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MODERNIZANDO

Na semana que passou, o prefeito Davi Almeida entregou a ordem serviço para a reforma da assim chamada Feira da Banana. Segundo a própria prefeitura é a vigésima primeira feira a entrar em reforma nos 20 meses da atual administração municipal. O prefeito tranquiliza os feirantes, ao afirmar que o trabalho de recuperação da feira não irá afetar o funcionamento dela. Inaugurada em 1996, quase uma década antes da regulamentação do manuseio de alimentos pela Anvisa, ela é um misto de atacado e varejo. Na prática, supermercados, mercadinhos, restaurantes, cozinhas industriais, embarcações e particulares  se abastecem nela de frutas, legumes, temperos e, em alguns casos, até de grãos. Realmente é necessário adaptar estes locais de vendas de produtos perecíveis às normas de segurança alimentar. As instalações sanitárias no local são higienizadas, mas estão com quase três décadas de uso. Muitas coisas melhoraram no tocante aos cuidados nesse campo desde o início da feira, porém raramente vemos feirantes uniformizados e poucos trabalhadores têm treinamento sobre os tipos de contaminação que ali possam ocorrer. 

A poucos metros dali funciona a Feira da Manaus Moderna, que igualmente fica à margem do rio Negro. Qualquer pessoa que passe por aí nota o grande movimento e, como se não bastasse o trânsito de caminhões de fornecedores e veículos menores de compradores, naquele local ficam algumas balsas que dão suporte a barcos que vão e vêm de todo o interior.  Barcos estes que, tanto podem trazer verduras, como também peixes ou transportarem mercadorias ali adquiridas. Estima-se que o movimento financeiro das duas feiras supera alguns centros de compras da cidade. A margem de lucro praticada pelos feirantes no atacado e varejo costuma ser bem menor que a praticada por seus colegas no comércio formal.  Não há cobrança de aluguel nem parede que separa um feirante de outro, mas uma “pedra” (nome dado ao espaço que cada feirante ocupa) pode ser comercializada por valores bem expressivos porque é muito difícil alguém querer vender. Na Manaus Moderna, a separação é diferente.

Os comerciantes maiores da feira, talvez porque negociam com pouca variedade, têm contatos bem lubrificados para comprar e trazer produtos de outras regiões. Estas facilidades proporcionam uma economia formidável que até outros grandes não conseguem e preferem abastecer seus supermercados na feira. Tudo isso gera um volume de negócios muito grande, onde o lucro é obtido pela quantidade e não pelo valor individual. A origem dos produtos é bem variada. Segundo um dos comerciantes, o estado do Amazonas não é o maior fornecedor da feira. Há produtos vindos do sul, do nordeste e muitos do vizinho estado de Roraima, como limão, melancia e a própria banana. A quase totalidade do trabalho da feira é feito de maneira braçal.

A atual administração municipal conhece bem esses fatos e não é contrária a isso. O Prefeito, que faz questão de realçar sua origem em feiras semelhantes, destaca a origem cultural em que esse tipo de comércio prospera. Na Feira da Banana não se negocia com peixes e carnes. Contudo, como dissemos no início, o trabalho com produtos perecíveis exige cuidado e preparo bem maior, para que os alimentos sejam sempre fonte de saúde. (Luiz Lauschner)

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