A Sustentabilidade ambiental e a Amazônia

Nilson Pimentel (*)

Constata-se que a natureza parece trazer uma trégua na grave, imensa, sofrida estiagem que passa a grande bacia hidrológica da Amazônia acusando que o clima dessa imensa região do mundo abaixo do equador passa por mudanças severas que podem repercutir no clima de toda Terra. Cenas paisagísticas chocantes e belas ao mesmo tempo, mas com impactos severos na qualidade da vida de inúmeros ribeirinhos das regiões amazônicas, notadamente nas cercanias da capital Manaus. E, para complementar o atual quadro horrendo, Manaus foi invadida por imensas nuvens de fumaça, certamente proveniente de queimadas ilegais, nos arredores e Zona Metropolitana da capital, ademais, como pontuam os especialistas do clima, fumaça proveniente do Estado do Pará. Os principais impactos são sentidos na vida de todos os habitantes ribeirinhos, comunitários e demais moradores dos municípios amazonenses. Por outro lado, a vida aquática vem sofrendo terríveis impactos, com a mortandade de imensos cardumes de peixes, contaminando todos os filetes de águas que ainda restaram dos rios e igarapés, assim como, a sofrida perda de mais de duzentos botos (tucuxi e vermelho [cor de rosa]) os golfinhos de água doce existentes na Amazônia. Já se pode afirmar que esse período de seca (vazante) da Bacia Amazônica, notadamente na Amazônia Ocidental é a maior já registrada na região, chegando a causar grandes prejuízos à economia regional e principalmente do Estado do Amazonas como sua Zona Franca e o PIM (Polo Industrial de Manaus). Esse atual fenômeno climático preocupa os cientistas do clima quanto à sua ocorrência e demais consequências ao sistema climático do Brasil e do mundo. Sem água potável direta ao consumo das populações atingidas, gêneros alimentícios mais caros, impossibilidade de locomoção e de distribuição dos parcos volumes de produção agrícola salvos, dificuldade de acessos às localidades para suprimentos de emergência por organismos de governos, cessão do regime escolar às crianças em suas localidades, paralisação das atividades produtiva, principalmente da agricultura familiar e da pesca artesanal, todos esses impactos e dificuldades ocasionadas por esse fenômeno climático estão e foram colocados na transformação das vidas das populações atingidas e, também, por habitantes das cidades municipais e da capital Manaus. Como exemplo desses graves impactos, se tem o nível das águas do rio Negro que banha a cidade de Manaus registrando a medição mais baixa de sua história, 13,59 metros.  O que aconteceu com o clima? O que estará por trás desse fenômeno natural? Como todos conhecem secas (vazantes) e cheias (enchentes) são fenômenos naturais normais na Amazônia desde tempos imemoriais, entrelaçada por grandes rios, senão os maiores da Terra, que ornam a imensa floresta amazônica, a qual produz e libera na atmosfera o sistema de umidade e chuvas, o qual beneficia o clima do Brasil e influencia os sistemas climáticos da Terra, esteve nesse ano de 2023 totalmente comprometido causado pelo atual fenômeno em questão. Então, se pergunta: e quais as causas e os efeitos sobre as populações e a natureza amazônica? Pode-se atribuir a causação no aquecimento das águas do Oceano Pacifico sob o efeito do fenômeno El Niño? Reduzindo o sistema de chuvas na Amazônia? Ou como se manifestam alguns cientistas, o aquecimento anormal do Oceano Atlântico?  Que também pode reduzir o sistema de chuvas na região? Como os rios precisam das chuvas para produzir e manifestar seus benefícios, como ficarão nas próximas secas (vazantes) com chuvas escassas não podendo atingir suas marcas de cheias anteriores? Os desafios da Amazônia são imensos. Constata-se nesse cataclisma que se abate sobre a Amazônia e, notadamente, no Amazonas, mesmo como toda diversidade ambiental (riqueza natural potencial, a Amazônia do Brasil, que representa mais de 50% do território brasileiro ainda não mereceu nenhum plano de desenvolvimento econômico que abrangesse  seu território, suas especificidades, seu povo, com estratégias que tivesse a visão de futuro que a região merece por sua importância global.(*) Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador Sênior, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

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