As horas extras de trabalho das mulheres

Mulheres superam homens em dedicação a quase todas as atividades domésticas, no Amazonas, com exceção de pequenos reparos na casa e no automóvel. Na capital, as mulheres com ocupação profissional (14,9) consomem muito mais horas semanais no chamado “trabalho invisível” do que os homens em igual situação (10,4). Entre os manauenses sem atividade remunerada, a diferença é ainda maior – 18,9 horas contra 12,3 horas, respectivamente.

Os dados são do suplemento “Outras Formas de Trabalho”, da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) de 2019, que levantou dados ainda sobre cuidados de pessoas, produção para o próprio consumo e trabalho voluntário. A mesma sondagem aponta que, no Estado, somente quando o homem mora sozinho, seus afazeres domésticos se equiparam às mulheres.

Em 2019, 2,4 milhões amazonenses de 14 anos ou mais de idade tinham realizado afazeres domésticos no próprio domicílio ou em casa de parente, o que corresponde a 81,5%, abaixo da média nacional (85,6%). Houve queda em relação a 2018, tanto para o Estado (-4,1 pontos percentuais), quanto para a capital (-6 p.p.). Na divisão por gênero, 89,5% eram mulheres e 73,4%, homens. A distância é maior do que a verificada na média nacional, onde os percentuais foram de 92% e de 78,5%, respectivamente.

A maior diferença da taxa de realização de afazeres domésticos entre gêneros foi encontrada na Região Nordeste (21 p.p.), com 69,2% para homens e 90,2% para as mulheres. Em segundo lugar veio o Norte, com 76,9% contra 91,4%, respectivamente. Na outra ponta, os Estados do Sul apresentam a menor distância entre participação masculina (84%) e feminina (93,6%) nos cuidados da casa.

A taxa de realização do chamado “trabalho invisível” no Amazonas variou também mediante idade. A menor taxa de realização tarefas domésticas ocorreu entre homens de 14 a 24 anos (69,2%) e a maior entre mulheres de 25 a 49 anos (91,7%). O mesmo se deu em Manaus, com percentuais respectivos de 69,1% e de 90,3% para os dois tipos de público.

Segundo o IBGE, o cumprimento do trabalho domiciliar no Amazonas aumenta conforme cresce o nível de instrução, sobretudo no sexo masculino. Entre os homens sem instrução ou com fundamental incompleto a taxa foi de 78,9%, ao passo que aqueles que contavam com ensino superior completo apresentaram um número maior (82,6%). Vale notar que a diferença, no caso das mulheres foi bem menor em ambos os casos e não passou de 2,5 p.p. Em Manaus, a taxa aumenta para as mulheres com fundamental completo e médio incompleto (90,9%) e é maior para homens com superior completo (74,7%).

Tipos de tarefa

O levantamento do IBGE agrupou os afazeres domésticos em oito conjuntos, incluindo as atividades de cozinha; limpeza de roupas e calcados; manutenção do domicílio, automóvel e eletrodomésticos; limpeza dos ambientes do lar; administração de contas e serviços do domicílio; compras e pesquisa de preços; cuidado de animais domésticos; e “outras tarefas domésticas”.

No Amazonas, a atividade com maior percentual de pessoas foi a de preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar a louça (84,7%), seguida pela limpeza ou manutenção de roupas e sapatos (75,3%), e limpar ou arrumar o domicílio (75,8%). O menor percentual foi percebido no cuidado de animais domésticos (66,2%). Em Manaus, preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar louça (88,7%) foi o maior afazer doméstico, enquanto cuidar de animais domésticos (48,9%) também foi o menor.

As diferenças entre gêneros são reforçadas no Amazonas pela segmentação de tarefas domésticas, aponta o IBGE. Atividades ligadas à alimentação, limpeza e arrumação ainda estavam muito concentradas nas mulheres, enquanto a realização de pequenos reparos foi a única atividade na qual os homens tiveram percentual de realização maior que o das mulheres – 66,6% contra 54,1%, respectivamente.

A análise do tipo de afazer por condição no domicílio mostra que homens só se equiparam às mulheres nos cuidados da casa quando vivem sozinhos. Quando estão em coabitação, seja como responsável pelo domicílio ou cônjuge, a participação nos trabalhos do lar se reduz sensivelmente. Em contraste, as mulheres não apresentam grandes diferenças nesse quesito, independentemente de sua condição na casa ou de viver sozinha ou não.

Machismo e quarentena

Para o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, o que se percebe na sondagem "Outras Formas de Trabalho", é a predominância do gênero feminino em todas as variáveis, como um reflexo do machismo. Isso mostra, aponta o pesquisador que as mulheres conseguem lidar com muitas outras atividades com maior frequência que os homens, mesmo cuidando do lar e dos filhos. 

“Mais estudo e mais idade também colaboram, principalmente nos afazeres domésticos e no trabalho voluntário. Talvez por uma questão de cultura, o homem saia menos de sua zona de conforto. Isso ocorre somente quando ele é obrigado, como é o caso daqueles que moram sozinhos. Acredito que esse período de quarentena deve ter exacerbado essas diferenças, mas não creio que a maioria vai mudar os costumes no período pós-pandemia. É claro que isso vai depender de cada um”, arrematou. 

Fonte: Marco Dassori

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