

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