Subsistência cai no Amazonas, aponta pesquisa do IBGE

Dono da maior zona rural do país, o Amazonas tem apenas 20,91% de seus habitantes fora de regiões urbanas e viu o trabalho de subsistência cair em 2019. A queda veio depois de dois anos seguidos de alta e situou o Estado abaixo da média brasileira. A produção para consumo próprio é mais frequente nos municípios do interior amazonense, especialmente entre os homens de baixa instrução e de idade elevada. 

A conclusão vem da análise dos dados do suplemento “Outras Formas de Trabalho”, da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) de 2019, elaborada pelo IBGE. A mesma sondagem levantou também dados sobre cuidados de pessoas, trabalho voluntário e de afazeres domésticos, mediante cor, sexo, idade e grau de instrução.

Em 2019, 220 mil amazonenses com 14 anos de idade ou mais realizavam produção para próprio consumo, o que correspondia a 7,3% da população do Estado. Foi um percentual abaixo da média do país (7,5%), que registrou 12,79 milhões de pessoas nessa condição, no mesmo período. Assim como ocorrido no Brasil, houve recuo em relação a 2018 (8% e 236 mil), após dois anos seguidos de crescimento, em 2016 (6,9% e 192 mil) e 2017 (7,2% e 204 mil).  

As taxas variam segundo proporção de tamanho das zonas rurais e nível de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). As unidades da federação onde a taxa foi maior foram Piauí (22,3%), Maranhão (14,9%) e Acre (12%). Em sentido contrário, unidades da federação com maiores taxas de urbanização e indicadores sociais melhores apresentaram os menores percentuais de trabalho sem produção com valor de troca, a exemplo do Rio de Janeiro (1,7%), Distrito Federal (2,5%) e São Paulo (2,7%).

Na divisão por gênero, a taxa de realização das atividades de subsistência é marcadamente masculina no Amazonas, situando o Estado acima da média nacional nesse caso (8%). Em torno de 9,4% (140 mil) dos homens residentes no Amazonas produziam apenas para sobreviver, no ano passado, fatia bem maior do que a das mulheres (5,2% e 79 mil). Em Manaus, que conta com números comparativamente reduzidos em virtude da urbanização, a respectiva divisão se deu em 0,5% e 0,4%.

As etnias de cor parda – que incluem os indígenas – apresentam maior propensão ao trabalho de subsistência no Amazonas (7,7%) e em Manaus (0,5%), fatia bem maior do que a dos brancos (3,8% e 0,4%). É a escolha de 7% dos afrodescendentes residentes no Estado e de nenhum dos que vivem na capital amazonense. 

Idade e instrução

Em relação à faixa etária, a quantidade de amazonenses que produzem apenas para si mesmos sobe conforme a idade, saindo de 5% (entre 14 a 24 anos), passando por 7,4% (de 25 a 49) e culminando com 9,4% (acima dos 50). O mesmo padrão é verificado na capital, embora com taxas menores: 0,2%, 0,3% e 1%, na ordem.

O grau de instrução é outra variável importante. A subsistência é mais frequente entre os amazonenses sem instrução e fundamental incompleto (14,4%). A taxa decai, conforme a escolaridade avança, para 6,5% (fundamental completo e médio incompleto), 3% (médio completo e superior incompleto) e 1,5% (superior completo). Em Manaus, os números vão de 1,3% a 0,2%, sob a mesma lógica.

Tipos de atividade

No Amazonas, o trabalho que não é voltado para o mercado concentra maior participação de pessoas no cultivo, pesca, caça e criação de animais (85,5%). Na sequência, vem a produção de carvão, corte ou coleta de lenha, palha ou outro material (14,7%); construção de prédio, cômodo, poço ou outras obras de construção (8,4%) e fabricação de calçados, roupas, móveis, cerâmicas, alimentos ou outros itens (6,5%). Em Manaus, os respectivos percentuais foram 55,6%, zero, 23,7% e 20,7%.

Em termos de média de horas trabalhadas para consumo próprio, contudo, a construção desponta em primeiro lugar no Estado, com 14,3 horas por trabalhador, em média. Agropecuária (9,9) aparece na segunda posição, sendo seguida por fabricação de itens domésticos (8,3) e o trabalho com carvão, lenha e palha (5,2). A capital aparece 26,4 horas, 10,3 horas, e 6,7 horas, respectivamente – a última atividade está restrita ao interior.

No Estado, as pessoas que consomem apenas o que produzem costumam ser majoritariamente ocupados profissionalmente (8,9%), em detrimento dos desocupados (5,5%). Na capital, por outro lado, as proporções se invertem (0,3% e 0,6%, respectivamente), em sintonia com a média nacional (6,5% e 8,6%), sinalizando que a atividade surge mais como uma rota de escape do aperto econômico, do que opção cultural.

“Atividades de campo”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, observa que, no Amazonas, a produção de bens para o consumo próprio está mais ligada às “atividades de campo”, daí a prevalência do sexo masculino. E, como a população amazonense é “massivamente parda”, principalmente na zona rural, é essa etnia que prevalece nessas atividades econômicas.

“A produção está mais relacionada com a população residente no interior do Estado e mais precisamente na zona rural. Essa é uma característica que prevalece no Amazonas, principalmente em função da enorme oferta de produtos da fauna e da flora disponível para as populações rurais. A caça e a pesca prevalecem e a taxa de produção aumenta, quanto mais baixa for a escolaridade”, arrematou.

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