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‘Não somos racistas’, disse Kamel

Aristóteles Drummond

Roberto Campos, vindo de um almoço na TV Globo com Roberto Marinho e seus companheiros, mostrou satisfação no encontro com dois jovens jornalistas que o encantaram pelo preparo, cordialidade, independência e cultura. Eram eles: Ali Kamel, que não sei se já era diretor de jornalismo, e Luis Erlanger, na época no jornalismo da TV. O segundo conheço e sei do acerto de Roberto e o primeiro passei a acompanhar em seus textos publicados e a me incorporar a seus admiradores. É independente como nos velhos tempos do jornalismo, há 60 anos, quando me iniciei e até os comunistas defendiam o pluralismo.

Mas o que torna Kamel muito atual é seu interessante e importante livro “Não Somos Racistas”, publicado em 2009, mas atual, imprescindível para um conhecimento rápido e correto desta filosofia de dividir nosso país entre brancos e negros, ignorando os mulatos, os orientais, os índios, os mamelucos, que formam nosso povo miscigenado tão bem observado por Gilberto Freyre, que denominou este exemplo singular no mundo de luso-tropicalismo.

O livro mereceu uma edição da Bibliex, editora do nosso Exército, e da Nova Fronteira. Ponto relevante de sua narrativa é definir a realidade de que a discriminação existente no Brasil não é racial, mas sim social, ou seja, refere-se ao poder aquisitivo. No mais, lembrando outra vez Gilberto Freyre, o ponto alto de nossa harmonia nas relações de brasileiros de diferentes origens não é racial, mas sim consequência de uma natural miscigenação que vem de longe.

A obra de José Murilo de Carvalho, citado por Kamel, é clara em colocar que a questão era mais de recursos do que de raça, visto que registra em seus livros que o comércio de escravos na zona da mata de Minas Gerais era feito por alforriados ou mestiços. Coisas da época e que não nos cabe julgar como se fosse hoje.

Entre as observações oportunas, está a de que, para as universidades públicas, o mulato é negro, quando ele não é negro, nem branco. Diria que ele é brasileiro.

Estamos no limiar de um período em que a demagogia na exploração do negro x brancos e operários/agricultores x patrões é prioridade. Temos de ter informação e a responsabilidade de divulgar o que está no lado correto, do bom senso e da harmonia.

Vale ler ou reler o livro. E lembrar que Roberto Campos sabia das coisas e das pessoas.

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