Produção de bicicletas no PIM registra crescimento em janeiro

O início do ano trouxe bons ventos para a produção das fabricantes de bicicletas instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus). O volume de unidades produzidas em janeiro (56.981), representou alta de 44,6% em comparação a dezembro, quando foram fabricadas (39.400). O resultado é considerado 1% maior que o mesmo mês do ano passado.  Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). 

O vice-presidente do segmento de bicicletas da entidade Abraciclo,  Cyro Gazola, afirma que as fabricantes do Polo Industrial de Manaus (PIM) concentram seus esforços para acelerar a produção e, com isso, atender à demanda que segue aquecida, uma vez que a bicicleta se tornou uma alternativa para evitar a aglomeração do transporte público durante a pandemia.

“No entanto, estamos limitados pelo desabastecimento de peças e componentes. Esse é o nosso principal gargalo: cerca de 50% das peças de uma bicicleta são provenientes de fornecedores globais”, afirma. “Temos grandes desafios na cadeia de suprimentos. A recuperação no fornecimento de insumos será gradual e deverá acontecer no segundo semestre”, complementa.

De acordo com o gerente da fabricante Sense Bike, Joel Silva, embora janeiro tenha sido um bom mês, o setor esperava um crescimento maior. “Abrimos mão de produzir para doar e ceder o uso do dia a dia de oxigênio ao sistema de saúde. Mas mesmo assim ainda conseguimos números significativos, não deixando de atender o mercado”. 

Ele acredita que a tendência de incluir cada vez mais a bicicleta na vida das pessoas tende a crescer ainda muito, visto que o esporte ciclismo cada vez mais, tem feito parte da vida do brasileiro. Ele destaca que no próximo ano o  país  será sede de uma das etapas da Copa do Mundo de Mountain Bike,  além que todo cenário causado pela pandemia do Covid-19 ficou claro que a população decidiu se exercitar e cuidar mais da saúde, optando pela bicicleta como um destes meios, não utilizando apenas para saúde e esporte, mas também como deslocamento pelas cidades e estradas.

Para 2021, ele vislumbra que o segmento cresça exponencialmente. “Continuamos a investir no PIM ampliando nossa planta fabril e também investindo em melhorias constantes de nossos processos e produtos. Temos uma responsabilidade grande em cativar a cada dia mais as pessoas para o mundo do ciclismo e isto começa a abastecer o mercado com produtos de qualidade”, declarou. 

Para 2021, a expectativa é de crescimento na produção
Foto: Divulgação

Perspectivas

Apesar do desempenho positivo,  o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, reconhece que há uma demanda reprimida, ocasionada pela falta de matéria prima desde o ano passado. 

Mas também afirma que o segmento de duas rodas vem se mantendo aquecido desde o segundo semestre do ano passado. Ele concorda que o setor vem apresentando dificuldade em relação aos insumos, mas a perspectiva para este ano é muito boa. “O segmento, principalmente o de bicicletas, tem uma expectativa de crescimento. Precisamos aguardar a acomodação dessa pandemia. Ver medidas de auxílio que possam surgir por parte dos governos para fomentar o comércio e manter esse ritmo. Só saberemos se não será um ‘voo de galinha’, após tudo estar normalizado”. 

Mais vendas

A performance no crescimento das vendas no ano passado também demonstra que a demanda deve se manter. O gerente de uma loja de bikes, Diogo Silva, diz que o comportamento no ano passado foi 30% maior que em 2019. As vendas do  produto na empresa chegaram a 11 unidades de comercialização por dia. “O que eu percebo é uma mudança no comportamento de consumo bem significativa. Acredito que estimulada pela praticidade e economia. Muita gente tem aderido às bicicletas como transporte”.

Ele também acredita que o distanciamento social e os protocolos de saúde devido à pandemia motivou o mercado. “A pandemia deixou muita gente com medo, por exemplo, muita gente que utilizava o transporte público e tinha dinheiro guardado, comprou investiu na bicicleta. Esse público movimentou o mercado. Muitos dos nossos clientes tinham esse perfil”, afirma. 

Outros números

Com 36.475 unidades e 64% do volume total fabricado, a categoria mais produzida em janeiro foi a Moutain Bike (MTB), que graças aos seus recursos tecnológicos se tornou uma opção de locomoção também em ambientes urbanos. Em segundo lugar ficou a Urbana/Lazer (18.152 unidades e 31,9% do total fabricado), seguida pela Infanto-Juvenil (1.449 unidades e 2,5%).

Do total produzido em janeiro, 60,7% foi destinado à região Sudeste, que recebeu o maior volume de bicicletas produzidas no Polo de Manaus (34.582 unidades). Na sequência, estão o Sul (11.799 unidades e 20,7%), Nordeste (5.460 unidades e 9,6%), Centro Oeste (3.530 e 6,2%) e Norte (1.610 e 2,8%).

Importações

As importações em todo o território nacional totalizaram 7.646 bicicletas. Na comparação com dezembro, que teve 2.958 bicicletas importadas, a alta foi de 158,5%. Já em relação a janeiro do ano passado (9.314 unidades), houve retração de 17,9%.

De acordo com dados do portal Comex Stat, que registra os embarques totais de cada mês, analisados pela Abraciclo, a maioria das bicicletas veio da Ásia. A China respondeu pelo maior volume, com 6.238 unidades e 81,6% do volume total importado. Em seguida, vieram Taiwan (589 unidades e 7,7% do total importado) e Vietnã (475 unidades e 6,2%).

Foto destaque: Marcio Melo

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