A geopolítica global, BRICS, G20, G-77+China, ONU e o Brasil – III

Nilson Pimentel (*)

Quando (16/9) da realização da cimeira do G77+ China em Havana, Cuba, o presidente Lula discursou para uma plateia quase vazia, pois apenas 16 chefes de Estado estavam em plenário. Ressalte-se que em seu discurso criticou o embargo norte-americano a Cuba e a inclusão do país na lista de nações patrocinadoras de terrorismo, dizendo que “o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra o país, pois Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa. E até hoje é vítima de um embargo econômico ilegal”. Também, elogiou a diversidade do G-77 e a participação da China, que corresponde a 79% da população mundial. Também, fez críticas aos ditos mecanismos multilaterais que não privilegiam a representatividade dos países mundiais. Assim como, voltou a cobrar dos países desenvolvidos o cumprimento da promessa de U$S 100 bilhões para combater as mudanças climáticas, a serem aplicados em países como o Brasil, mais especificamente no Fundo Amazônia e exaltou a cooperação Sul-Sul, da qual disse que o Brasil era pioneiro. Por outro lado, o presidente tratou como crítica, das diferenças e anomalias no Comércio Internacional, assim como, voltou a defender a construção de uma Nova Ordem Econômica Internacional. Vale ressaltar, como comentam os economistas pesquisadores do CEA (Clube de Economia da Amazônia), que o G-77 foi criado nos anos 1960, composto por países do Sul Global, porém historicamente tem tido pouca influência e definições tomadas no âmbito geopolítico mundial. Para o presidente do Brasil, as instituições da governança mundial, como a ONU, Banco Mundial, FMI, OMC e todo o sistema Bretton Woods, perderam credibilidade e se precisa dessa Nova Ordem  Econômica Internacional.  Além de Dias Canel, o ditador de Cuba, o anfitrião da cimeira, não estavam presentes ao discurso do presidente do Brasil, o presidente argentino, Alberto Fernández, o ditador venezuelano Nicolás Maduro e nem mesmo o ditador nicaraguense Daniel Ortega, chegaram depois da fala de Lula. O presidente do Brasil também defendeu que os países em desenvolvimento se unam para a transição energética e para a revolução digital e não sejam conduzidas só por países ricos, mas que contem com presença concreta de países da América Latina, do Caribe e da África Subsaariana. Como diz ele: “não podemos nos dividir”, “defendendo a inclusão de especialistas dos países em desenvolvimento nos painéis de discussões tecnológicas e sinalizou que há oportunidades de desenvolvimento no processo de combate às mudanças climáticas”. E, foi mais além, “vamos promover a industrialização sustentável, investindo em energias renováveis, na sociobioeconomia e na agricultura de baixo carbono”, “faremos isso sem esquecer que não temos a mesma dívida histórica dos países ricos pelo aquecimento global”. E pontuou favorável que: “É por isso que o financiamento climático tem de ser assegurado a todos os países em desenvolvimento, segundo suas necessidades e prioridades. No caminho entre a COP-28 (Conferência climática da ONU, agendada para novembro), em Dubai, e a COP-30, em Belém/PA/Br, será necessário insistir na implementação dos compromissos nunca cumpridos pelos países desenvolvidos”. 

Esta semana o mundo assistiu a abertura da 78ª da Assembleia Geral das Nações Unidas – AGNU, sendo um dos seis principais órgãos da Organização das Nações Unidas – ONU e o único em que todos os países membros têm representação igualitária. Historicamente, o Brasil sempre faz o primeiro discurso nas Assembleias Gerais. A ordem tradicional dos discursos –Brasil primeiro, Estados Unidos em segundo, e depois os demais países, de acordo com um sistema que leva em conta, entre outros critérios, o nível de representação (se é o chefe de Estado quem vai discursar ou um ministro, ou um embaixador) só começou, de fato, em 1955, na Décima Assembleia. Contudo, não há nenhum texto ou norma da ONU que determine que o Brasil seja sempre o primeiro país a discursar na abertura da Assembleia. No entanto, o Brasil já deixou de ser o primeiro a discursar em duas ocasiões, nos anos de 1983 e 1984, o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, discursou antes do representante do Brasil. Assim, o presidente do Brasil fez o discurso de abertura da 78ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (19), “dizendo que a democracia venceu no país”. “Se hoje eu retorno como presidente do Brasil é graças à vitória da democracia no meu país, que superou o ódio e a desinformação”. “A esperança venceu o medo”, afirmou. “Minha missão é de unir o Brasil e reconstruir um país soberano, justo, sustentável, solidário, generoso e alegre. O Brasil está reencontrando consigo mesmo, com o mundo e o multilateralismo. Não me canso de repetir, o Brasil está de volta”, acrescentou, sendo aplaudido no plenário. Visto o teor de um discurso bonzinho para todos ouvirem, no mundo real em plena transformação geopolítica, em geral como criticam o pessoal do CEA, há diversos confrontos entre grupos ideológicos no mundo, nas relações do comércio internacional, principalmente no comércio virtual, com o gigante chinês avançando sobre o ocidente de diversas formas, nas relações diplomáticas, nos embargos econômicos contra opositores, nos instrumentos de desafios de guerra como a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), nas diversas áreas em conflitos, inclusive de fronteiras, as questões de emigrantes, o aumento das desigualdades sociais internas e entre países, o aumento da pobreza e da fome, as questões de mudanças climáticas, ou seja, uma tremenda ebulição de problemas, mudanças e conflitos, muito diferentes do mundo do presidente do Brasil. Se vê a China comprando terras na África e na América do Sul, assim como Arábia Saudita, Egito e Japão comprando áreas na África e Austrália.  Há mudanças na geopolítica mundial geral. O Brasil e seu presidente têm apresentado nos diversos Fóruns Mundiais que tem participado, pautas ainda do século 20 e/ou dos anos 2000, ou seja, são pautas atrasadas, como o contínuo pedido de aumento de vagas no Conselho de Segurança da ONU para “países ditos emergentes”, mudanças nas Instituições multilaterais, (ONU, FMI, OMC, Banco Mundial), etc, etc, etc…, acabar com as desigualdades entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, acabar com a pobreza e com a fome, salvar a Amazônia. Sem levar em consideração os fatores sociais e econômicos, pois as respectivas estruturas de países não são semelhantes, pois cada sociedade é diametralmente diferente, cultural, social e economicamente basilares diferentes. Assim como, tratar pauta para acabar com a pobreza e com a fome, os fatores são complexos, extenuantes e excludentes, sem horizontes onde essas questões possam ser anuladas e/ou exterminadas da face da terra. Eis algumas das questões para uma Nova Ordem Mundial.(*) Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador Sênior, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Compartilhe:​

Qual sua opinião? Deixe seu comentário