Volta do comércio favorece crescimento do PIM

Com a reabertura do comércio e o retorno às atividades no mês anterior, a produção industrial do Amazonas registrou alta recorde na passagem de maio para junho, reforçando o movimento de recuperação de dois dígitos registrados no mês anterior, deixando para trás a média nacional. O crescimento, contudo, segue fortalecido por uma base fraca, já que os impactos da crise da covid-19 ainda mostram seu esplendor na comparação com 2019. Os dados estão na pesquisa mensal para o setor, divulgada nesta terça (11).

Depois de avançar 17,3% em maio, a atividade industrial amazonense passou a segunda marcha e subiu mais 65,7% na variação mensal de junho de 2020. Não foi suficiente, contudo, para evitar que o resultado ficasse 10,4% abaixo do registro do mesmo mês de 2019. O Amazonas também não conseguiu tirar os acumulados do vermelho, nem o do ano (-19,6%), nem o de 12 meses (-5,4%).

O crescimento acima da média nacional (+8,9%) na passagem de maio para junho rendeu à indústria do Amazonas a escalada do terceiro para o primeiro, entre as 14 unidades federativas pesquisas pelo IBGE. O Estado ficou bem à frente do Ceará (+39,2%) e do Rio Grande do Sul (+12,6%). Na outra ponta Mato Grosso (-0,4%), Espírito Santo (+0,4%), e Bahia (+0,6%) figuraram no rodapé de uma lista com apenas um resultado negativo.

A despeito da queda no confronto com junho de 2019, a indústria amazonense conseguiu subir da penúltima para a oitava posição do ranking mensal do IBGE, em um patamar pouco abaixo da combalida média brasileira (-9%). Os melhores números vieram de Goiás (+5,4%), Pernambuco (+2,8%) e Mato Grosso (+1,6%). Em contraste, os piores desempenhos vieram de Espírito Santo (-32,4%), Ceará (-22,1%) e Bahia (-14,4%), em uma lista com apenas três dados positivos.

No acumulado do semestre, mesmo com queda, o Amazonas conseguiu subir da penúltima para a 12ª colocação, mas não deixou de se situar abaixo da média brasileira (-10,9%). Ganhou do Ceará (-22%) e do Espírito Santo (-20,8%). Em contrapartida, os melhores desempenhos vieram do Rio de Janeiro (+2,3%), Goiás (+0,9%) e Pará (-0,8%), em um panorama com apenas duas unidades federativas com crescimento de produção.  

Combustíveis e bebidas

Na comparação de junho com o mesmo mês do ano passado, a produção das indústrias extrativas despencou 17,2%, enquanto a atividade da indústria de transformação encolheu 10%. Esta última foi puxada para baixo por derivados de petróleo e biocombustíveis (-35,8%), bebidas (-21,9%), máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com 21%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, micro-ondas, condutores e baterias, com -7,5%).

Cinco dos nove segmentos da indústria de transformação investigados pelo IBGE no Amazonas conseguiram fechar no azul, na mesma comparação: impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com +84,7%), produtos de borracha e material plástico (+26,6%), “outros equipamentos de transportes” (motos, com +15,2%), produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear e estruturas de ferro, com +10,9%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares e computadores, com +9,1%).

No acumulado do ano, as únicas atividades da indústria de transformação que alcançaram incremento foram impressão e reprodução de gravações (+24,2%) e máquinas e equipamentos (+9,7%). Do outro lado, as principais influênciaas negativas vieram das linhas de produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (-28,7%), “outros equipamentos de transportes” (-27,9%) e bebidas (-22,8%).

Demanda ou insumos

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, apontou que o dinamismo detectado em cinco segmentos industriais potencializou o crescimento entre os meses, mas ponderou que ainda é cedo para comemorar, porque os acumulados anual e dos últimos 12 meses ainda estão “fortemente negativados” no Amazonas. 

“No grupo das atividades que cresceram, destaca-se alguns produtos dos mais importantes, como televisores, celulares e motocicletas. No entanto, há outras cinco atividades que apresentaram queda. Os motivos, nesse momento, podem ser os mais diversos, desde a falta de demanda, ou até mesmo a indisponibilidade de matéria-prima”, considerou.

Expectativa otimista

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, informou ao Jornal do Commercio que o PIM já aguardava que a tendência de crescimento esboçada em maio se mantivesse em junho e salientou que a manufatura amazonense teve um desempenho de recuperação “bastante firme” no período, suplantando a média brasileira.

“Com isso, vamos gradativamente nos recuperando do baque provocado pela Sars-Covid-19. Conforme forem sendo retomadas as atividades econômicas no restante do país, maior será a possibilidade de retornarmos a um patamar de produção similar ao que tínhamos antes da pandemia. As expectativas para os próximos meses são otimistas, principalmente se o mês de julho confirmar nossas previsões de aumento de produção e faturamento”, arrematou.

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