Carlos Silva

A minha geração, que é a base dessa meninada adulta por aí, cresceu sob a dinâmica da chegada do homem à Lua, sob os cuidados e temores da Guerra Fria, sob os conflitos de ideologias de Direita e Esquerda e sob os reflexos sociais do rock and roll, da disseminação das drogas e do surgimento e crescimento da televisão. Também crescemos na conquista do Bi e do Tri, na Copa do Mundo de Futebol, assistimos meses e meses de uma única novela, Redenção, na TV Excelsior, e os bons programas da TV Tupi e Continental. Passamos, também, pela Guerra do Vietnam e pela crise dos mísseis em Cuba. Mais tarde, o atentado nos jogos Olímpicos de Munique. Enfim, não foi uma época boa e sim, foi uma época maravilhosa de verdade e muito melhor do que assistimos hoje por aí. Tenho saudades? Não, porque trago em minha alma os princípios e valores adquiridos naquela época. Hoje, essa geração me rotula como conservador. E daí? Me sinto elogiado por não pactuar de seus valores atuais. Naquele tempo, se reclamava por aqui e por ali da falta de liberdade de expressão, em determinados momentos de nossa história. E, também, nos ressentíamos das nocivas atitudes de outros jovens, iniciando as ações foquistas no Araguaia. E daí? Bem, eu aprendi. E milhões de jovens de outrora, junto comigo, também aprendemos. E tentamos deixar este legado às gerações atuais. Deu certo? Sim, mas não totalmente, ainda. Pelo menos, o mercado pensa como nós pensamos: trabalhe, produza e ganhe o seu dinheiro. Não basta a sua ideologiazinha e nem a sua carinha bonitinha e nem a sua opção sexual. Produza! Ou seja, o  mercado é conservador sim, pois era assim no meu tempo e nada mudou. Ao menos, essa atual geração já descobriu a diferença entre trabalhar e produzir. Assistimos, pela primeira vez na História do mundo, um governo dito “ditatorial” passar o poder para outros atores, em paz. Nunca na História um ditador passou o poder e, sim, foi retirado do trono. E até hoje, correntes minoritárias querem rever os erros do passado, mas só de um lado. Na mente doentia de muitos por aí, se morreu de um lado, foi crime, mas se morreu do outro lado, foi justiçamento. Essa divergência ideológica é nociva. Mas, vamos tratar do hoje. Estamos, nesse momento, de novo, em época de eleições. Vivo isso e voto desde jovem adulto. Tínhamos eleições sim, nos anos 60 e 70. Agora vamos votar de novo. Que bom! Antigamente era nas cédulas de papel. E demorava muito para a divulgação dos resultados. Era uma festa quando divulgavam os resultados! Mas, desde antigamente, alguns órgãos de imprensa sempre tiveram um lado a apoiar, sim, e nunca foi isenta! Lembram no início dos anos 90? Na verdade, atualmente, o que eleva os níveis de intolerância e violência são as leituras que se faz sobre determinadas abordagens de matérias divulgadas por leitores de teleprompter por aí. Qualquer manual de telejornalismo por aí ensina isso: a imagem do A sempre será com luz e sorridente. A imagem do B será sempre sombreada e carrancuda. Dissemine as coisas boas de A e potencialize as coisas ruins de B. A se enganou e B mentiu. Enfim! É o que temos. Mas, a minha geração também viu o crescimento da tal da informática e dos computadores. E vimos que tudo isso é construído por pessoas, iguais a nós. E não existe um tal de sistema à prova de invasões e ataques. Se existisse, os bancos, as agências secretas dos governos, os mainframes de canais de TV, não seriam atacados. E só se divulga isso, por erro. Não se deve divulgar invasão nos seus sistemas, né? Isso depõe contra a sua imagem junto ao público e à concorrência. Mas, hoje, me parece, que somos proibidos de criticar o sistema de votos, pois será considerado ataque à Democracia? Ora, agora estão limitando a tal da Liberdade de Expressão? Era assim nos anos 60 e 70. Estamos repetindo? Então, vou dançar conforme a música e para não dizer que não falei de flores, parodiando Vandré, eu não vou criticar as pessoas que cuidam de controlar e administrar os resultados. Mas a urna eletrônica e nem a sua total inviolabilidade de software, simplesmente não critico porque eu não conheço. E se não conheço, tenho todo o direito de não acreditar.

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