Onde estão os estadistas?

De fato, não é tarefa fácil gerir a coisa pública. Aliás, os níveis de complexidade podem variar, mas serão sempre desafiadores para os administradores que não visualizam somente os ganhos de curto prazo, mas possuem visão de estadistas, capazes de renunciar a certos interesses imediatistas em função do superior interesse público. Parece que no Brasil – e no mundo também – são cada vez mais raros governantes com estofo de estadistas. Líderes com visão estratégica, que visualizam o futuro com o objetivo de atingir metas fundamentais do desenvolvimento das potencialidades sociais e econômicas. No entanto, podemos buscar no passado exemplos de lideranças que impulsionaram suas nações na direção correta de um futuro melhor, todos com espírito de doação e sacrifício pessoal. Estes líderes podem inspirar pessoas com ideais do bem coletivo a adentrarem no complicado território da política, compreendendo que houve pessoas capazes de superar situações dificílimas, com coragem, inteligência, determinação e generosidade.

Começo esta abordagem por alguns grandes vultos da História Norte Americana. No século XVIII, George Washington e Benjamin Franklin, destacados dentre os fundadores dos Estados Unidos da América, após terem combatido com êxito os colonizadores ingleses. Até hoje são reverenciados como “Pais da Pátria” Norte-Americana. Mais à frente, no século XIX, Abraham Lincoln, que foi o mais proeminente líder de sua época, para alguns, o maior de todos os tempos. Ele perseverou ao longo de toda existência em busca de seus ideais, enfrentou a mais sangrenta Guerra Civil da América, derrotando os confederados do sul escravista e obtendo a libertação dos escravos. Foi assassinado covardemente por um sulista racista. Ainda ouso acrescentar Franklin Delano Roosevelt, o presidente norte americano que liderou os EUA na superação da mais grave recessão de sua história, por meio da ousada e inovadora política do New Deal. E que depois, durante a II Guerra Mundial, conduziu os EUA na luta vitoriosa contra o nazifascismo de Hitler e Mussolini, em aliança com a Inglaterra de Winston Churchill, outro grande personagem da História da Humanidade num de seus momentos mais dramáticos e decisivos. Indo além dos Estados Unidos poderia citar vários outros estadistas, de diversos países, dentre eles, Nelson Mandela, considerado o mais importante líder da África do Sul, por que não dizer, da África. Ele que soube lutar, sofrer mais de duas décadas na prisão e depois obter o fim do famigerado Apartheid. Um líder que se tornou respeitado e admirado em todas as nações do mundo. 

Pelo espaço limitado deste artigo, passo a recordar grandes líderes do nosso próprio país, colocando em destaque José Bonifácio de Andrada e Silva, Dom Pedro II, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Todos foram verdadeiros estadistas ao seu tempo e continuam a merecer, assim como outros brasileiros, o nosso reconhecimento e nossa reverência. Mas na memória cada vez mais apagada da História do Brasil, estão sendo lamentavelmente esquecidos e desconhecidos pela maioria absoluta da atual geração de brasileiros, especialmente os mais jovens.

Há algo em comum entre estes e outros grandes personagens históricos com estofo de estadistas. Eram seres humanos com defeitos, que cometeram até graves erros, mas que souberam se superar pelo bem de seus países. Colocaram sua própria existência à serviço de uma causa maior. Viveram com profundo senso de propósito e perseveraram mesmo quando as condições políticas, sociais e econômicas lhes foram desfavoráveis. Eram preparados, inteligentes e capazes, vislumbrando no presente o futuro. Foram pensadores perspicazes e realizadores determinados. Valorizaram as convicções acima das conveniências pessoais. E apresentavam em comum as características de não serem pessoas medíocres, além de possuírem uma firme vontade de contribuir para transformar seus países em grandes nações.

Parece que estamos carentes de líderes deste jaez.

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