Venda de veículos no Amazonas acima da média nacional

As vendas de veículos automotores engataram o segundo crescimento mensal seguido, ao final de dezembro, e ultrapassaram a média nacional. No total, foram comercializadas 6.176 unidades no Estado, no mês passado, 11,66% a mais do que no registro de novembro (5.531). O desempenho também foi 8,27% melhor do que o de dezembro de 2019 (5.704), mas ainda insuficiente para repor as perdas impostas pela crise da covid-19, já que o segmento fechou 2020 (51.833) com recuo de 7,08% no confronto com 2019 (55.783).

Os dados regionais foram disponibilizados pelo portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nesta terça (5). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Ao contrário do ocorrido no mês passado, o desempenho do Estado veio acima do apresentado pela média do mercado brasileiro. As vendas nacionais subiram 8,62% na comparação de dezembro (363.163) com novembro (334.349) de 2020. Em relação aos resultados do mesmo mês de 2019 (370.748), entretanto, houve retração de 2,05%. Os 3.162.851 veículos emplacados de janeiro a dezembro, em todo o país, ainda representam queda de 21,63% sobre o mesmo aglutinado de 2019 (4.036.046).

Das sete categorias listadas pela Fenabrave, seis registraram vendas maiores no Amazonas, na variação mensal – duas a mais do que no mês anterior. A maior alta proporcional veio dos implementos rodoviários (+38,46%), que totalizaram venda de 72 unidades em dezembro. Na sequência estão os comerciais leves (+37,53% e 623), os caminhões (+31,25% e 105), motos (+14,04% e 2.429), “outros” (+5,56% e 38) – que incluem tratores e máquinas agrícolas – e automóveis convencionais (+5,23% e 2.835). Em contrapartida, ônibus (-13,95% e 74) registraram a única queda mensal.

Carros de passeio seguiram como a categoria mais vendida, no mês passado. Mas, assim como ocorrido em meses anteriores, continuaram diminuindo sua fatia no bolo. Desta vez, a redução foi de 46,55% para 43,54%, no confronto dos acumulados de 2020 e de 2019. Motocicletas comparecem novamente na segunda posição e seguiram na direção contrária, voltando a elevar sua participação no bolo, de 36,86% para 39,41%, na mesma comparação.

Em depoimentos anteriores, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre o faturamento e o emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado. Empresários do segmento, no entanto, ressaltam que a demanda segue aquecida e que o mercado só não cresce mais por falta de veículos para vendas. 

Pandemia e fechamento

O sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, avalia que tanto o mês, quanto o ano, foram positivos para as vendas, a despeito das dificuldades. De acordo com o empresário, a escassez de veículos novos fez com que o consumidor optasse por seminovos, com a redução de juros e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), favorecendo o crescimento mês a mês volume de vendas, a partir da reabertura gradual de junho.

“No setor de seminovos, que é o onde atuamos, tivemos um ano bastante positivo, com uma média de aumento de 50% na comparação dos acumulados de 2019 e 2020. O primeiro lockdown fez com que migrássemos nosso atendimento para o atendimento online com uma rapidez muito grande, pois com o showroom fechado, era a forma que tínhamos de continuar vendendo e amenizar o prejuízo”, comentou. 

Com o fechamento dos segmentos não essenciais determinado pelo Decreto nº 43.269 – que inclui as lojas de veículos –, Yuri Barbosa avalia que deve haver uma redução inicial significativa nas vendas, como aconteceu entre março e junho do ano passado, no pico anterior da pandemia. A avaliação do sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, contudo, é que a reabertura do mercado, após o refluxo de internações e mortes pela doença, deve gerar um boom semelhante ao do segundo semestre de 2020.

“Continuaremos com as vendas on-line. Os mesmos motivos que impulsionaram as vendas naquela época estão ocorrendo hoje: indústria fechada, aumento de preços, escassez de produtos e juros ainda baixos. Ressalto que não vejo o comércio como o causador desta segunda onda de covid. Creio que, atendendo a todos os requisitos, era preferível o comércio aberto, pois teremos bastante desemprego e empresas indo a falência novamente”, opinou. 

Acima das estimativas

Embora tenha liberado os dados, a assessoria de imprensa da Fenabrave não divulgou texto sobre o fechamento de 2020. Em depoimento anterior, o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, preferiu não mexer nas projeções globais de vendas de veículos, que apontavam para uma queda de 29,4%, ao final de 2020. Os números, como visto, superaram as estimativas, ainda que tenham ficado no vermelho. 

Em relação às vendas de automóveis e comerciais leves, o dirigente considera que, nos últimos meses, os clientes vinham apresentando confiança na decisão de compra, aproveitando o momento de crédito disponível, mas não deixou de ressaltar que a produção ainda estava aquém dos patamares pré-pandemia, gerando problemas na disponibilidade de determinados modelos, diante do aquecimento da demanda. Sobre as motocicletas, o dirigente reforçou que a crise da covid-19 consolidou o veículo para translado de bens e mercadorias, assim como de pessoas – para evitar riscos de contágio no transporte coletivo.

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