Procura por seguro-desemprego volta a desacelerar em dezembro

A procura por seguro-desemprego no Amazonas voltou a desacelerar na variação mensal, em dezembro. Mas, diferente do ocorrido nos meses anteriores, já aponta alta na comparação com igual intervalo de 2019. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a quantidade de requerimentos avançou 10,87%, passando de 4.196 (2019) para 4.652 (2020). Em relação a novembro de 2020 (4.801), houve recuo de 3,10%. Os pedidos se concentraram principalmente na segunda quinzena do mês (2.623), a despeito dos feriados. 

desemprego
Procura por seguro desemprego em dezembro teve um recuo de 3,10% em comparação à novembro

No acumulado do ano, a quantidade de solicitações totalizou 73.014 requerimentos no Estado, 1,14% a mais do que o contabilizado nos 12 meses do exercício anterior (72.190). Dezembro, entretanto, foi o mês com o menor número de pedidos, ficando bem abaixo do pico registrado no pico de maio (10.112), mês do auge da primeira onda de covid-19 no Amazonas. Os dados são da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Os valores pagos pelo seguro desemprego no Amazonas encostaram nos R$ 24,44 milhões no mês passado, sendo que o valor médio nas parcelas foi de R$ 1.293,63 –em um total de 18.890 parcelas pagas localmente. Foi apresentado um decréscimo de 10,96% em relação a novembro de 2020 (R$ 27,45 milhões) e uma retração de 24,33% no confronto com os números de dezembro de 2019 (R$ 32,30 milhões).

O Estado seguiu a tendência da média nacional, embora com percentuais comparativamente piores. O Brasil registrou 425.691 solicitações de seguro desemprego no último mês do ano passado, com baixa de 4,63% frente a novembro de 2020 (446.372) e queda de 1,98% ante dezembro de 2019 (434.285). No acumulado, contudo, os requerimentos subiram de 6,655 milhões (2019) para 6,784 milhões, uma diferença de 1,94%.

Idade e instrução

Em razão da pandemia, a maior parte dos registros foi realizada pela web (81% e 3.768). Assim como ocorrido em novembro, a maioria esmagadora dos trabalhadores amazonenses que buscou seguro-desemprego no mês passado pertencia ao gênero masculino, com 64,79% das solicitações (3.014). O gênero feminino, por sua vez, respondeu por apenas 35,21% (1.638) dos registros. No mês anterior, os números foram 64,01% e 35,99%, respectivamente. 

A faixa etária que respondeu pela maior parte das formalizações pelo seguro desemprego no Amazonas foi novamente a de 30 a 39 anos (36,07% ou 1.678), seguindo a tendência dos meses anteriores. Na sequência vieram aqueles que tinha entre 25 e 29 anos (20,38% ou 948), de 40 a 49 anos (19,86% ou 924), de 18 a 24 anos (14,62% ou 680), de 50 a 64 anos (8,66% ou 403) e 65 anos ou mais (0,32% ou 15).

Em termos de grau de instrução, a maioria dos solicitantes no Amazonas tinha ensino médio completo (72,35% ou 3.366). Foram seguidos de longe por aqueles que contavam com o superior completo (9,11% ou 424), fundamental incompleto (5,33% ou 248), fundamental completo (5,27% ou 245), médio incompleto (4,43% ou 206), superior incompleto (3,22% ou 150) e analfabetos (0,28% ou 13).   

Em dezembro, as demandas dos trabalhadores amazonenses pelo benefício se concentraram especialmente no setor de serviços (40,26% ou 1.873). Na sequência vieram comércio (26,63% ou 1.239), indústria (21,78% ou 1.013), construção (10,04% ou 467) e agropecuária (1,29% ou 60). A faixa salarial predominante foi a que vai de 1,01 a 1,5 salário mínimo (40,18% ou 1.869), seguida por 1,51 a 2 mínimos (21,93% ou 1.020), 2,01 a 3 mínimos (14,16% ou 659) e abaixo de 1 mínimo (13,33% ou 620) –com as faixas acima dos 3 mínimos nas posições seguintes.

“Enxugando custos”

O presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, lembra que o último trimestre do ano passado registrou “um evento diferente” para a economia local, ao gerar aquecimento ímpar nos segmentos mais fortes do PIM –eletroeletrônicos e duas rodas –, com reflexos positivos nas contratações. O economista ressalta, contudo, que a tendência da virada do ano já é outra.

“Temos um outro ciclo da onda de desempenho das empresas seguindo para baixo, a partir do final de dezembro. Para conseguir se manter em funcionamento, várias estão enxugando seus principais custos, que estão justamente na folha de pagamento. E isso impacta em uma maior busca pelo seguro desemprego. Infelizmente é a nossa situação atual”, lamentou. 

No entendimento do presidente do Sindecon-AM, a situação só vai melhorar, quando o programa de imunização da população para conter a pandemia já estiver definido e plenamente operante. “Enquanto tivermos essas oscilações no funcionamento das empresas, pelos decretos, haverá incerteza quanto ao futuro. Isso passando, a tendência natural é que as fábricas do Polo Industrial recomecem a contratar e, com isso, o comércio também. Aí, estaremos novamente em um ciclo de criação de empregos e menor busca pelo benefício. Se isso ocorrer de forma célere, teremos um panorama mais favorável no segundo semestre”, concluiu.     

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