O que vi e ouvi na minha visita ao Ipaam (parte 2)

Essa é minha segunda reflexão sobre a visita que fiz ao Ipaam atendendo convite do presidente do órgão, Juliano Valente. Estive acompanhado durante toda a visita pelo amigo Guilherme Pessoa, superintendente do Mapa/SFA/AM, gestor que tem meu total respeito pela sua competência e ética. No JC da semana passada tem os comentários da “primeira reflexão”. Agora faço a “segunda reflexão”, mas também terá a “terceira reflexão”. No momento da visita, tínhamos apenas 32 focos de calor (no meu site www.thomazrural.com.br) tem as imagens. É evidente que não queremos nenhum foco, mas não podemos ignorar que existem os ilegais e os espontâneos. Sei que os ilegais são maioria. Mas só tinham 32 focos e a imagem mostra, claramente, que é o no sul do Amazonas, ou seja, bem identificado, não é todo o Amazonas em chama, mas “adoram” dizer que todo o Amazonas está queimando. O verde impera em nosso Estado. E tem mais, o problema já existe há vários anos, inclusive nos governos anteriores ao atual. Matéria do site da UOL, que também está no meu blog, confirmam que os maiores foram em 2017, 2010. Quem era o presidente? O problema já vem de anos sem solução. E os motivos são velhos conhecidos, não temos o ZEE, Regularização Fundiária, agilidade no licenciamento ambiental e precariedade dos órgãos públicos em todos os governos, não somente no atual. Quero dizer que não votei no atual governo federal, e nem devo fazer no dia 2, mas jogar tudo no colo do atual governo federal é esquecer que o governo anterior teve 15 anos e não resolveu a questão de desmatamento ilegal, nem de renda, apesar das “operações arco verde” que foram feitas no Sul do Amazonas. Ou tratamos a questão com seriedade, sem paixão partidária exagerada, ou nossa geração não fará nada pelos povos que nela e dela vivem (floresta). Só de PGPMBio (extrativismo puro) já deixamos de colocar no bolso do extrativista R$ 71 milhões entre 2016 e 2021. Sem dinheiro no bolso para ter uma vida digna são presas fáceis para todo tipo de ilegalidade. Com base no relatório do Fundo Amazônia de 2010, está claro que o desmatamento aumentou também lá atrás, entre 2009 e 2010, ou seja, aumentou em governos passados. Não me venham com esse papo de comparar, o desmatamento ilegal tem que ser zero, mas o legal, dentro do 20%, tem que ser ágil ao produtor rural, fato que não existe há décadas, e por isso há fome e miséria em nosso Estado. O incremento de desmatamento entre 2009 e 2010….47%. Governo do PT. Tá no meu site www.thomazrural.comb.br

No mesmo relatório, veja como aparece entre os objetivos do Fundo Amazônia o ZEE e a Regularização Fundiária. Para onde foram os milhões, pois ainda não temos o ZEE nem RF? Tá evidente que deve haver CPI antes de qualquer nova liberação de recurso seja quem for o presidente da república. A sociedade não pode mais deixar que isso aconteça e tenhamos um Bolsa Miséria sem aumento de apenas R$ 50 por 14 anos para o guardião da floresta mesmo com a Noruega e Alemanha tendo enviado R$ 90 milhões. Nem sequer um centavo de aumento. Para onde foi o dinheiro? Lembro que esse relatório é de 2010. Deve ter vindo muito mais após essa data. Por fim, fui informado que vai ter ou já teve um encontro na França para falar de negócios na Amazônia, e certamente o Amazonas está no meio (Estado mais preservado do mundo). Quero saber quem será nosso interlocutor nesse evento. Para mim, tem que ser alguém que seja focado na renda das pessoas, que conheça a nossa realidade, a das pessoas, pois no AM tem 97% preservado, que fale dos R$ 50 de bolsa miséria como realidade, e não para captar mais recursos que deixaram o Estado com metade da população na pobreza. Exemplo, levem o jovem Macaulay, agrônomo, formado na Ufam, mente aberta, com origem no interior, viveu com seu pai e sabe da realidade no interior….ele vai falar a verdade, sem esconder nada, pois sabe que tudo deve ser mudado, pois o que foi feito no passado deixou o Amazonas dependente do PIM/ZFM, não aproveitou a biodiversidade para colocar dinheiro no bolso de quem verdadeiramente manteve a floresta em pé, e só poucos se deram bem. E logicamente vai falar que não temos o ZEE e a RF. E que o licenciamento ambiental demora anos pra sair. Vai falar que os “rios voadores” tão valiosos não chegaram ao guardião da floresta. Vai falar que a Covid-19 matou mais no interior do Amazonas em razão da questão nutricional dos nossos caboclos. Eles não tomaram as vitaminas que eu e as lideranças deles tomaram para tentar se proteger. Tenho certeza de que o Macauly defenderia o recurso direto no bolso do extrativista, sem intermediários, e mais investimento em tecnologia nos órgãos governamentais, e não através de ONGs, pois o passado mostra que erraram muito. Esses recursos internacionais têm que ir para fortalecer o PAA, hoje PAB (atual governo mudou de nome sem nenhum sentido e cortou recursos absurdamente) e o PNAE. Injeção direta na veia das pessoas que vivem no interior, sem precisar fazer o impossível estoque regulador que Ciro e Lula estão prometendo. Chega de consultorias, resgatem as Atas dos eventos já realizados. Lá tem tudo que o povo da floresta quer….não enrolem mais eles…por favor!!!!

27.09.2022

Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] 

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