22 de abril de 2021

Setor de serviços volta a submergir em outubro

O setor de serviços do Amazonas interrompeu uma sequência de cinco altas mensais e voltou a submergir, em outubro. Em sintonia com o repique dos números da pandemia e o corte de 50% no auxílio emergencial, o Estado foi na contramão da média nacional, tanto em volume, quanto em receita nominal. Com isso, ficou mais longe de conseguir reverter as perdas acumuladas pelo isolamento social, nos meses de pico da pandemia. É o que se conclui a partir dos dados da pesquisa mensal do IBGE, divulgados nesta sexta (11). 

O volume de serviços caiu 3,8% frente a setembro de 2020, em desempenho bem aquém ao do levantamento anterior, já revisado (+5,1%). No confronto com outubro de 2019, a trajetória também recuou, retornando ao terreno negativo (-1,5%) – contra os +8,7% de 30 dias antes. O acumulado do ano (-0,7%) continuou no vermelho, ao passo que o aglutinado de 12 meses ainda cresceu 0,9%. Mas, o Estado só foi batido pela média nacional (+1,7%, -7,4%, -8,7% e -5,8%, respectivamente) na variação mensal.

Apesar do tombo mensal de outubro, o Estado conseguiu escalar da sétima para a quinta posição entre as 27 unidades federativas do país. O pódio foi ocupado por Bahia (+10,8%), Mato Grosso do Sul (+4,7%) e Sergipe (+4,4%), na ordem. Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Rondônia (-8,2%), Mato Grosso (-8%) e Piauí (-4,4%), em uma lista com 11 Estados no vermelho.

Mesmo com número negativo, o Amazonas conseguiu se segurar segunda colocação do ranking nacional, no ranking nacional da variação do acumulado dos dez meses iniciais do ano. Ficou atrás apenas de Rondônia (+1,7%) – novamente, o único desempenho positivo da lista –, mas voltou a superar o Mato Grosso (-1,7%) – que renovou a baixa. Em contrapartida, Alagoas (-19%), Bahia (-17,2%) e Rio Grande do Norte (-16,5%) figuraram no rodapé.

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação – desabou com mais força. A queda foi de 5,5%, entre setembro e outubro, ficando bem distante do numero anterior (+2,5%). O mesmo se deu no confronto com o outubro de 2019, onde a retração foi de 2,1%. O setor se manteve no campo negativo no acumulado do ano (-0,8%), mas ainda conseguiu ficar no azul no aglutinado dos últimos 12 meses (+1,9%). Os respectivos números brasileiros foram: +2,4%, -5,8%, -8% e -5,8%.

Com o decréscimo na variação mensal da receita nominal, o Estado conseguiu despencar do segundo para o 25º lugar no ranking nacional do IBGE. Só ficou à frente de Mato Grosso (-7,1%) e Rondônia (-6,9%). Em sentido inverso, Bahia (+14,7%), Roraima (+9,4%) e Distrito Federal (+6,2%) alcançaram os melhores números de um rol com 20 desempenhos positivos.

Com a variação acumulada também negativa na receita nominal, o Amazonas amargou queda da segunda para a terceira colocação, em todo o país. Foi precedido por Rondônia (+0,9%) – novamente, a única unidade federativa do ranking a apresentar crescimento – e ficou à frente do Mato Grosso (-0,3%). As maiores retrações, neste cenário, se situaram em Alagoas (-18,1%), Bahia (-16,9%) e Sergipe (-15%).

Mercado financeiro

Por trabalhar com amostragens pequenas, o IBGE-AM não fornece dados detalhados sobre a evolução segmentada dos serviços no Amazonas. Em âmbito nacional, sabe-se que quatro das cinco atividades pesquisadas cresceram, na passagem de setembro para outubro: serviços prestados às famílias (+4,6%), informação e comunicação (+2,6%), transportes (+1,5%) e atividades turísticas (+7,1%). A única baixa veio de “outros serviços” (-3,5%) – embora tenha sido também o único resultado positivo do acumulado (+6,4%).

“O segmento [de ‘outros serviços’] se encontra acima do patamar de fevereiro, antes dos efeitos da pandemia. Essa atividade vem sendo impulsionada principalmente pelo aumento das receitas das empresas que atuam nas atividades de corretoras de títulos, valores mobiliários e mercadorias, além de administração de bolsas e mercados de balcão organizados”, comentou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE.

Alimentação e transportes

O presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Amazonas), Fabio Cunha, lembrou que, em outubro, o segmento de alimentação ainda estava sendo fortemente atingido pelo maior rigor nos protocolos estaduais anti-pandemia, que se seguiu ao aumento dos casos de covid-19, na capital amazonense. Como consequência, os bares foram fechados e os restaurantes sofreram maior restrição de horários. Segundo o dirigente, as coisas melhoraram em novembro e dezembro, com o relaxamento das medidas, mas o desempenho segue acanhado.

“O movimento caiu 50% neste último bimestre, quando comparado ao mesmo período de 2019. Muito disso se deve às próprias limitações impostas pelos protocolos de segurança, mas também ao fato de que as pessoas estão saindo e gastando menos. Nesse tempo em que os bares ficaram fechados e os restaurantes operaram com mais restrições, perdemos o equivalente a um mês de faturamento na atividade. Isso, claro, sem falar nos meses de pico da pandemia. Não dá para ser otimista. Vivemos um momento de incerteza, pois outros Estados já estão até implementando lockdown na atividade”, desabafou.

Em depoimento anterior à reportagem do Jornal do Commercio, 1º secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas), Augusto Neto, informou que, no último trimestre do ano, o setor de transportes local vinha alcançando índices de crescimento de 20% a 30% sobre março – mês em que os efeitos da pandemia mal tinham começado. “Sabemos que é temporário, em virtude do movimento natalino. Esperamos encerrar 2020 com um zero a zero, e melhorar no próximo ano”, finalizou. 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email