O abandono social das pessoas em situação de rua em Manaus

Existem muitos motivos que levam uma pessoa a morar nas ruas. A falta de recursos financeiros, a dependência em drogas, brigas familiares, ou até mesmo, a falta de oportunidades sociais são exemplos de estímulos que levam o indivíduo a viver em ambientes inapropriados, uma vez que arriscam suas vidas diariamente, enfrentando os perigos e a violência da cidade.

Dos últimos anos para cá, é perceptível o aumento do número de pessoas que migraram para as ruas desde a chegada da pandemia da Covid-19 em Manaus. Segundo a Prefeitura de Manaus, no ano de 2020, aproximadamente 532 pessoas foram atendidas pelo município, no ano de 2021 foram 151, e em 2022, foram registradas 466.

Mas, sabemos que na realidade, ainda existem muitos cidadãos que não estão inseridos nestes números, pois nem todos conseguem ser alcançados pelos serviços de atendimento do poder público municipal. De acordo com a prefeitura, apenas 31% dos moradores em situação de rua estão incluídos num cadastro único de benefícios sociais.

Manaus ainda sofre com outra complicação além da pandemia, a chegada dos venezuelanos que fogem da crise econômica instaurada em seu país. Uma parcela dos moradores de rua que vive na capital é formada por migrantes que tentam recomeçar suas vidas, buscando oportunidades de emprego ou ajuda comunitária.

Ações de assistência social foram oferecidas ao grupo de refugiados, mas ainda há uma grande quantidade morando nas ruas. Antes, a maioria era indígena, hoje em dia, são pessoas de diversas partes do país, que se aglomeram em frente às praças, igrejas e comércios do centro histórico da capital, evidenciando o problema de vulnerabilidade social.

Atualmente, a Semasc (Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania), realiza um trabalho de abordagem aos moradores em situação de rua, que consiste em uma equipe multiprofissional responsável por atender e captar pessoas que necessitam de atenção e assistência do poder público.

Apesar de existir o atendimento no Centro POP (Centro Especializado à População em Situação de Rua), a equipe da secretaria enfrenta dificuldades devido ao grande percentual de pessoas desabrigadas.

A população que vive nas ruas possui suas particularidades, assim como cada um de nós. Nem sempre elas querem um lugar para morar, pois estão acostumadas a viver migrando de ponto em ponto; algumas delas só querem um lugar para dormir, mas segundo a Semasc, em Manaus não há albergues disponíveis para esse grupo.

Em contrapartida, os que desejam ter um lugar para morar, não conseguem, pois não há vagas nos abrigos ofertados ao público. Os serviços de acolhimento oferecidos hoje não conseguem atender o percentual de pessoas que vivem nas ruas, e cada vez mais, o problema social vai se agravando.

Ainda dentro do serviço de abordagem, outra dificuldade enfrentada pela equipe é a falta de profissionais de saúde que atendam o povo das ruas. Uma vez que o número de prestadores de serviço é inferior ao número de pessoas que precisam de atendimento, o núcleo não consegue demandar todas as solicitações, dificultando ainda mais a assistência social voltada aos desabrigados da capital amazonense.

Em meio a tudo isso, nos perguntamos o que pode ser feito para prestar atendimento de forma efetiva e diminuir o número de moradores de rua em Manaus. A resposta é simples: a efetivação de políticas públicas. A capital amazonense não investiu e não investe em discussões sobre políticas públicas, pois ainda existe preconceito voltado às pessoas que não possuem residência fixa.

Além de ser um problema social, a vulnerabilidade das pessoas se torna um problema de saúde, uma vez que não há um acompanhamento médico para controle de doenças transmissíveis. Mas, antes de pensarmos em formas para expandir a abordagem, precisamos ter como base, políticas públicas que respaldem o trabalho e os direitos dos andarilhos da cidade.

Assim como eu e você, eles também são cidadãos, temos os mesmos direitos e eles também necessitam de atenção, que vão desde o atendimento básico de saúde e social, até a educação que possibilite a entrada dessas pessoas no mercado de trabalho. Além de políticas públicas, se faz necessário a criação de programas sociais voltados à empregabilidade, assim como a ampliação do número de servidores que atendam essa parcela população.

*é deputado federal pelo Amazonas, eleito pela 2ª vez

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