O TURISMO PODE DEIXAR DE SER O PRIMO POBRE

O turismo sempre recebeu pouca atenção por parte do poder público em Manaus e, por extensão, no Amazonas todo. Não faz diferença se o Estado tiver uma secretaria de Turismo, ou uma empresa que o administre. O mesmo vale para o município/Estado chamado Manaus.  Por vezes, para firmar convênios é mais interessante ter uma autarquia que uma secretaria. Contudo, tanto o Estado quanto o município sempre trataram o turismo como apêndice de outra secretaria, não como um status e um orçamento de uma.

Parece que agora a coisa começa a mudar, pelo menos no município de Manaus, onde grandes eventos estão sendo anunciados. Aliás, como deve ser, a coordenação destes eventos é pública e o dinheiro nem tanto. O evento Sou Manaus Passo a Paço é uma série de shows destinada ao público local, quando a venda da marca Manaus está recebendo um tratamento especial. O evento não pretende se limitar a shows. Segundo a prefeitura, vender a marca Manaus é o principal objetivo externo. Compreende-se essa preocupação, uma vez que a marca Amazônia é talvez uma das mais famosas no mundo e se torna necessário associar Manaus como capital deste enorme espaço. A bem da verdade, não é uma feliz constatação saber que Amazônia e Manaus são apenas conhecidas e divulgadas no nome. Poucos sabem o porte de Manaus, suas atividades, suas atrações e sua vocação para o turismo. Tampouco o leigo tem uma ideia clara do que são os rios do Estado, a seca e cheia. Aliás, pouco esforço é feito para explicar que as cheias na Amazônia não são enchentes catastróficas que surgem em poucas horas e promovem estragos.

O turismo de pesca esportiva também vai receber um impulso com a realização da Manaus Adventure. Segundo o vereador William Alemão, a pesca esportiva pode trazer mais renda ao ribeirinho que a pesca comercial. A quase totalidade desta renda fica com o pescador profissional que nem sempre é membro da comunidade.

Para explicar isso vamos traçar uma analogia: Manaus festeja a vinda de grandes transatlânticos com muitas centenas de turistas em cada um. Para o trading de turismo os grandes navios de cruzeiros são bem-vindos porque divulgam o rio e o Estado do Amazonas e sua capital, Manaus. Contudo, os gastos destes navios ficam limitados quase unicamente ao pagamento das taxas de cabotagem, porque eles têm toda a estrutura própria, jamais enviando passageiros a hotel ou a restaurantes. 

Para o evento Passo a Paço a prefeitura tem as melhores expectativas. Merece elogios o fato de já estarem planejando o evento nos anos seguintes, fazendo com que conste do calendário nacional e assim atraia cada vez mais visitantes. O mesmo ocorre com o Manaus Adventure. O Amazonas tem uma expertise em eventos programados a longo prazo se considerarmos o Festival do Boi Bumbá em Parintins. Além de atrair turistas, atrai patrocinadores e, de quebra, valoriza artistas tanto nas coreografias quanto na confecção das alegorias. Não é segredo que o know how dos artistas de Parintins os está projetando para o Carnaval nacional.

O Amazonas está tão preso à renda gigantesca proporcionada pelo Polo  Industrial que parece esnobar as atividades que geram poucas rendas. Nunca devemos esquecer que o turismo é uma indústria sem chaminé e que é muito mais pródiga na distribuição de renda que a indústria tradicional. O primeiro passo já foi dado há muito tempo. O apoio e coordenação públicas vêm em boa hora e irão alavancar esta atividade tanto nas finanças quanto no estímulo da vocação para bem receber.(Luiz Lauschner)

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