CPI da Covid não vai perseguir, diz Omar Aziz

Cotado para presidir a CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) disse, ontem, que a comissão não vai perseguir ninguém e nem servirá de palanque a políticos interessados em angariar votos para as eleições de 2022.

Ao contrário de outras comissões, o parlamentar avalia que a nova CPI será diferente por investigar a condução no enfrentamento de uma pandemia que já matou pelo menos 380 mil pessoas no País.

 Senador do Amazonas é cotado para ser o presidente da comissão
Foto: Divulgação

A CPI deve ser instalada no próximo dia 27. “Jamais a população e o Congresso permitirão que alguém se aproveite desta tragédia. Não existe, hoje, ninguém que não tenha perdido um parente, um amigo ou vizinho pela Covid. Eu mesmo senti isso na pele. Perdi um irmão dez anos mais novo do que eu”, disse Aziz durante uma entrevista online à plataforma Uol, na manhã desta terça-feira (20).

De acordo com o senador, a CPI conduzirá os trabalhos de uma forma imparcial – não haverá ninguém de direita, de esquerda, nem cor e nem credo. “O grande objetivo é saber onde o governo e todos os entes envolvidos erraram nas medidas de combate à Covid-19”, acrescentou Aziz.

Segundo ele, os trabalhos da CPI serão focados principalmente em três linhas de investigação – a questão das vacinas, os erros das ações e o número de mortes.

A comissão vai investigar ainda ações e eventuais omissões do governo federal em meio à pandemia. E ainda fiscalizará recursos repassados pela União a Estados e municípios. Os senadores poderão participar dos trabalhos de forma presencial ou online, segundo Omar Aziz.

O senador disse que alguma coisa está errada no enfrentamento à pandemia no Brasil. O País tem 2,5% da população mundial, mas detém, hoje, pelo menos 2,6% dos casos registrados do novo coronavírus em todo o mundo.

“O governo não se preparou, acreditando que não teríamos Covid na sociedade”, disse o senador. Ele também questionou as compras das vacinas, principalmente a aquisição da CoronaVac, de fabricação chinesa

“A China é um dos nossos maiores parceiros comerciais. Como é que o Brasil, tendo essa relação comercial, não garantiu a compra necessária de vacinas para todos os brasileiros? Como a Pfizer não chegou a acordo para a compra de 70 milhões de doses”, contestou. “Isso a CPI vai apurar. Estamos vacinando de forma lenta, enquanto os Estados Unidos vacinam quase 4 milhões por dia. É uma diferença grande”, acrescentou o senador.

Controle

O senador Omar Aziz disse que a pandemia não será controlada tão cedo no Brasil. Para ele, a disseminação da doença só vai parar à medida que aumente a cobertura vacinal contra a Covid-19.

“A pandemia não vai passar amanhã. Não vai passar enquanto não imunizar a população para que ela não chegue a agravar a doença”, ressaltou.

Questionado se a CPI da Covid irá convocar o ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar explicações, Aziz sinalizou que sim. “Temos que saber sobre o orçamento e se tem recurso para este ano”, afirmou, em relação a investimentos destinados aos hospitais e ao auxílio emergencial. Tudo indica que o governo federal não reservou verba para a pandemia em 2021, segundo analistas políticos e econômicos.

O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à gravidade da Covid-19 atrapalhou o combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil.

“Ele (presidente) influenciou a conduta de muitas pessoas sobre não usar máscaras, não ter distanciamento social e ainda no relaxamento de outras medidas de prevenção”, disse ele.

Ramos afirmou que a nova cepa do coronavírus, altamente contagiosa, fez com que houvesse um boom na pandemia no Amazonas.

“Não retiro a responsabilidade desse negacionismo do presidente da República que não fez uma articulação nacional para intervir no combate à doença”, disse ele.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) avalia que essa CPI promete ser uma das mais marcantes da história do parlamento brasileiro. Ele recusou o convite de Omar Aziz para ser o relator da comissão e indicou o senador Renan Calheiros para ocupar o posto na CPI.

“O Brasil tem uma marca muito triste para todos nós. Daí, a responsabilidade dessa CPI. Se você observar os 11 nomes, são senadores seniors, que na sua grande maioria tem longa vida pública, experiência, foram governadores, ministros, já presidentes da Casa” ressaltou.

Foto/Destaque: Jefferson Rudy/Agência Senado

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