Produção industrial do PIM mantém crescimento em agosto

A produção industrial do Amazonas emendou a segunda variação anual positiva em agosto, desde a eclosão da pandemia. A expansão foi maior na comparação com julho –o segundo mês de reabertura das lojas de Manaus e de diversas capitais no país. É o que mostram os dados da pesquisa mensal para o setor, divulgada pelo IBGE, nesta quinta (8). O setor, contudo, perdeu fôlego e cresceu menos do que no comparativo anterior, além de não ter sido suficiente para chegar perto das perdas do ano acumuladas pela crise da covid-19, que se situaram na casa dos dois dígitos. 

Depois de avançar 13,9% no levantamento anterior, a atividade industrial amazonense reduziu a marcha, e registrou incremento de apenas 4,9%, na passagem de julho para agosto de 2020. A indústria amazonense também fechou novamente no azul na comparação com o mesmo mês de 2019 (+0,7%), mas a performance foi igualmente inferior à apresentada na pesquisa anterior (+6%). Os acumulados do ano (-13,7%) e dos últimos 12 meses (-5,7%), por sua vez, seguem devendo.

O crescimento da manufatura do Amazonas superou a média nacional (+3,2%) na variação mensal de agosto, mas isso não impediu que o Estado caísse do terceiro para o quinto lugar, entre as 14 unidades federativas pesquisas mensalmente pelo IBGE. Ficou atrás do Pará (+9,8%), Santa Catarina (+6%) e Ceará (+5,7%), e mais dois Estados. Na outra ponta, só Pernambuco (-3,9%), Espírito Santo (-2,7%) e Minas Gerais (-0,4%) pontuaram resultados negativos neste tipo de comparação.

A expansão sobre agosto de 2019 também fez a indústria local cair –da segunda para a quinta posição do ranking mensal do IBGE – mas o patamar seguiu bem acima da combalida média brasileira (-2,7%). Perdeu para Pernambuco (+10%), Ceará (+5,3%) e Rio de Janeiro (+4%). Em contraste, os piores desempenhos vieram de Espírito Santo (-14,7%), Paraná (-7,6%) e Bahia (-6,1%), em uma lista com apenas cinco números positivos.

Apesar da retração apresentada de janeiro a agosto, o Amazonas se segurou na 12ª colocação, mas perdeu para a média brasileira (-8,6%). O Estado só ficou à frente do Espírito Santo (-18,9%) e do Ceará (-14,8%). Em contrapartida, os melhores desempenhos vieram do Rio de Janeiro (+2,4%), Goiás (+1,8%) e Pernambuco (+0,9%), sendo os únicos a fecharem no azul no acumulado dos oito meses iniciais do ano.  

Plástico e discos

Na comparação de junho com o mesmo mês do ano passado, a produção das indústrias extrativas despencou 12,8%. A indústria de transformação (+1,4%) amargou baixas apenas nas linhas de produção de “outros equipamentos de transporte” (motocicletas, com -14,6%), de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com -10,3%) e de derivados de petróleo e biocombustíveis (gás natural, com -8,4%).

Em sentido contrário, seis dos nove segmentos da indústria de transformação investigados pelo IBGE no Amazonas conseguiram fechar no azul, na mesma comparação: produtos de borracha e material plástico (+40,4%), impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com +35,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares e computadores, com +12,7%), máquinas, equipamentos e aparelhos elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com +10%), produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear e estruturas de ferro, com +3%) e bebidas (+1,4%).

No acumulado de janeiro a agosto, a única atividade da indústria de transformação que alcançou incremento foi a de impressão e reprodução de gravações (+34,1%), enquanto a de máquinas e equipamentos pontuou estabilidade. Do outro lado, as principais influências negativas vieram das divisões industriais de derivados de petróleo e biocombustíveis (gás natural, com -23,4%), “outros equipamentos de transportes” (-21,9%) e bebidas (-16,1%) e produtos de borracha e material plástico (-9,2%). 

“Desafio de recuperação”

Para o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, os números do IBGE retratam o desempenho de uma indústria “respondendo positivamente” ao desafio de recuperação frente às perdas registradas no pico da pandemia. Em termos de nível de retomada, o dirigente destaca que os subsetores eletroeletrônico, informática, duas rodas e químico se apresentam como os mais promissores, na reta final de 2020.

“As festas de fim de ano, por mais que persistam as restrições sociais, irão promover uma aceleração no aumento da demanda, muito por conta da retomada do emprego em vários setores da economia. Mesmo tendo uma produção não tão essencial, temos boas probabilidades de aumento de produção e faturamento, principalmente nos subsetores eletroeletrônico e informática, cujos produtos estão tendo uma boa resposta de procura. A diminuição dos estoques atuais é mais um fator favorável ao crescimento produtivo e da força de trabalho”, asseverou.

Tendência de estabilização 

Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, em linhas gerais, os dados do IBGE confirmaram o ritmo de crescimento já era esperado pelas entidades representativas da indústria local. No entendimento do dirigente, à medida em que o distanciamento em relação ao período mais duro da pandemia aumenta, a tendência é que os números do setor sejam mais modestos, tendendo a uma estabilização no desempenho, até o fim do ano.

De acordo com Périco, a expansão de dois dígitos na produção de discos digitais deve ser relativizada em função da base de comparação fraca. Os resultados positivos da indústria plástica, por outro lado, confirmam fortalecimento do PIM, já que o segmento fornece para os fabricantes de bens finais de Manaus. Já o dado negativo de duas rodas se deve à falta de insumos –especialmente importados –, já que a pandemia inflou a demanda e desestabilizou as cadeias de suprimento globais. Por essa, entre outras razões, o médio e longo prazos ainda são um enigma para o setor.

“Em setembro, já devemos ter alcançado um crescimento menor e provavelmente vamos seguir no mesmo ritmo, até o fim do ano. Agora, o que vai acontecer no primeiro trimestre de 2021 ainda é uma incógnita. Tivemos um aumento nos empregos, nos últimos meses, e a procura deve aumentar. Ao mesmo tempo, tudo indica que o auxílio emergencial não será renovado e não sabemos o que vai acontecer com essas pessoas a partir daí, nem qual será o reflexo na economia”, finalizou. 

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