Insatisfação e desconfiança crescem no consumidor manauara

O consumidor de Manaus está menos confiante e mais insatisfeito. O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) voltou a cair em nível local, entre setembro e outubro, e seguiu na trajetória inversa da média nacional, conforme dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A percepção ainda é positiva em relação ao crédito, mas as incertezas sobre emprego e consumo pesam mais, especialmente para os que ganham menos. 

O ICF de Manaus interrompeu uma sequência de duas altas e voltou a cair para 58 pontos, em outubro, ficando abaixo da marca de setembro (58,9) e bem aquém do patamar de 12 meses antes (102,6). Pela sexta vez seguida, o número se situou na zona de insatisfação (até 100 pontos), sendo a quinta ocasião em que não supera os 60 pontos. Na média brasileira, o indicador cresceu 0,9% e chegou aos 68,7 pontos, no pior desempenho para outubro desde 2010. No comparativo anual, houve recuo de 26,4%.

Quatro dos sete componentes do ICF ficaram negativos em Manaus. O destaque veio de Renda Atual (-7,3%) e Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-7,2%), em uma reversão ante a dinâmica de setembro – +7,5% e +18,1%. Foram seguidos por Perspectiva de Consumo (-5,1%) e emprego atual (-1,7%). Na outra ponta, Nível de Consumo Atual (8,5%), Perspectiva Profissional (+7,1%) e Momento para Duráveis (+1,9%) se mantiveram ascendentes.

As intenções de compras foram refreadas pelas percepções negativas sobre o consumo atual, que avançou, mas se manteve em nível de insatisfação (22,6 pontos). Nada menos do que 85,6% dos entrevistados relatou estar comprando menos do que no ano passado – e esse percentual sobe para 86,4%, entre os que recebem menos do que dez salários mínimos. Apenas 8,2% dizem que estão comprando mais e 5,7% afirmam que está tudo na mesma. No mês anterior, os respectivos percentuais foram 86,9%, 7,8% e 4,9%.

A ida às compras é refreada também pelas perspectivas de consumo dos manauenses (47,5 pontos), que ficou abaixo 50 pontos anteriores. Em torno de 72,6% das famílias considera que seus dispêndios serão menores nos próximos meses, em relação a 2019. Uma parcela de 20% aposta que ainda será maior e outros 6,6% avaliam que seguirá igual – contra 71,9%, 21,9% e 5,7%, em setembro. Os que ganham menos de dez mínimos (77,4 pontos) são os mais pessimistas.

Emprego e crédito

Outro fator que limita as intenções de consumo vem da situação atual do emprego (90,5 pontos), que piorou na comparação com setembro (92,1). A maioria ainda se sente “menos segura” (28%) ou simplesmente está desempregada (29,2%), enquanto apenas 18,5% estão “mais seguros”. O mesmo se deu nas perspectivas profissionais (50,9 pontos), onde a percepção majoritária (73%) é negativa, em detrimento dos otimistas (23,9%). A insegurança presente é maior para os que ganham mais, mas as perspectivas são piores para os que recebem menos. 

A percepção dos manauenses em relação ao crédito se mantém satisfatória (115,8 pontos), embora tenha caído no confronto com o mês anterior (124,7). Para 55,5% dos entrevistados, o acesso está mais fácil, enquanto 39,8% já dizem que ficou mais difícil – contra os 60,3% e 35,6% de setembro, respectivamente. Em sintonia, 79,8% das famílias garantem que este não é o momento adequado para aquisição de bens duráveis (39,6 pontos). Em ambos os casos, a percepção é mais negativa para os que tem renda maior.

Crise e otimismo

O assessor econômico da Fecomercio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, considera que, com exceção da oferta de crédito, os dados revelados pela pesquisa da CNC para setembro são preocupantes para os comerciantes da capital amazonense. Mesmo assim, o economista ainda sem mantém otimista para o médio prazo. 

“Com relação ao nível de consumo, a pontuação foi baixa e mostra uma queda considerável no índice de consumo das famílias. Da mesma forma, o emprego apresentou um número de pontos abaixo da linha de satisfação. E a situação se repetiu nas perspectivas do consumidor para os próximos meses, assim com a percepção sobre a renda, mas não em relação ao crédito. Isso demonstra que, apesar da crise, a oferta de recursos bancários está bastante satisfatória, em função dos juros baixos. Mas, acredito que, em breve, a economia amazonense entrará em recuperação”, sentenciou.

Contenção e satisfação

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, avalia que os números da pesquisa demonstram que os consumidores estão enfrentando um momento de contenção de renda: “A redução do auxílio emergencial do governo impactou negativamente as famílias, mesmo com a melhora nas percepções em relação ao mercado de trabalho”, observou. 

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, prefere não comentar o impacto da redução – e retirada do benefício – e destaca que a recuperação do consumo dos brasileiros tem se refletido no aumento das vendas do varejo, nos últimos meses. “A maior satisfação das famílias reforça a evolução gradual, observada nos dados recentes do comércio”, finalizou. 

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