Emprego tem redução no interior do Estado em novembro

Somados, os municípios do interior do Amazonas interromperam uma sequência de sete altas mensais seguidas e amargaram seu primeiro saldo negativo de empregos formais, em novembro. O número de localidades com mais admissões do que desligamentos não passou de 17, um número ainda mais baixo do que o registrado no mês anterior (19). Os dados estão na edição mais recente do ‘Novo’ Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

No mesmo mês em que o Amazonas registrava seu quinto saldo positivo de empregos formais, Manaus criava 5.497 postos de trabalho celetistas, mas menos de um terço das 60 cidades amazonenses do interior conseguia avançar no mesmo quesito. A estagnação foi a marca de outras 16, mas a maioria (28) amargou eliminação de vagas – contra 18 e 24 no mês anterior, respectivamente. Em números globais, as localidades registraram 737 contratações e 808 demissões. No total, 71 de postos de trabalho foram limados em novembro, comprometendo os ganhos de outubro (+100). 

A retração sofrida em novembro deixou o acumulado muito próximo da estagnação, após este entrar no azul, em outubro. Enquanto a capital amazonense conseguia gerar saldo positivo de 11.409 vagas formais, os municípios do interior mal conseguiram se segurar no campo positivo, ao gerar apenas seis empregos com carteira assinada – dado o estreito predomínio das admissões (9.419) sobre os desligamentos (9.413). 

Contratações concentradas

O impulso da geração voltou a vir mais concentrado. Só três municípios conseguiram saldo positivo de dois dígitos – metade do apresentado no mês anterior (seis) –e os demais tiveram pouco mais do que um par de vagas criadas, em média. Em números absolutos, Parintins voltou a ter o melhor desempenho, com a criação de 41 empregos, gerando alta de 1,50%. Na sequência, os destaques vieram de Rio Preto da Eva (+19 postos e variação de +2,16%) e Boca do Acre (+18 e +1,53%). Em contraste, Iranduba (-35 e -1,67%), Itacoatiara (-32 e -0,71%) e Tefé (-25 e -1,69%) lideraram os cortes. A melhor alta relativa veio de Juruá (+20% e 8 vagas) e a maior baixa, de Silves (12,20% e -5) 

No acumulado do ano, 26 municípios do interior amazonense ficaram no azul e  32 no vermelho, enquanto dois estagnaram. Presidente Figueiredo (238 ocupações e +8,67%), Parintins (+98 e +3,67%) e Novo Airão (+59 e +22,96%) alcançaram os melhores resultados absolutos. Na outra ponta, Manacapuru (-323 vagas e -9,78%), São Gabriel da Cachoeira (-102 e -24,40%) e Coari (-86 e -3,13%) lideraram a lista de destruição de empregos no interior amazonense, nos 11 meses iniciais de 2020. Barcelos e Tapauá pontuaram estabilidade.

Excluída a capital (391.210), os seis maiores municípios em termos de estoque de empregos com carteira assinada respondem por mais de 50% de todo o volume apresentado no interior do Estado (35.677): Itacoatiara (4.465 ocupações), Manacapuru (3.201), Presidente Figueiredo (2.945), Parintins (2.753), Coari (2.629), e Humaitá (2.039). 

Auxílio emergencial

O ‘Novo Caged’ não cruza os dados de empregos dos municípios com as atividades econômicas do Estado. Em números globais, setores mais comuns nas localidades do interior amazonense, como comércio (+2.280 postos de trabalho) e construção (+17) e agropecuária (+5) fecharam no azul – ainda que tenham alcançado resultados acanhados –, mas a indústria extrativa (-33) e administração pública ficaram devendo. 

Em depoimento anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o assessor econômico da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Alcides Saggioro Neto, lembrou que o interior do Amazonas normalmente não apresenta movimentação significativa de admissões e demissões. Uma das raras exceções viria de Presidente Figueiredo, em função das atividades de cultivo de cana de açúcar. O município citado cortou duas vagas em novembro (-0,07%), embora acumule saldo positivo no acumulado (+238 e +8,67%), conforme o ‘Novo Caged’. 

“Um setor que foi grande responsável pelo saldo positivo de vagas celetistas registradas, pelo menos no acumulado até outubro, é a construção, que gerou 1.038 postos de trabalho. Perdeu apenas para a indústria. Em Parintins, pode-se atribuir o saldo positivo registrado a ações de governo, uma vez que a atividade de obras de infraestrutura alcançou a criação de 23 ocupações, no mesmo período”, acrescentou. 

O titular da Sedecti, Jório Veiga, já havia mencionado que o mercado de trabalho estava se acomodando, diante do então refluxo da pandemia, chegando a um ponto de equilíbrio que deve se manter até o surgimento da vacina. O secretário estadual ressalva que outros fatores podem ter contribuído para os resultados mais minguados de novembro. Um deles é o corte do auxilio emergencial e sua morte anunciada para dezembro. Dados do IBGE informam que o percentual de domicílios do Amazonas que tem famílias recebendo o benefício vem caindo desde julho (62,6%) a novembro (56,8%). 

“Desde o meu ponto de vista a eliminação prevista do auxílio emergencial tem um peso nesse processo. Há o efeito sazonal também. Em Novo Airão, por exemplo, o retorno da atividade turística permitiu mais contratações. A nossa expectativa é que, com a vacinação, a economia possa retomar um ritmo mais previsível. Assim, poderíamos gerar os empregos que necessitamos, além de promover o desenvolvimento econômico também do interior”, finalizou. 

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