Omar Aziz deve ficar hoje com presidência da CPI da Covid

O Senado deve instalar, hoje, a CPI da Covid-19 para investigar as medidas de enfrentamento à pandemia no país. O senador Omar Aziz (PSD-AM) é o mais cotado para assumir a presidência da comissão que terá como alvo, principalmente, as questões envolvendo a compra de vacinas e os recursos federais destinados para Estados e municípios.

Nesta terça-feira (27), serão escolhidos oficialmente o presidente, o vice-presidente e o relator da CPI. Segundo analistas políticos, o grande temor do governo Jair Bolsonaro (sem partido) gira em torno de Renan Calheiros (MDB-AL), cotado para ficar na relatoria.

Ontem, uma liminar da 2ª Vara da Justiça Federal de Brasília suspendeu, porém, a indicação de Calheiros para relator da CPI. A decisão saiu em caráter provisório e valerá até que o senador e a AGU (Advocacia-Geral da União) se manifestem sobre o processo. O prazo é de 72 horas.

O pedido para barrar Renan Calheiros na comissão foi formulado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das principais defensoras de Jair Bolsonaro no Congresso. 

O governo federal conta com apenas quatro dos 11 membros titulares da CPI, uma situação que se reflete na perda dos principais cargos na comissão. E Renan é um grande desafeto político de Bolsonaro.

Com a desvantagem numérica, o presidente adotou uma nova postura, reforçando as medidas preventivas e culpando governadores e prefeitos pela grave crise sanitária no Brasil. A oposição vê essa iniciativa como uma grande estratégia de Jair Bolsonaro para se defender na CPI.

O senador Omar Aziz foi enfático. Disse que a nova CPI não será igual a outras comissões instaladas pelo Congresso. E promete investigar a fundo os motivos que levaram o Brasil a ser um dos maiores epicentros mundiais da Covid-19.

“Não haverá ninguém de direita, de esquerda, nem cor e nem credo. O grande objetivo da CPI é saber onde o governo e todos os entes envolvidos erraram nas medidas de combate à Covid-19”, acrescentou Aziz.

O parlamentar afirmou, ainda, que as investigações não servirão de palanque a políticos, interessados em angariar votos para as eleições majoritárias de 2022. E também não vai perseguir ninguém.

‘Algo está errado’

O senador Omar Aziz avalia que alguma coisa está errada nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil. Já são quase 400 mil mortos pela doença e mais de 1,5 milhão de casos do novo coronavírus no país.

O senador disse que o Brasil tem 2,6% da população mundial, mas infelizmente detém o triste recorde de registrar 26% dos casos do novo coronavírus no mundo.

“O governo não se preparou, acreditando que não teríamos Covid na sociedade”, disse o senador. Ele também questionou as compras das vacinas, principalmente a aquisição da CoronaVac, fabricada por uma empresa chinesa.

“A China é um dos nossos maiores parceiros comerciais. Como é que o Brasil, tendo essa relação comercial, não garantiu a compra necessária de vacinas para todos os brasileiros? Como a Pfizer não chegou a acordo para a compra de 70 milhões de doses”, contestou. “Isso a CPI vai apurar. Estamos vacinando de forma lenta, enquanto os Estados Unidos vacinam quase 4 milhões por dia. É uma diferença grande”, acrescentou o senador.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) disse ser a favor da CPI, mas é contra a interferência do STF (Supremo Tribunal Federal) em assuntos do Congresso Nacional.

 Foi a mais alta Corte do país que pediu a instalação da comissão para investigar as medidas contra a Covid-19. “Isso só diz respeito ao Congresso”, ressaltou Plínio.

Aliado de Bolsonaro, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) quer furar o acordo fechado pela maioria e anunciou que vai concorrer ao comando da CPI. Além disso, bolsonaristas ainda fazem pressão nas redes sociais para impedir Renan de assumir o cargo de relator porque ele não apenas é crítico de Bolsonaro como apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foto/Destaque:  Waldemir Barreto/Agência Senado

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