7 de março de 2021

Serviços no Amazonas estavam em recuperação em 2020

Depois do tropeço de outubro, o setor de serviços do Amazonas voltou a emergir, em novembro. Em sintonia com a flexibilização para bares e restaurantes, e os preparativos para as festas de fim de ano, em um panorama ainda sem segunda onda de covid-19, o Estado subiu com mais força do que a média nacional, tanto em volume, quanto em receita nominal. Com isso, ficou mais perto de conseguir reverter as perdas acumuladas pelo isolamento social, nos meses de pico da pandemia. É o que se conclui a partir dos dados da pesquisa mensal do IBGE, divulgados nesta quarta (13). 

O volume de serviços no Estado subiu 3,7% frente a outubro de 2020, em desempenho assimétrico ao do levantamento anterior (-3,7%). No confronto com novembro de 2019, a trajetória também foi de alta, retornando ao terreno positivo (+3,9%) – contra -1,6% de 30 dias antes. Embora já encoste na linha divisória, o acumulado do ano (-0,3%) segue no vermelho, ao passo que o aglutinado de 12 meses cresceu 0,5%. O Amazonas bateu a média nacional (+2,6%, -4,8%, -8,3% e -7,4%, respectivamente) em todas as comparações.

Apesar do incremento mensal de novembro, o Estado não conseguiu sair da quinta posição, entre os maiores valores registrados nas 27 unidades federativas do país. O pódio foi ocupado por Acre (+9%), Alagoas (+8,7%) e Pernambuco (+5,2%), na ordem. Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Distrito Federal (-9,9%), Mato Grosso do Sul (-5,7%) e Roraima (-4%), em uma lista com sete Estados no vermelho e uma estagnação.

Com o desempenho mensal retornando ao azul, o Amazonas conseguiu subir da segunda para a primeira colocação do ranking nacional da variação acumulada nos 11 meses iniciais do ano passado. Rondônia (-0,6%) e Pará (-1,2%) vieram logo em seguida. Em contrapartida, Alagoas (-17,7%), Rio Grande do Norte e Bahia (ambos com -16%), além de Sergipe (-15,6%), figuraram no rodapé.

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação – avançou com menos força. A expansão entre outubro e novembro foi de 3,2%, ficando bem distante do numero anterior (-3,9%). O mesmo se deu no confronto com o novembro de 2019, onde o incremento foi de 3,5%. O setor se manteve no campo negativo no acumulado do ano (-0,4%), mas ainda conseguiu ficar no azul no aglutinado dos últimos 12 meses (+1%). Os respectivos números brasileiros foram: +2,7%, -4,1%, -7,6% e -6,5%.

Com o acréscimo na variação mensal da receita nominal, o Estado conseguiu decolar do 25º para o sétimo lugar no ranking nacional do IBGE. Acre (+11%), Alagoas (+7,3%), e Pernambuco (+5%) bisaram a liderança. Em sentido inverso, Distrito Federal (-10%), Roraima (-6,1%) e Mato Grosso do Sul (-4,5%) alcançaram os piores números de um rol com 21 desempenhos positivos.

Com a variação acumulada também positiva na receita nominal, o Amazonas saiu da terceira colocação do ranking nacional para retornar à segunda posição. Foi precedido por Mato Grosso do Sul (zero) – novamente, a única unidade federativa do ranking a ficar no azul – e ficou à frente de Rondônia (-0,7%). As maiores retrações, neste cenário, se situaram em Alagoas (-16,9%), Bahia (-15,6%) e Sergipe (-15%).

Isolamento e decretos

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a despeito da pandemia, o setor de serviços vem apresentando dados “bem positivos” no Amazonas. “Isso ocorre em função de que muitos recortes da atividade estão com fortes demandas de trabalho, justamente em função do isolamento social pelo qual passa a população. Se ainda não saiu de vermelho no acumulado do ano; a previsão é que isso ocorra no resultado de dezembro”, destacou.

Indagado sobre o eventual efeito da segunda onda da pandemia e do ziguezague nos decretos governamentais de fechamento de serviços não essenciais no Amazonas, o pesquisador do IBGE salientou que toda as ações podem influenciar no resultado final, mas salientou que outros segmentos do setor de serviços mais demandados no novo cenário podem compensar a eventual retração, nos números globais. “Atividades médicas, entregas, cuidados e segurança do lar estão em alta”, listou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, observa que as atividades do setor que encontram mais dificuldades em todo o país são as prestadas de forma presencial. “Restaurantes, hotéis, serviços prestados à família de uma maneira geral e transporte de passageiros – aéreo, rodoviário ou metroviário – até mostraram melhoras, mas a necessidade de isolamento social ainda não permitiu o setor voltar ao patamar pré-pandemia”, explicou. 

Transportes e famílias

Por trabalhar com amostragens pequenas, o IBGE-AM não fornece dados detalhados sobre a evolução segmentada dos serviços no Amazonas. Em âmbito nacional, todas as cinco atividades investigadas na sondagem tiveram crescimento na passagem de outubro para novembro, com destaque para os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+2,4%) e serviços prestados às famílias (+8,2%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (+2,5%).

Em entrevista à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento de Manaus), Aldo Oliveira, assinalou que o segmento teve um saldo equilibrado no período, após os impactos iniciais da pandemia. O dirigente diz que a necessidade de produção industrial e reposição de estoques gerou crescimento para as empresas, assim como a necessidade de distanciamento entre os assentos de passageiros implicou na necessidade de utilização de mais veículos. Por esse mesmo motivo, contudo, Oliveira vê no aquecimento do segundo semestre uma bolha gerada pelas “variáveis do momento”, que podem não gerar “soluções de continuidade” para 2021. 

“A reposição dos estoques vai normalizar e a produção vai se adequar à demanda real de mercado. Com o relaxamento das restrições e a saída da quarentena, o povo queria gastar fazer alguma coisa, como uma forma de remédio ou compensação pelo período de lojas, shoppings e balneários fechados. Mas, os reflexos da pandemia, a meu ver, ainda estão por vir. E a injeção de dinheiro pelo governo federal, com os auxílios emergências, não vai continuar”, encerrou. 

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