Calor dos infernos

O calor infernal  faz parte do cotidiano da vida do amazonense, bem como dos que escolheram essa terra para morar. Os problemas que vêm causando um clima escaldante — atualmente — têm origem dupla: incêndio na floresta e estiagem. Depois de duas ou mais semanas, o  vice-presidente — cargo que ocupa “de fachada” — com suas inabilidades para enfrentar a situação, veio a Manaus — cidade que sempre foi uma pedra em seu caminho —  para, supostamente, apresentar um plano de ação no combate à seca e suas consequências.

Contudo, há meses que Manaus é tomada por fumaça, ocasionando uma péssima qualidade do ar, não só na capital, mas também nos municípios da vasta região Amazônica. Além desse fato,  a capital amazonense  foi atingida por uma forte estiagem que assola o interior, ocasionando mortes de peixes que são essenciais à vida da população ribeirinha. Até filhotes de peixe-boi morreram!

Diariamente, a seca nos rios causam mortes de peixes; atingindo várias áreas no interior, onde pirarucus morreram sufocados na região do Purus, e também muitos botos no Lago de Tefé.

O mais grave é a queda do volume da água dos rios que impede a navegação, gerando o desabastecimento nos municípios. E o Rio Negro deverá em final de outubro atingir o  nível mais baixo de sua história. A praia da Ponta Negra foi interditada e os municípios vizinhos  sentem as consequências. Temos mais de 40 em emergência — afetando 64 mil famílias —,  tendo o governador decretado situação de emergência em 55 municípios.

Os rios funcionam como rodovias no estado do Amazonas, e diante deste cenário da seca dos rios, alguns componentes essenciais para a indústria não chegam e produtos acabados como geladeiras, televisores, motocicletas e outros eletro-eletrônicos ficam impossibilitados de saírem.  Ainda enfrentamos o desabastecimento de produtos de consumo. Toda essa situação acaba gerando uma inflação “extra”.

O povo vem sofrendo no Amazonas com temperaturas que variam de 37 a 42 graus. Manaus é uma capital no meio da floresta, mas suas árvores estão sendo devastadas pela ação humana, cuja ocupação desordenada, em razão das constantes invasões ao meio ambiente,  contribuem para o atual caos. O pior de tudo isso são as atitudes  das autoridades, nem precisa dizer nada. E com os rios  Negro e Amazonas secando o que resta  ao povo:  “Clamar ao Senhor porque do vice-presidente de fachada, sem a “Canja”, só um milagre!”.

Manaus, 10 de outubro de 2023

JOSÉ ALFREDO FERREIRA DE ANDRADE 

Ex-Conselheiro Federal da OAB/AM nos Triênios 2001/2003 e 2007/2009 -OAB/AM

Compartilhe:​

Qual sua opinião? Deixe seu comentário