Indústria de bicicletas do PIM projeta crescimento em 2021

Em: 30 de janeiro de 2021
Apesar do desabastecimento de insumos, industria de bicicleta prevê produção de 750 mil unidades em 2021
Indústria de bicicleta do PIM projeta crescimento

Mesmo em meio às dificuldades de abastecimento de insumos causados pela pandemia, a indústria de bicicleta do PIM (Polo Industrial de Manaus) projeta a fabricação de 750 mil unidades para 2021. A quantidade é 12,8% maior que as 665.150 bicicletas produzidas ano passado. A expectativa da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), é  que o setor volte  a crescer em ano de retração.

Segundo o vice-presidente do segmento de bicicletas da entidade, Cyro Gazola, apesar dos esforços das montadoras em buscar uma recuperação é necessário o setor acompanhar de perto a cadeia de produção que se divide em 50% de insumos locais e  50% globais. A partir desse acompanhamento deve-se criar planos e estratégias com prudência baseado na realidade do mercado.

“Haverá sim uma recuperação, mas será uma recuperação gradual acompanhando o primeiro e segundo trimestre apontando para o crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. Temos como pontos de atenção o suprimento de matérias-primas locais e globais e o aumento da inflação de materiais. Já vimos uma inflação de commodities muito grandes ligados a fretes internacionais de materiais e demandas que estão acontecendo”, explicou.

De acordo com Gazolla, o lado positivo do atual momento é que a demanda por bicicletas continua a crescer devido a procura do modal como uma alternativa de lazer e transporte. “A demanda por bicicletas continua alta e a tendência é que siga dessa forma ao longo do ano. As associadas estão se esforçando para atender ao mercado, apesar de que ainda estamos limitados pelo desabastecimento de peças e componentes, o que gera dificuldade na montagem e, consequentemente, a falta de alguns modelos no mercado”, disse.

Com pouco estoque e seguindo a política pública do governo do Amazonas, as montadoras continuam mantendo seu ritmo de produção de acordo com o atual momento de cuidados com a saúde sanitária de seus colaboradores. Com isso o setor vem buscando soluções junto com a sua cadeia de clientes para fazer o melhor atendimento possível para atender a demanda do mercado. “Nós atendemos o número de distribuição que vai além dos lojistas independentes, mas também outros canais como redes elétricas, supermercados e e-commerces. Estamos buscando atender ao máximo os clientes de todo Brasil”, disse.

Balanço 2020

Em 2020 os fabricantes do PIM  produziram 665.186 unidades. O volume foi 27,7% menor que o fabricado em 2019, que teve 919.924 bicicletas produzidas. O desempenho também ficou abaixo da projeção apresentada pela Abraciclo em outubro. A perspectiva era de produzir 736.000 bicicletas.

A categoria mais produzida em 2020 foi a Moutain Bike (MTB), com 361.379 bicicletas, seguida da Urbana/Lazer (215.538 unidades). “A MTB antes era mais usada em trilhas e terrenos acidentados. Agora vem sendo utilizada também nas cidades, devido aos seus recursos tecnológicos, como suspensões, maior número de marchas e freios hidráulicos, entre outros”, explica Gazola.

Em 2020, foram exportadas 14.473 bicicletas em todo o território nacional. De acordo com dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, que registra os embarques totais de cada mês, o resultado foi 4% maior ao registrado em 2019, que foi de 13.915 unidades. Os três principais destinos foram Paraguai (7.689 bicicletas), Uruguai (2.956 unidades) e Bolívia (2.558 unidades). Já as importações totalizaram 51.845 bicicletas. Na comparação com 2019, que teve 74.962 unidades importadas, foi registrada uma retração de 30,8%. A China respondeu pelo maior volume, com 36.910 bicicletas. Na sequência, vieram Taiwan (8.355 unidades) e Vietnã (3.298 unidades).

Resultados de dezembro

Em dezembro as fábricas de Manaus produziram 39.400 unidades. Em relação ao mês anterior (63.562 unidades) houve queda de 38%. Em relação a dezembro de 2019, foi registrada alta de 89,9% (20.747 unidades). As exportações somaram 2.724 bicicletas, volume 297,1% superior ao registrado no mês anterior (686 unidades) e 275,2% maior que dezembro do ano passado (726 unidades). Segundo dados do portal Comex Stat, os três principais mercados foram Paraguai (1.447 bicicletas), Uruguai (816) e Bolívia (460). Em dezembro, foram importadas 2.990 bicicletas, o que corresponde a uma retração de 31,1% na comparação com novembro (4.337 unidades) e de 50,3% em relação ao mesmo mês de 2019 (6.015). A maioria veio da China (2.296 bicicletas), seguida por Taiwan (325) e Vietnã (190).

Antonio Parente

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