8 de maio de 2021

Venda de veículos retrai em janeiro no Amazonas

Em sintonia com as incertezas trazidas pela segunda onda e pelo isolamento social no Amazonas, as vendas locais de veículos automotores reverteram dois meses seguidos de crescimentos mensais e engataram marcha ré, em janeiro. No total, foram comercializadas 2.146 unidades no Estado, no mês passado, 65,25% a menos do que no registro de dezembro (6.176), e 52,19% abaixo do patamar de janeiro de 2020 (4.489). O desempenho do Estado ficou abaixo da média nacional em todas as comparações.

veículos
Vendas de veículos em janeiro teve uma redução de 65,25% em comparação à dezembro

Os dados regionais foram disponibilizados pelo portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nesta terça (2). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Ao contrário do ocorrido no mês passado, o desempenho do Estado veio abaixo do apresentado pela média do mercado brasileiro, no mesmo período. De acordo com a base de dados da Fenabrave, as vendas nacionais caíram 24,52% na comparação de janeiro de 2021 (274.093) com dezembro de 2020 (363.142). Em relação aos resultados do mesmo mês de 2019 (298.459), a retração foi de 8,16%. 

Todas as sete categorias listadas pela Fenabrave engataram marcha a ré, na variação mensal – no mês anterior tinha sido apenas uma. A maior baixa proporcional veio das motocicletas (-72,09%), que não passaram das 678 unidades, em janeiro. Na sequência estão os automóveis convencionais (-66,42% e 952), “outros” (-55,26% e 17) – que incluem tratores e máquinas agrícolas –, implementos rodoviários (-52,78% e 34), caminhões (-45,71% e 57), ônibus (-43,24% e 42) e comerciais leves (-41,25% e 366).

Carros de passeio seguiram como a categoria mais vendida, em janeiro. E, apesar do recuo das vendas, inverteram a tendência de queda dos meses anteriores e aumentaram sua fatia no bolo no confronto dos acumulados de 2020 e de 2019 – de 39,99% para 44,37%. Motocicletas comparecem novamente na segunda posição e seguiram na direção contrária, ao reduzir sua participação nas vendas globais na mesma comparação – de 40,05% para 31,59%.

Em depoimentos anteriores, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre o faturamento e o emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado. Empresários do segmento, no entanto, ressaltam que as vendas esfriaram na virada do ano. 

Pandemia e incertezas

No entendimento do sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, avalia que a segunda onda de covid-19 e o isolamento social geraram impactos significativos para a atividade de vendas de veículos, tanto para os novos, quanto para os seminovos e usados. O empresário destaca ainda que o efeito Ford, assim como a persistente escassez de partes e peças nas demais indústrias automobilísticas brasileiras, também inibiram o potencial do mercado.  

“A questão do fechamento do showroom impactou bastante em janeiro e tivemos uma queda grande nas vendas. Para seminovos, que é o nosso segmento, houve uma baixa grande na procura em relação a dezembro. Com o fechamento de fábricas, e a escassez de produtos, os preços seguem aumentando por uma questão de oferta e demanda. A procura segue grande para comerciais leves e utilitários. Mas, para SUVs e importados, que tiveram um segundo semestre bastante movimentado, em 2020, está bem fraco”, avaliou.

Segundo o sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, o recuo mensal nas vendas da empresa se situou próximo da casa dos 40% e se deveu especialmente ao lockdown e à volta da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), além do encerramento do auxílio emergencial, cuja injeção de liquidez mensal vinha vitaminando as vendas. Apesar da disponibilidade de vendas, online, as perspectivas seguem nebulosas para o mercado, conforme Barbosa.

“As parcelas de financiamento aumentaram e o dinheiro parou um pouco de circular. Neste momento, as incertezas são mais fortes, e elas têm prejudicado muito o nosso setor. Nossa projeção é de um fevereiro também tímido e ficamos no anseio do retorno às atividades, para voltarmos, aos padrões normais de venda em março, na melhor das hipóteses”, ponderou. 

ICMS e lockdown

Em nota divulgada à imprensa, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, atribuiu a retração nos números de janeiro aos impactos econômicos da segunda onda de covid-19 em todo o país, mas não deixou de apontar o reajuste do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o produto, no Estado de São Paulo – que responde pela maior parte das vendas de veículos no Brasil.

“A alíquota sobre veículos novos passou de 12% para 13,3%, e, para os usados, subiu de 1,8% para 5,52%. Além disso, com a fase vermelha no Estado, as concessionárias ficaram impedidas de funcionar no último final de semana do mês. Se considerarmos que São Paulo responde por mais de 23% das vendas de veículos novos e por cerca de 40% das transações de usados no país, podemos ter a dimensão dos estragos”, desabafou.

Além do lockdown e do aumento do ICMS paulista, o dirigente citou também os problemas interrupções de produção – gerados por falta de componentes – e o fim da produção da Ford, como fatores que contribuíram para estrangular a oferta de modelos nas revendas. “Já vínhamos acompanhando as dificuldades que as montadoras, de forma geral, estão enfrentando com relação ao fornecimento de peças e componentes. Este gargalo se intensificou em janeiro, diminuindo, ainda mais, a oferta de produtos”, encerrou o presidente da Fenabrave. 

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