14 de maio de 2021

Interior do Amazonas tem eliminação de 621 postos de trabalho em dezembro

O interior do Amazonas emendou seu segundo mês de saldo negativo de empregos formais, em dezembro. Em números globais, os municípios registraram apenas 533 contratações, para 1.154 demissões, no mesmo período. Ou seja, para cada admissão, houve pelo menos dois desligamentos. O resultado foi a eliminação de 621 postos de trabalho, superando os cortes de novembro (-71). Os dados estão na edição mais recente do ‘Novo’ Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O interior respondeu por praticamente metade das extinções contabilizadas pelo Estado (1.250), em seu primeiro resultado negativo após cinco altas mensais consecutivas – Manaus respondeu pelos 629 cortes restantes. O número de cidades amazonenses com mais admissões do que desligamentos não passou de 19, um número ainda mais alto do que o do mês anterior (17), mas com resultados irrisórios na maior parte das localidades. Nada menos do que 30 foram na direção contrária e as 11 restantes estagnaram.

Diferente do ocorrido com a capital, a retração sofrida nas vagas celetistas em dezembro custou ao interior um reposicionamento no campo negativo – após a estagnação de novembro. Enquanto a capital amazonense conseguia gerar saldo positivo de 10.869 vagas formais, os municípios do interior mal amargaram a eliminação de 664 empregos com carteira assinada – dado o predomínio dos desligamentos (10.741) sobre as admissões (10.077). 

Saldos concentrados

Além de esparsos, os saldos vieram mais concentrados ao final de 2020. Entre os municípios que conseguiram contratar mais do que demitir, apenas dois conseguiram saldo de dois dígitos – Maués (+48 vagas e +5,19%) e Boca do Acre (+16 e +1,34%) –, atingindo os melhores resultados do ranking de dezembro. Cidades como Amaturá (+42,86%) e Itamarati (+30,43%) apresentaram expansões relativas significativas, mas geraram 3 e 7 empregos, respectivamente. Em contraste, o município que mais demitiu foi Presidente Figueiredo (-312 e -10,48%) – que chegou a figurar no extremo oposto da lista, em meses anteriores. Humaitá (-88 e -4,38%), Coari (-73 e -2,75%), Itacoatiara (-56 e 1,26%) e Parintins (-45 e -1,64%) vieram nas posições seguintes.   

No acumulado do ano, 21 municípios do interior amazonense ficaram no azul e  34 no vermelho, enquanto cinco estagnaram. Novo Airão (+57 ocupações e +22,18%), Maués (49 e +5,31%), Nova Olinda do Norte (+39 e +10,60%) e Parintins (+37 e +1,39%) alcançaram os melhores resultados absolutos. No outro extremo, Manacapuru (-329 e -9,96%), Coari (-173 e -6,29%) e São Gabriel da Cachoeira (-113 e -27,03%) lideraram a lista de destruição de empregos no interior amazonense, ao final de 2020. Anori, Barcelos, Guajará, Tapauá e Tonantins pontuaram estabilidade.

Excluída a capital (390.581), os seis maiores municípios do Amazonas em termos de estoque de empregos com carteira assinada continuam respondendo por mais de 50% de todo o volume apresentado no interior do Estado (35.056): Itacoatiara (4.409 ocupações), Manacapuru (3.195), Presidente Figueiredo (2.633), Parintins (2.708), Coari (2.556), e Humaitá (1.951). 

O ‘Novo Caged’ não cruza os dados de empregos dos municípios com as atividades econômicas do Estado. Em números globais, o único setor mais comuns nas localidades do interior amazonense a pontuar saldo positivo foi o comércio (+214 postos de trabalho) – contra os +2.280 do mês anterior. Educação (-468), Agropecuária (-294), construção (-269), administração pública (-48), e indústria extrativa (-5), por outro lado, ficaram devendo.

Segunda onda

Na análise do presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, o grande fator por trás dos números negativos e crescentes ao final de 2020 vem do recrudescimento da pandemia e da morte anunciada do auxílio emergencial, que já aparecia em meados de dezembro, e que culminou com a subida da segunda onda e o primeiro decreto de restrição aos serviços não essenciais, ao final do mês.

“O interior tem uma característica de não contar com grandes empreendimentos, de uma forma geral. A maior parte dos municípios tem nos empregos em prefeituras e nos pequenos comércios, além do setor primário, sua fonte de renda. Com a pandemia voltando, o movimento foi caindo e a primeira atitude dos empresários foi cortar custos e demitir. Esperamos que haja alguma recuperação no segundo semestre, a partir das vacinações”, ponderou.

Sobre Manacapuru, que registrou o pior desempenho anual, com corte equivalente próximo a 10% de seu estoque de empregos, o economista avalia que a proximidade com Manaus pode ter impactado no resultado. Mas, não descarta a hipótese de eventuais problemas gerados pela crise da covid-19 em suas principais atividades econômicas – polo oleiro, agricultura de hortaliças, produção leiteira e pequenos comércios.

No caso de Presidente Figueiredo, que tem sua economia fortemente ancorada pela mineração e agroindústria, e amargou a pior performance mensal, Marcus Evangelista considera que o maior baque veio de outro setor que compõe o tripé econômico do município: o turismo. “Muito provavelmente, com o aumento dos casos de covid e o maior distanciamento, a atividade começou a reduzir quadros. Mas, há a hipótese também de que fossem empregos temporários”, conjecturou. 

Auxílio emergencial

Em depoimento anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, já havia mencionado que o mercado de trabalho estava se acomodando, diante do então refluxo da pandemia, chegando a um “ponto de equilíbrio”. O secretário estadual ressalva que outros fatores podem ter contribuído para os resultados mais minguados de novembro. Um deles é o corte do auxilio emergencial. Dados do IBGE informam que 56,8% dos domicílios do Amazonas tinham famílias recebendo o benefício, em novembro. 

“Do meu ponto de vista, a eliminação prevista do auxílio emergencial tem um peso nesse processo. Há o efeito sazonal também. Em Novo Airão, por exemplo, o retorno da atividade turística permitiu mais contratações. A nossa expectativa é que, com a vacinação, a economia possa retomar um ritmo mais previsível. Assim, poderíamos gerar os empregos que necessitamos, além de promover o desenvolvimento econômico também do interior”, concluiu. 

A reportagem do Jornal do Commercio tentou entrar em contato com o prefeito reeleito de Manacapuru, Betanael da Silva D’Angelo (Republicanos), e a nova prefeita de Presidente Figueiredo, Patrícia Lopes (MDB), por meio de telefone e mensagens, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria. 

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