A revolução de 64

Aristóteles Drummond

Esta turma fica falando de “ditadura” quando tivemos foi governos autoritários, de tutela militar, mas de Congresso aberto quase todo tempo, com duas interrupções pontuais, imprensa razoavelmente livre, ordem no campo e nas cidades, baixa corrupção e muitas obras.

Os militares são pouco chegados à divulgação. Por formação, pela cultura e pela discrição que marca nossa alta oficialidade. Ponto fraco, pois tiveram boas áreas de comunicação em todos os governos – exceto, claro, o de Geisel, que era um estranho na família revolucionária.

Há quase 40 anos estão sendo atacados, caluniados, demonizados, e em silêncio. O General Pires Gonçalves, ministro do Exército de Sarney, teve a feliz iniciativa de autorizar o livro Orvil, em que estão narradas as ações dos membros da chamada “luta armada”, praticando sequestros, assaltos a bancos, atentados, execuções sumárias e outros delitos. Muitos destes combatentes morreram na luta. Os militares, policiais civis, militares e privados também foram vítimas da violência. Atos lamentáveis ocorreram em ambos os lados, mas na história recente os dois grandes episódios com grande quantidade de mortos foi pós-regime e em estados governados pela forças que foram oposição aos militares. Exemplos: Carandiru, em São Paulo, e Eldorado dos Carajás, no Pará. A ação policial repressora sempre, aqui e na maioria dos países, acaba se excedendo. O melhor, portanto, seria não apelar para a fantasia de uma luta armada sem perspectiva.

Quando se pede a volta de militares, certamente não se trata de regredir ao quadro institucional vigente naqueles 21 anos de ordem e progresso. Claro que o mundo e o Brasil são outros. Mas o saudosismo tem uma explicação.

As famílias dos presidentes militares e seus ministros estão aí, filhos e netos, e ninguém herdou nada. Levam vida modesta de classe média. Já nos governos posteriores…

O principal fator desse saudosismo são as grandes obras. Há 40 anos não temos obras como Itaipu, Tucuruí e Balbina, que representam mais da metade do consumo de energia elétrica do Brasil. A estrada Rio-Juiz de Fora foi obra de Figueiredo e, antes, Costa e Silva duplicou a Dutra e pavimentou a Belém-Brasília. Médici tocou a 101, ligando o Rio a Paraty. O Proálcool foi um dos primeiros estudos de fontes alternativas de energia. E, ainda, tivemos governadores da melhor qualidade, como ACM, na Bahia, Israel Pinheiro e Rondon Pacheco, em Minas, Negrão de Lima, na Guanabara, e Ney Braga, no Paraná, entre outros. E um grande time de ministros de qualidade, como Magalhães Pinto, Delfim Netto, Roberto Campos, João Camilo Penna, Ibrahim Abi-Ackel, Marco Maciel, Eliseu Resende e Costa Cavalcanti, quase todos com passagem pelas urnas.

Não se consegue esconder a verdade, os fatos. Assim é com a qualidade dos homens públicos. Comparar ontem com hoje faz a diferença. Por isso tanto saudosismo, que não tem nada de ditadura, mas de meritocracia e realizações.

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