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Amazonas: o moderno que não avança

Augusto Cesar Barreto Rocha (*)

A modernidade é a indústria ou uma agricultura destrutiva? O passado é a indústria e o moderno é a permacultura ou a agricultura extensiva? O espaço compartilhado do que é interessante ou não interessante, moderno ou passado superado e que não queremos de volta, tem sido um debate quase inexistente. Estamos nos afastando cada vez mais do que seria um espaço de sonhos em comum, de uma modernidade almejada, tecnológica, industrial e sustentável.

O capitalismo financeiro, com seus acertos e erros, tem gerado uma abundância de dinheiro por nada fazer ou por rumores associados com inteligência artificial, afastando a geração de dinheiro do setor produtivo e intelectual, construindo fortunas especulativas e não produtivas. Assim, o espaço compartilhado para uma vida melhor da sociedade se reduz e a desinformação ganha espaço. 

As grandes multinacionais da tecnologia têm absorvido e produzido trilhões de dólares de riqueza. Neste contexto, milhões de seres humanos vão ficando para trás deste horizonte de oportunidades. A vanguarda fica embaralhada pela falta de calma e de percepção social mais ampla. Em meio a isto, há oportunidades para a região. Como exemplo, a permacultura mencionada ou a tradicional atividade industrial que temos em Manaus.

Os modelos associados com as culturas nativas são interessantes, no sentido de preservação cultural da sociedade e, em alguma medida, da floresta. Entretanto, a geração de riqueza é pífia frente as necessidades das pessoas, em um mundo com tecnologias cada vez mais complexas e caras. Será que a manutenção do modo de vida tal qual está é viável, quando se integram as cidades remotas com o mundo da Internet? Queremos manter nossos modos de vida ou preferiremos uma idealização estrangeira?

Encontrar projetos com a escala da Amazônia, e adequados à baixa densidade populacional é um desafio longe de ser superado. Há pouco de espaço compartilhado neste debate. Há sempre um risco de uma decadência coletiva acontecer, a partir de pequenas decadências de mudanças de paradigmas tecnológicos. Tal qual já tivemos pilhas de videocassetes sendo vendidos no comércio, que nunca encontraram substitutos à altura para esta venda abundante. A borracha teve magnitude maior e efeitos mais devastadores.

Se não nos debruçarmos sobre estas perdas ou a perda do imaginado turismo ecológico. Aliás, será que houve realmente em algum dia este tipo de turismo por aqui ou será que este potencial é real? O moderno e o passado se misturam e eles podem ser assustadores, conforme a perspectiva. Encontrar uma saída para o Porto de Lenha que se torna industrial, mas que precisa do tecnológico e da exportação para seguir relevante é algo que estamos engatinhando.

Chegou o momento de nos capacitarmos para criar veículos autônomos e drones. Quando vamos debater esse assunto? Precisamos deixar de relacionar a bioeconomia com o agro predatório, que gera pouca riqueza ou a extração descontrolada que aprisiona as pessoas no tempo, com baixíssima margem de lucro para as origens e enorme geração de riqueza para os intermediários digitais, formando um novo regatão do século XXI.

(*) Professor da UFAM.

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