Os militares na Amazônia

Conheço com sobras a minha pequenez. O quanto sou capaz de omitir, ludibriar, amar, odiar, incentivar e denegrir a imagem daqueles que julgar meus desafetos. E bem pouco conheço de mim. Serei cínico? Crápula? Lobo em pele de cordeiro? Abrigo a consciência de que meu ser, em permanente conflito, luta para não se comportar como tal.

Tenho certeza, entretanto, que não sou Crusoé em ilha distante, mas semelhante aos milhões e milhões de humanos em sua saga na superfície do Planeta Terra. Transitamos entre o bem e o mal. Uns, mais próximos do primeiro. Outros, do segundo. Uma infinidade, nesse meio campo obscuro e desconhecido. Em suma, pouco diferimos uns dos outros, à exceção de quando enveredamos pelos caminhos da empáfia, do egoísmo, da vaidade, da autossuficiência e da prepotência. Aí, então, destoamos e provocamos danos por vezes irreversíveis.

Todo produto tem um preço. Toda divagação traz, em seus esconderijos, uma motivação. Pois é: o encantamento de uma minoria que se aliena e idiotiza em defesa de um regime falido em todos os recantos do mundo, caracterizado pelo totalitarismo opressor e ataca, sem um mínimo de critério aceitável, tudo o que a ela se contrapõe, aflorando um radicalismo brutal, atributo personalíssimo de si, provoca em mim o sabor do estupefato, diante de tanta hipocrisia e insensibilidade.

O assunto recorrente no mundo é a nossa Amazônia. Muitas asneiras foram ditas nos meios de comunicação sem compromisso com a verdade, também minoria, mas com poder de divulgação e dissuasão maior do que o daqueles realmente preocupados com o meio ambiente. Enganavam o povo e os nativos da terra com o veneno da desinformação, com o objetivo de denegrir a imagem e as ações do único brasileiro dentre todos nós, eu incluso, com coragem de, peito aberto, contrapor-se aos detratores do nosso orgulho e os vendilhões da Pátria.

Mas esse único e indescritível brasileiro será assunto para abordagem futura e somente a ele fiz menção  como preâmbulo motivador para externar meu repúdio a tudo o que de nefasto tem fartamente sido publicado de forma radical pelos comprometidos com ideologias espúrias e por ignorantes úteis que, antes de realmente pesquisar, há tempos vomitam impropérios sobre a presença das Forças Armadas na Amazônia, com objetivo único de atingir o poder central, o qual, ferido de morte, abriria portas para o retorno dos desmandos, da corrupção e da degradação moral do país, promovendo, provavelmente, a ruptura do Estado Democrático de Direito.

Exemplos não faltam sobre os militares na Amazônia. Muito se fala nas ruas e o que se fala é bom, ótimo e excelente. Pouco se escreve e o que é escrito, por vezes é péssimo. Procurada a fonte, descobre-se o ranço de um passado recente, onde alguém da família sentiu-se prejudicado por ação repressora dos militares, diante de crimes cometidos contra a Pátria. Não citarei nomes, evitando polemizar desnecessariamente o que deveria ser esclarecedor. Mas se vier a polêmica, que venha o contraditório, enquanto direito inalienável de cada um de nós.

Brasil afora, o ano de 2021 caracterizou-se, dentre tantas atividades, pela participação efetiva das Forças Armadas nos mais distantes rincões da Pátria, em meio a uma pandemia das mais cruéis que assolaram a humanidade. Da construção de estradas, ferrovias, apoio à vacinação, acolhimento, pulso e determinação, tivemos de tudo um pouco bem acentuado. Na Amazônia e no Estado do Amazonas não foi diferente: a história recente, da qual tenho  pouco conhecimento das minúcias dos fatos, se comparado com os idos de 1996 quando, em 16 de março apresentei-me no Serviço Regional de Proteção ao Voo de Manaus e ainda aqui estou.

A imensidão da floresta, por si, já nos fazia tremer. Trovoadas, relâmpagos e ventos fortes e os olhares assustados dos passageiros balançavam ao som da instabilidade da nuvem, fazendo bailar no espaço a aeronave da Força Aérea Brasileira, dirigida a braço firme pelo Comandante e sua tripulação, com uma bússola, mapas e nada mais, navegando, margens de rio afora pelo procedimento conhecido como VOR, isto é: Voar Olhando os Rios. 

A missão? Transporte de Passageiros e de carga, esta para suprir os Destacamentos mais afastados. Era a rotina do CAN, o Correio Aéreo Nacional, cuja missão, em seu dia a dia, promovia a ocupação da terra, a definia como parte integrante do território brasileiro e, a um só tempo, apoiava a população civil nas capitais dos municípios, mas principalmente oferecia o abraço amigo, o sorriso e o apoio aos ribeirinhos dos mais longínquos recônditos Amazônicos,  promovendo a cidadania. 

Esta a rotina da minha Força Aérea Brasileira, da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro, cada qual atuando no cumprimento de suas missões específicas, apoiando a todos, do homem da “urbis” aos caboclos ribeirinhos, no transporte de alimentos e medicamentos. Vacinando os cidadãos. Consolidando a ocupação de lugarejos inóspitos, mesmo na certeza de que muitos deles tombariam, vítimas de doenças tropicais.

As Forças Armadas foram presentes na Amazônia em situações das mais diversificadas e inimagináveis. Aos poucos que pretenderem denegrir o papel e a contribuição dos militares para o crescimento da região, deixamos o nosso convite para lerem, estudarem e conhecerem um pouco da história de sua Terra Natal. Pesquisar, conhecer e cavalgar o alazão da verdade.  

Atacar indiscriminada e negativamente as atividades militares na Amazônia, na melhor das hipóteses, será discorrer sobre a própria ignorância abissal e olvidar a realidade histórica dos fatos ou, pior ainda, demonstrar, abertamente, o caráter doentio de inimigos gratuitos da Pátria, avessos aos danos que uma fala desarrazoada e irresponsável poderia provocar, com uma enxurrada de impropérios obtusos trazendo à tona interesses personalíssimos. Que visitem os interiores, os povos indígenas. Procurem denegrir a imagem do “Brigadeiro” Camarão. Por certo não retornarão.

A verdadeira história das Forças Armadas na Amazônia, cantada na fala do dia a dia do caboclo, torna-se presente no agradecimento sincero do povo, no sorriso e no ouvido atento aos contos e “causos” populares, divulgados nas esquinas, bares e no seio da família amazônica, mas principalmente no sorriso, no brilho de esperança no olhar e no respeito demonstrado pelo Amazônida, oferecendo o braço amigo, circundando nosso corpo desde os rincões de Belém do P ará, com passagens pelo Oiapoque, Macapá, Roraima, Cabeça do Cachorro, Tabatinga, Cruzeiro do Sul, Acre, Porto Velho, Vilhena, Araguaia e Xingu, desaguando no centro maior de Manaus, morada do Comando Militar da Amazônia, do Nono Distrito Naval e do CINDACTA IV, num abraço fraterno, envolvente e amigo.

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