25 de fevereiro de 2021

Serviços no Amazonas seguem em alta em setembro

O setor de serviços do Amazonas emendou seu quinto resultado positivo mensal, em setembro. A despeito da sinalização de repique da pandemia e o corte de 50% no auxílio emergencial, o crescimento veio com mais força no mês, superando a média nacional. O desempenho deixou o setor mais próximo de reverter as perdas acumuladas em decorrência da crise da covid-19 e do isolamento social, nos meses de pico da pandemia. É o que se conclui a partir dos dados da pesquisa mensal do IBGE, divulgados nesta quinta (12). 

O volume de serviços subiu 5,4% frente a agosto de 2020, o dobro do levantamento anterior, já revisado (+2,7%). No confronto com setembro de 2019, a trajetória entrou em terreno positivo, com elevação de 8,4% – contra os -0,3% de 30 dias antes. Faltou pouco para tirar o acumulado do ano (-0,6%) do vermelho, ao passo que o aglutinado de 12 meses cresceu 1,2%. Com isso, o Estado bateu a média nacional em todas as comparações: +1,8%, -7,2%, -8,8% e -6%, respectivamente.

A alta reforçada na comparação com agosto fez o Estado escalar da 16ª para a sétima posição entre as 27 unidades federativas do país. O pódio foi ocupado por Piauí (+11,9%), Mato Grosso do Sul (+9,1%) e Roraima (+8,4%), na ordem. Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Rio de Janeiro (-0,5%), Tocantins (0%), Rondônia, Amapá e Pernambuco (os três empatados com +0,4%).

No acumulado dos nove meses iniciais do ano, o número menos negativo do que o da sondagem anterior rendeu ao Amazonas a subida da terceira para a segunda colocação do ranking nacional. Ficou atrás apenas de Rondônia (+3,4%) – novamente, o único desempenho positivo da lista –, mas superou o Mato Grosso (-1%) – que renovou a baixa. Em contrapartida, Alagoas (-19,4%), Bahia (-18,4%) e Rio Grande do Norte (-17%) figuraram no rodapé da lista.

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação – teve desempenho melhor. Subiu 9,4%, entre agosto e setembro (+9,4%), superando o numero anterior (+2,8%). O mesmo não se deu no confronto com o setembro de 2019, onde a expansão foi de 5,2%. O setor se manteve no campo negativo no acumulado do ano (-0,7%), mas conseguiu ficar no azul no aglutinado dos últimos 12 meses (+2,9%). Os respectivos números brasileiros do período foram: +2%, -7,5%, -8,1% e -4,7%.

Com a elevação reforçada da variação mensal, o Estado conseguiu decolar do 21º para o segundo lugar no ranking do IBGE. Só perdeu para o Piauí (+16,6%), mas ganhou de Roraima (+8,8%). Em sentido inverso, Rio de Janeiro (-0,5%), Distrito Federal (+0,4%) e Rondônia (+0,5%) amargaram os piores números de uma lista com apenas um desempenho negativo.

Mesmo sustentando variação acumulada negativa, o Amazonas conseguiu avançar da terceira para a segunda colocação, em todo o país. Foi precedido por Rondônia (+3%) – novamente, a única unidade federativa do ranking a apresentar crescimento –, mas ficou à frente do Mato Grosso (-1,1%). As maiores quedas, neste cenário, se situaram em Alagoas (-18,4%), Bahia (-18%) e Piauí (-15,5%).

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a atividade vem apresentando boas performances, nos últimos meses, e tende a fechar o ano no azul. “Em setembro, ela recuperou a forte perda ocorrida em abril. Mas, o desempenho anual continua negativo em menos de 1%. A expectativa é que, nos próximos meses, o resultado continue em alta para que, em dezembro, a atividade feche o ano positivamente. As perspectivas são boas, uma vez que os últimos meses do ano costumam potencializar as áreas de prestação de serviços às pessoas e às famílias”, afiançou.

Transportes aquecidos

Por trabalhar com amostragens pequenas, o IBGE-AM não fornece dados detalhados sobre a evolução segmentada dos serviços no Amazonas. Em âmbito nacional, sabe-se que quatro das cinco atividades pesquisadas cresceram na passagem de agosto para setembro. Apenas serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) recuaram. 

Já o setor de outros serviços (+4,8% na variação mensal e +6,1% na acumulada) foi o único a superar o nível pré-pandemia, refletindo a alta nos serviços financeiros e auxiliares. O transporte aéreo subiu 19,2%. Outra atividade em destaque foi a de informação e comunicação (+2%), sendo que o segmento de tecnologia da informação (+6,5%) já dá sinais de recuperação. Mais afetados pela pandemia, serviços prestados às famílias (+9%) e transportes (+1,1%), tiveram importância mais moderada no resultado do mês.

O setor de transportes local também vem alcançando desempenho positivo nos últimos dois meses, embora ainda não tenha conseguido reverter as perdas impostas pela pandemia, segundo informa o 1º secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas), Augusto Neto.

“Estamos com índices de crescimento de 20% a 30% sobre março, mês em que os efeitos da pandemia mal tinham começado. Sabemos que é temporário e em virtude do movimento natalino. O mercado está aquecido, mas não será possível conseguir fechar o ano com alta. Esperamos encerrar o período com um zero a zero, e melhorar no próximo ano, o quanto antes”, arrematou.

Beleza e alimentação

Em depoimento anterior à reportagem do Jornal do Commercio, a presidente do Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabelereiros, Institutos de Beleza e Similares de Manaus, Antonia Moura de Souza, informou que a pandemia custou uma redução de 10% no número de empresas locais, entre fechamento e fusões. Mas salientou que os índices de crescimento do subsetor – de 30% a 40% sobre o período mais crítico da crise da covid-19 – têm gerado muitas novas aberturas e atraído profissionais de outras áreas, apesar das restrições impostas pelos protocolos sanitários.

Igualmente em ocasião anterior, o presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Amazonas), Fabio Cunha, assinalou que, embora o subsetor tenha se mantido aquecido de julho a setembro, o faturamento caiu 50% na comparação com “um movimento normal”, em razão das restrições sanitárias impostas pela covid-19. A expectativa era encerrar o ano empatado com 2019, mas as novas restrições do governo estadual ao funcionamento das empresas mudou o cenário.  

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